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Berardo detido por alegada fraude à Caixa Geral de Depósitos

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António Cotrim / Lusa

Esta terça-feira de manhã, Joe Berardo foi detido no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) por burlas em financiamentos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD). 

Joe Berardo foi detido por suspeitas de crimes como burla agravada, fraude fiscal, branqueamento de capitais e administração danosa. Além do empresário, foi também detido o advogado André Luiz Gomes.

“No âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal estão em curso cerca de meia centena de buscas, sendo 20 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três a estabelecimentos bancários e uma a escritório de advogado, tendo ainda sido emitidos dois mandados de detenção”, lê-se em comunicado.

“Estas diligências decorrem em vários locais do país, nomeadamente, em Lisboa, Funchal e Sesimbra”, acrescenta a nota.

A TVI24 avança que a PJ e o Ministério Público levaram a cabo uma megaoperação que visava a detenção, com mandato emitido, do empresário madeirense pela forma como conseguiu obter, em 2006, empréstimos da Caixa Geral de Depósitos, que em 2015 ainda revelavam uma exposição do banco público à Fundação Berardo na ordem dos 268 milhões de euros em créditos mal parados.

Em causa está a forma como montou um esquema de dissipação de património e dinheiro, através de empresas-veículo, para conseguir escapar aos credores.

Segundo a TVI, Berardo deve milhões de euros à CGD e a outros bancos.

Estes créditos ruinosos na CGD – de 350 milhões de euros para compra de ações do BCP, que depois desvalorizaram – terão sido conseguidos através de uma relação privilegiada com o Governo, na altura liderado por José Sócrates.

A estação de Queluz avança ainda que o MP estabelece uma relação entre a concessão desses créditos e o facto de ter sido celebrado com o Governo um acordo para que 862 obras de arte da fundação Berardo fossem expostas no Centro Cultural de Belém.

Joe Berardo será agora interrogado pelo juiz Carlos Alexandre.

A investigação foi iniciada em 2016 e identificou “procedimentos internos em processos de concessão, reestruturação, acompanhamento e recuperação de crédito, contrários às boas práticas bancárias e que podem configurar a prática de crime”.

O comunicado da PJ realça que a operação incidiu “sobretudo num grupo económico, que entre 2006 e 2009, contratou 4 operações de financiamentos com a Caixa Geral de Depósitos, no valor de cerca de 439 milhões de euros”.

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“Este grupo económico tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar”, lê-se.

Além disso, “causou um prejuízo de quase mil milhões de Euros à CGD, ao NB e ao BCP, tendo sido identificados atos passiveis de responsabilidade criminal e de dissipação de património”, adianta ainda, sem identificar o grupo ou as pessoas envolvidas.

  ZAP //

11 Comments

  1. Agora ele que devolva essesil milhões. Ah, já não tem? Onde estão os administradores bonificados pelos resultados? Os verdadeiros responsáveis e os coniventes nestes cambalachos?

  2. Ele que pague o que devolva esses milhões, ou se já não os tem, que fique preso na cadeia, não em casa, até que alguém pague a dívida, filhos, esposa, netos, ou mesmo os administradores que lhe aprovaram o empréstimo desse dinheiro.

  3. Reação de Berardo quando soube das acusações das “alegadas” fraudes:

    AHAHAHAHAHAH !!

    Com esta justiça anedótica que os socialistas continuam a destruir, a reação não podia ser outra !

  4. Não se preocupem , caros concidadãos. Não tarda nada que retirem o juíz Carlos Alexandre do processo e o entreguem a um mais soft boy que o porá em casa ou no hotel com as comodidades a que estes canalhas que enriqueceram à custa dos outros (e não do seu trabalho) estão habituados. E pode levar consigo a comenda que lhe atribuíram (e quem lha atribuiu). Talvez o ajude a lembrar-se dos factos e rir com aquele ar de demente tipo John Malkovich..,

  5. Isto é o chamado “show off” Não tarda nada, e até aposto que dentro de dias está cá fora. Ou então, como vaticina tb o Arlindo Matos, a retirada do juiz Carlos Alexandre.

  6. Só espero que ” alegadamente”, passe do DCIAP directamente para Caxias, por ex !….. Évora seria un luxo demasiado, para este risonho demente mais parecido com Joaquin Phoenix no role de Joker, sem contrariar o SR Arlindo Matos !

  7. Este individuo que não passa de um ladrão com direito a condecoração deveria ser enfiado nas masmorras e não voltar a ver a luz do dia. Já agora deveria levar os que compactuaram com ele e que são muitos.
    Vendam as obras de arte para pagar o que me devem já que dei uma forte contribuição com os meus impostos para estes bandalhos.

  8. Afinal também só foram mil milhões de euros que voaram, este é um chico-esperto bem à portuguesa e os outros? Aqueles que lhe passaram a massa para as mãos, não serão tão responsáveis como ele? Quanto a mim pelo caminho que isto vai mereciam todos mais uma condecoração em homenagem à bandalheira em que o país caiu. Se fosse apenas este o caso!

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