Cama usada em hotel durante 15 anos pode ter sido o leito de núpcias do Rei Henrique VII

Uma cama de carvalho esculpido que passou 15 anos numa suite de lua de mel de um hotel em Chester, no Reino Unido, tinha uma história escondida: pode ser a cama perdida da realeza do século XV.

Foi nela que o rei Henrique VII e Isabel de York celebraram o fim das Guerras das Rosas – durante as quais morreu o rei Ricardo III – e deram à luz a famosa dinastia Tudor da Inglaterra.

A antiga identidade da cama veio à tona depois de ter sido retirada do hotel e descartada para um estacionamento. Foi resgatada por um negociante de antiguidades que a classificou como “uma cama de dossel vitoriana esculpida com escudos heráldicos”, segundo a descrição de um simpósio sobre a história da cama, realizada em 21 de janeiro no Victoria and Albert Museum, em Londres.

Quando Ian Coulson, um restaurador e comerciante de camas antigas, comprou a cama online em 2010, descobriu que a madeira era muito mais antiga do que o vendedor suspeitava. Além disso, os enfeites da cama sugeriam origens reais, de acordo com a National Geographic.

A cama restaurada tem três metros de altura e mede dois metros de comprimento por 1,7 de largura, de acordo com representantes da The Langley Collection, à qual a cama pertence.

Os quatro postes terminam com leões esculpidos, a um dos quais está a faltar uma cauda. Esculturas de timbres, trepadeiras e escudos heráldicos cobrem a moldura. A cabeceira inclui um tríptico com um painel central de Adão e Eva.

Pistas na madeira envernizada e na qualidade e conteúdo das esculturas sugeriram a Coulson que se tratava de uma cama nupcial real e que pertencia a Henrique VII. Embora a afirmação inicialmente parecesse absurda, Coulson passou os nove anos seguintes a acumular evidências das origens da cama.

Quando Coulson examinou a cama, encontrou danos no carvalho – o que seria razoavelmente esperado para uma cama construída durante a era vitoriana – e a quantidade de oxidação nas colunas da cama levaria séculos para acumular-se.

Os rostos na escultura da cabeceira de Adão e Eva lembram os primeiros retratos de Henrique VII e da rainha e as figuras são cercadas por símbolos de fertilidade – bolotas, uvas e morangos, escreveu o historiador Jonathan Foyle.

Emblemas como estrelas, escudos, leões e rosas esculpidos na estrutura da cama eram frequentemente associados à realeza de Tudor – combinavam com o estilo das camas sobreviventes dos Tudor dos séculos XV e XVI.

“A idade da madeira, os dispositivos reais com a falta de outras insígnias familiares e o design e execução requintados da escultura convenceram-me de que era uma cama real de Henrique VII”, afirmou Coulson.

Análise de ADN na madeira confirmaram que se trata de madeira da Europa central da variedade genética conhecida como haplótipo-7, encontrado no sul de França através da Bielorrússia. Amostras de tinta sob o verniz da cabeceira revelaram manchas de um pigmento medieval azul, que era mais precioso do que o ouro, e que teria sido usado para decorar camas pertencentes à realeza.

O casamento de Henrique VII e Elizabeth de York foi um ponto de viragem na história britânica. O evento uniu as casas rivais de York e Lancaster e encerrou o conflito de 30 anos conhecido como as Guerras das Rosas, começando a dinastia britânica conhecida como a casa de Tudor.

A cama foi instalada num quarto cerimonial no Palácio de Westminster para os recém-casados, depois do casamento na Abadia de Westminster, a 18 de janeiro de 1486.

A maioria dos pertences de Tudor daquele período foram perdidos, queimados em incêndios provocados por anti-monarquistas e, até agora, a única cama Tudor conhecida é um fragmento de cabeceira que pertenceu a Henrique VIII e Ana de Cleves. No entanto, acredita-se que a cama de Henrique VII tenha sobrevivido aos incêndios em Westminster porque foi enviada para Lancashire em 1495.

ZAP ZAP // Live Science

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