Uma nova pesquisa confirmou a teoria de que a proliferação de algas tóxicas na água levou à morte de mais de 350 elefantes no Botswana.
Em maio de 2020, ocorreu uma tragédia misteriosa no Botswana, quando mais de 350 elefantes foram encontrados mortos perto do Delta do Okavango, em julho. As investigações iniciais excluíram causas comuns como a caça furtiva, a fome, as infeções e o antraz, deixando as cianobactérias tóxicas como principal suspeito.
Quatro anos depois, um novo estudo liderado pelo King’s College de Londres publicado na Science of The Total Environment confirma esta teoria sobre uma das maiores mortes em massa de qualquer grande mamífero na história recente.
Utilizando dados de satélite, o geógrafo Davide Lomeo e a sua equipa analisaram os poços de água perto das carcaças dos elefantes. Descobriram que 20 charcos registaram um aumento da proliferação de algas tóxicas em 2020, em comparação com os três anos anteriores. Estas florescências, encontradas em charcos estagnados e alimentados pela chuva, são altamente tóxicas e provavelmente envenenaram os elefantes, que sucumbiram 88 horas após a exposição.
“As nossas descobertas põem em evidência o impacto devastador das alterações ambientais induzidas pelo clima nas espécies ameaçadas de extinção”, afirmou Lomeo. “Os charcos sazonais, e não os corpos de água permanentes, foram a fonte provável de exposição à cianotoxina.”
O Botswana, onde vivem mais de 130 000 elefantes, alberga a maior população de elefantes do mundo. As mortes atraíram a atenção mundial, mas não se trata de um incidente isolado. Nos últimos anos, eventos de mortalidade em massa afetaram várias espécies em todo o mundo, desde aves da Califórnia que sucumbiram ao botulismo até morcegos australianos que morreram de fome.
O estudo sublinha a forma como as alterações climáticas agravam estes fenómenos. As águas mais quentes e ricas em nutrientes favorecem a proliferação de algas nocivas, ao passo que as condições meteorológicas extremas afetam a vida selvagem, tornando-a vulnerável a doenças, refere o Science Alert.
“Este evento reflete uma tendência mais ampla de impactos induzidos pelo clima na biodiversidade e na saúde dos ecossistemas”, escreveram os investigadores. Prevê-se que a África Austral se torne mais quente e mais seca, enfrentando riscos acrescidos para a qualidade e disponibilidade da água, com consequências terríveis para a vida selvagem.