Buracos negros impedem crescimento de galáxias anãs

NASA, ESA, and D. Coe, J. Anderson, and R. van der Marel (STScI)

Um novo estudo indica que ventos fortes impulsionados por buracos negros supermassivos no centro de galáxias anãs têm um impacto significativo na evolução dessas mesmas galáxias, suprimindo a formação de estrelas.

Para levar a cabo esta investigação, a equipa de cientistas reuniu dados do Sloan Digital Sky Survey para identificar 50 galáxias anãs, 29 das quais mostraram sinais de associação a buracos negros no seu centro.

Os cientistas descobriram provas de ventos fortes em seis das 29 galáxias – mais especificamente saídas de gás ionizado de alta velocidade – emanados a partir dos seus buracos negros ativos. O artigo científico foi publicado dia 11 de outubro no The Astrophysical Journal.

Gabriela Canalizo, professora de Física e Astronomia na Universidade de Riverside, disse que, “usando os telescópios Keck no Havai, conseguimos não apenas detetar, mas também medir propriedades específicas dos ventos, como a cinemática, distribuição e fonte de energia, pela primeira vez”.

“Encontramos algumas evidências de que os ventos podem estar a alterar a taxa com que as galáxias são capazes de formar estrelas“, acrescentou citada pelo Tech Explorist.

(dr) Sloan Digital Sky Survey

Galáxias anãs que hospedam núcleos galácticos ativos

Por sua vez, Christina M. Manzano-King, primeira autora do artigo científico, afirmou que “o mais interessante é que estes ventos estão a ser empurrados por buracos negros ativos nas seis galáxias anãs, em vez de serem empurrados por processos estelares, como supernovas”.

“Normalmente, os ventos impulsionados por processos estelares são comuns nas galáxias anãs e constituem o processo dominante para regular a quantidade de gás disponível nessas galáxias para formar estrelas”, explicou.

Quando o vento que emana de um buraco negro é empurrado para fora, comprime o gás à frente do vento, um processo que pode aumentar a formação de estrelas. No entanto, se todo o vento for expulso do centro da galáxia, o gás ficará indisponível e a formação de estrelas poderá diminuir. “Este último processo parece ser o que está a acontecer nas seis galáxias anãs identificadas pelos cientistas”, completa a investigadora.

Nestes seis casos analisados, o vento tem um impacto negativo na formação de estrelas. Modelos teóricos para a formação e evolução de galáxias não incluíram o impacto de buracos negros em galáxias anãs.

“As nossas descobertas mostram que os modelos de formação de galáxias devem incluir buracos negros como fatores importantes, se não dominantes, reguladores da formação de estrelas em galáxias anãs”, rematou Laura V. Sales, professora assistente de Física e Astronomia.

ZAP //

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