Centenas de pequenos pinguins azuis mortos deram à costa na Nova Zelândia

Especialistas do país estabeleceram ligação com o fenómeno La Niña, sentido com especial impacto no país.

Os pequenos pinguins azuis, uma ave originária da Nova Zelândia e considerada a espécie de pinguim mais pequena do mundo, tem sido protagonista de um fenómeno que tem preocupado as autoridades locais e não só. Ao longo das últimas semanas, elementos da espécie têm sido encontrados mortos nas praias do país, no que os especialistas dizem ser um dos episódios mais recentes da extinção em massa decorrente das alterações climáticas.

De acordo com a NBC, as autoridades locais cifram em centenas aves sem vida que  foram encontradas nas praias do norte do país desde o início de maio, embora o número exato seja difícil de determinar, aponta Graeme Taylor, principal conselheiro científico do Departamento de Conservação da Nova Zelândia.

Como consequência destes aparecimentos e na tentativa de apurar a sua origem, os pinguins, também conhecidos como korora, foram testados para doenças e biotoxinas, mas os primeiros sinais parecem indicar que terão morrido de fome, avançou a responsável. “Todas as aves tinham pelo menos metade do peso normal, não tinham qualquer percentagem de gordura e o seu tecido muscular desaparecido”.

Não é caso raro que as aves marinhas morram em grande número devido ao mau tempo, apontam os ambientalistas. No entanto, as mortes em grande número entre os pequenos pinguins azuis, que ocorriam cerca de uma vez por década, aconteceram três vezes nos últimos seis anos, disse Taylor.

Os especialistas da Nova Zelândia, onde o pequeno pinguim azul é considerado uma espécie “em risco”, anteciparam um evento de mortalidade este verão como consequência do La Niña, um fenómeno climático que afeta o clima em todo o mundo e que ocorre tipicamente de três em três ou de cinco em cinco anos.

É provável que o evento em curso continue até ao final do ano, de acordo com as previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. Isto perspetiva um caminho para o terceiro outono e inverno consecutivos com as condições de La Niña, um evento raro.

A demonstração mais recente do La Niña combinou uma onda de calor marinha para criar um “duplo golpe” para os pinguins, aumentando a temperatura do mar, o que por sua vez torna mais difícil para estes encontrarem os pequenos peixes de que se alimentam, descreveu o mesmo especialista. Como consequência deste fenómeno, os peixes podem ter-se deslocado para sul ou descido para águas mais frias abaixo da área de mergulho dos pinguins.

“As aves mais jovens, em particular, estão a lutar para encontrar bons lugares para encontrar comida e até mesmo os elementos adultos experientes parecem ter sido apanhados nisto”, disse ele. Com as mortes em massa a acontecer com mais frequência, acrescentou Taylor, os pinguins têm menos oportunidades de reconstituir a sua população através da reprodução em anos melhores.

Embora não seja possível medir o impacto exato das alterações climáticas na espécie, existem padrões identificáveis, clarificou John Cockrem, biólogo de pinguins na Escola de Ciências Veterinárias da Universidade de Massey na Nova Zelândia.

Os pequenos pinguins azuis no extremo sul da Nova Zelândia, que não foi sujeito às mesmas alterações de temperatura do mar, parecem estar a fazer melhor do que as populações do norte. “É muito provável que seja mais do que uma coincidência que isto esteja a acontecer quando há temperaturas do mar mais quentes”, disse Cockrem.

É de esperar mais mortes com ocorrências mais frequentes de temperaturas do mar mais quentes na costa da Nova Zelândia, disse ele, acrescentando que o número de pequenos pinguins azuis no norte “pode muito bem diminuir em consequência das alterações climáticas”.

  ZAP //

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