As sinistras canções dos lémures têm um ritmo semelhante à nossa música

Zigomar / Wikimedia

A espécie de lémure, indri, nativa de Madagáscar.

A espécie de lémure, indri, nativa de Madagáscar.

As sinistras canções dos indri, uma espécie de lémure endógena de Madagáscar, têm um ritmo semelhante à nossa própria música.

O começo da manhã na floresta tropical de Madagáscar é preenchido por chorares sinistros que ecoam entre as árvores. São as lamentações dos indri (indri indri), uma espécie de lémure em perigo crítico de extinção.

Estas criaturas são o maior lémure que se pode encontrar hoje em Madagáscar. O nome indri vem do malgaxe — a língua falada por praticamente toda a população de Madagáscar — e significa “olhe!”, a expressão que o guia nativo disse a Pierre Sonnerat, o explorador francês que o acompanhava quando se descobriu esta espécie.

Um novo estudo sugere que as canções dos primatas têm muito em comum com a música humana. Estes animais cantam para comunicarem com outros grupos ou para encontrar outros membros da sua própria família, explica a investigadora da Universidade de Turim, Chiara De Gregorio.

Para melhor perceberem os chamamentos, a equipa liderada por De Gregorio gravou canções de 20 grupos diferentes ao longo de 12 anos. Ao analisarem as notas, repararam que havia duas categorias rítmicas diferentes — ambas encontradas na música humana.

A primeira, 1:1, onde as notas são espaçadas uniformemente como um metrónomo; e a segunda, 1:2, onde o espaço entre uma nota é duas vezes maior que a anterior.

“Esta é a primeira evidência da presença de um traço típico da música humana noutro mamífero”, diz De Gregorio.

Há ainda duas espécies de pássaros — rouxinóis tordo (Luscinia luscinia) e tentilhões-zebra (Taeniopygia guttata) — que também têm esta característica quando cantam, mas cada uma exibe apenas um ritmo categórico. O indri, por sua vez, apresenta dois ritmos distintos.

Esta descoberta sugere que “as propriedades musicais intrínsecas estão mais profundamente enraizadas na linhagem dos primatas do que se pensava”.

O significado dos ritmos para a comunicação ainda não é claro, embora desempenham um papel na coordenação da música e na ligação social, escrevem os autores.

A equipa de investigadores quer investigar se os indri nascem com estas categorias de ritmo ou se as aprendem. No entanto, o facto de a espécie estar em elevado risco de extinção pode comprometer o trabalhos dos cientistas.

  ZAP //

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