Bielorrússia. Polícia admite que disparou armas de fogo contra manifestantes

Amanda Voisard / UN Photo

Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia desde 1994

A Polícia bielorrussa anunciou esta quarta-feira ter disparado com armas de fogo sobre os manifestantes que protestavam na terça-feira contra os resultados das presidenciais no sul do país, tendo admitido que os disparos fizeram um ferido.

Protestos contra a reeleição do Presidente, Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, têm decorrido na capital e em muitas outras cidades do país desde domingo à noite.

Violentamente reprimidos pelas autoridades com recurso a granadas atordoantes e balas de borracha, os protestos já resultaram em milhares de detenções, pelo menos um morto e mais de 250 feridos, segundo números oficiais.

Esta quarta-feira, o Ministério do Interior afirmou que a contestação pós-eleitoral está a “decrescer”, após o terceiro dia de violentos confrontos fortemente reprimidos pela polícia.

“O número de manifestantes foi menor esta noite assim como também se registaram menos manifestações nas várias cidades” do país, disse à France-Presse a porta-voz do Ministério do Interior, Olga Tchemodanova.

Já a polícia bielorrussa disse esta quarta-feira que, na noite de terça-feira, manifestantes “agressivos”, com bastões de metal, atacaram polícias em Brest, no sul do país.

Após disparos de aviso, “que não fizeram parar” os manifestantes, agentes da polícia “tiveram de disparar armas de fogo” para “proteger a sua vida”, segundo a mesma fonte. “Um atacante ficou ferido”, acrescenta a polícia em comunicado.

Também na noite de terça-feira para quarta-feira, em Minsk, de acordo com os jornalistas da AFP, testemunhas e publicações da oposição, as forças policiais atacaram de forma violenta pequenos ajuntamentos para impedir a formação de grandes grupos de pessoas.

Muitos condutores que usavam a buzina dos carros em sinal de protesto foram igualmente interpelados pela polícia de choque.

Na terça-feira, o governo de Minsk indicou que 200 pessoas foram hospitalizadas e que se tinham registado cinco mil detenções durante as manifestações dos dois dias anteriores.

Os manifestantes denunciam a reeleição que consideram fraudulenta do presidente Lukachenko no poder na Bielorrússia há 26 anos.

A candidata da oposição Svetlana Tikhanovskaia reivindicou vitória antes de se refugiar na Lituânia, na noite de segunda-feira.

As ligações através da internet que foram cortadas em todo o país foram restabelecidas nas últimas horas mas as atualizações nos portais de grupos de direitos humanos como a organização não-governamental Viasna ainda não dispõem de posições ou comunicados atualizados.

Entretanto, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, anunciou a realização de uma reunião extraordinária de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia na próxima sexta-feira, para discutir questões “urgentes”, como a situação na Bielorrússia.

Lukashenko arrasta o país “para o abismo”

A escritora Svetlana Alexievitch, a única bielorrussa distinguida com um prémio Nobel, acusou na quarta-feira o Presidente Alexandre Lukashenko de conduzir o seu país para “a guerra civil”, em pleno movimento de contestação violentamente reprimido.

“Sai, antes que seja tarde de mais, antes que leves as pessoas para um abismo terrível, para o abismo de uma guerra civil. Sai.”, disse a autora dirigindo-se a Lukashenko, no poder há 26 anos, numa entrevista à Radio Fere Europe. “Apenas queres o poder e esse desejo revelar-se-á sangrento”, adiantou, acusando o poder bielorrusso de ter desencadeado “uma guerra contra o seu povo”.

O Presidente Lukashenko, 65 anos, classificou os contestatários de “desempregados com um passado criminoso” dirigidos a partir do estrangeiro.

“Vejo como a sociedade se radicaliza, como se comportam os polícias antimotim… Ninguém poderia imaginar isso”, disse ainda Svetlana Alexievitch, criticando a ação “desumana e satânica” das forças de segurança.

Galardoada em 2015 com o prémio Nobel da Literatura, a escritora de 72 anos é autora de livros pungentes sobre Chernobyl, a guerra do Afeganistão e a queda da União Soviética. Crítica contundente do poder de Alexandre Lukashenko, a escritora tinha apelado ao voto na opositora Svetlana Tikhanovskaia, 37 anos, uma antiga professora de inglês que substituiu o marido preso na corrida à presidência.

ZAP // Lusa

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