@peakcooper / Twitter

Cooper agradece e relata o processo. Um modelo de linguagem identificou o que os médicos – humanos – não conseguiram: a doença da cadela.
“O ChatGPT4 salvou a vida da minha cadela”.
Há quem elogie a nova “maravilha” da tecnologia, mais concretamente da Inteligência Artificial. Há quem critique e fique desconfiado.
O início do relato, transcrito ali em cima, não deixa dúvidas: vem aí alguém que agradece (muito) a existência do ChatGPT.
O ChatGPT é um o modelo de linguagem que “fala” connosco em directo, que dá respostas que queremos (bem, nem sempre).
Cooper – pelo menos é esse o seu nome no Twitter – contou que a sua cadela tinha sido diagnosticada com uma doença transmitida por carraças. Começou um tratamento aconselhado pelo veterinário. Tinha uma anemia grave mas parecia estar a melhorar.
Dias depois, piorou. Com gengivas visivelmente mais pálidas, Cooper decidiu levá-la novamente ao veterinário. Resultado dos exames: anemia ainda mais grave, ainda pior do que na primeira vez. Os mesmos exames não detectaram qualquer outra infecção relacionada com carraças.
Mas a cadela continuou a piorar. E a equipa veterinária não conseguia descobrir porquê, não fazia ideia do que estava a causar aquele estado.
“Aguardemos, para ver o que acontecer”, sugeriram.
Cooper não gostou daquela sugestão. Por isso, lembrou-se: “Os diagnósticos médicos parecem ser o tipo de coisa em que o ChatGPT4 pode ser realmente bom”.
Aí, descreveu ao pormenor – mesmo ao pormenor, como pode confirmar no fim do artigo – a situação clínica da cadela. Transcreveu todos os resultados de todos os exames de sangue.
So I asked it what other underlying issues could fit this scenario, and it gave me a list of options.
I knew the 4DX test ruled out other coinfections, and an ultrasound ruled out internal bleeding, so that left us with one single diagnosis that fit everything so far: IMHA
6/ pic.twitter.com/gQsDeDjlEM— Cooper ☕ (@peakcooper) March 25, 2023
Como se vê aqui em cima, o ChatGPT começou por avisar: “Eu não sou veterinário” – mas apresentou uma interpretação adequada e sugeriu que poderia haver outros problemas subjacentes que contribuíam para a anemia.
Quais problemas subjacentes? Perguntou Cooper.
O ChatGPT deixou uma lista de respostas prováveis. Mas, pegando no resultado dos exames mais recentes, só sobrava um diagnóstico que encaixava em tudo: anemia hemolítica imunomediada (AHIM).
Esta anemia surge quase sempre em cães e está relacionada com a destruição dos glóbulos vermelhos pelo sistema imunológico do próprio hospedeiro. É uma doença grave, é sinónimo de alta mortalidade. Por isso, é fulcral haver diagnóstico precoce.
Depois da ajuda da Inteligência Artificial, Cooper voltou a falar com a inteligência humana e perguntou a (outro) veterinário se a sua cadela teria mesmo AHIM. “É um diagnóstico possível”, começou por responder o médico.
Os exames confirmaram: era AHIM. O chat acertou.
Aí sim, a cadela começou a seguir o tratamento mais adequado e está praticamente recuperada, contou Cooper, neste sábado.
“Não sei porque o primeiro veterinário não conseguiu fazer o diagnóstico correcto. Não sei se foi por incompetência ou por má gestão. O ChatGPT-3.5 não conseguia apresentar o diagnóstico adequado, mas o ChatGPT4 foi inteligente o suficiente para fazê-lo. Não consigo imaginar como serão os diagnósticos médicos daqui a 20 anos”, analisou.
Cooper ficou ainda mais impressionado com a leitura e com a interpretação dos resultados dos exames de sangue, por parte do modelo de linguagem.
Por mim, uma sugestão: “Se a OpenAI (empresa criadora do ChatGPT) precisar de mais informações para as suas pesquisas, tenho todos os registos médicos e todos os resultados de exames de sangue da Sassy (a cadela sortuda) prontos para partilhar”.
Here’s a reproduction of the entire diagnostic from start to finish.
Consists of me stating symptoms and facts, at certain points telling it which tests were ran, and asking the AI for its opinion on what is the most likely option until getting the complete diagnosis. 1/3 pic.twitter.com/4Qp5XIs9Eg
— Cooper ☕ (@peakcooper) March 27, 2023