Satélite mostra bases militares russas no Ártico. Nova arma produz “tsunamis radioativos”

Maxar

A Rússia está a construir bases militares na Ártico, ao mesmo tempo tempo que vai testando as suas mais recentes armas. O objetivo é abrir uma rota marítima importante da Ásia para a Europa, numa altura em que a região está cada vez mais despida de gelo.

Uma das principais preocupações dos especialistas em armas e dos oficiais ocidentais é a super-arma russa: o torpedo Poseidon 2M39.

O desenvolvimento da arma está a avançar rapidamente, e o presidente russo, Vladimir Putin, tem solicitado ao ministro da Defesa, Sergei Shoigu, uma atualização constante sobre o “estágio-chave” dos testes.



A arma é movida por um reator nuclear e foi projetada pelos russos para se esgueirar pelas defesas costeiras – tal como as dos EUA – no fundo do mar.

O dispositivo pode causar ondas radioativas tão vastas que tornariam áreas-alvo da costa norte-americana inabitáveis durante décadas.

De recordar que em novembro, Christopher A Ford, então secretário de Estado assistente para Segurança Internacional e Não Proliferação, afirmou que o Poseidon 2M39 foi pensado para “inundar as cidades costeiras dos EUA com tsunamis radioativos“.

Uma questão estratégica

Imagens de satélite fornecidas à CNN pela empresa de tecnologia Maxar detalham uma construção nítida e contínua de bases militares russas e hardware na costa ártica do país, juntamente com instalações de armazenamento subterrâneo para o Poseidon e outras armas de alta tecnologia.

O equipamento militar russo na área do Alto Norte inclui bombardeiros e jatos MiG31BM, e novos sistemas de radar perto da costa do Alasca.

“Há claramente um desafio militar dos russos no Ártico. Isso tem implicações para os Estados Unidos e seus aliados, até porque cria a capacidade de projetar energia até ao Atlântico Norte”, referiu um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA à CNN.

As autoridades americanas expressam preocupação de que as forças possam ser usadas para estabelecer o controlo sobre áreas do Ártico que estão mais distantes e que em pouco tempo estarão livres de gelo.

“O derretimento está a mover-se mais rápido do que os cientistas previram há vários anos”, frisou o alto funcionário do Departamento de Estado, acrescentando que estas mudanças representam “uma transformação dramática nas próximas décadas em termos de acesso físico”.

Neste sentido, as autoridades americanas receiam que Moscovo tente controlar a “Rota do Mar do Norte” (NSR) – uma rota marítima que vai da Noruega ao Alasca, ao longo da costa norte da Rússia, até o Atlântico Norte.

A NSR reduz pela metade o tempo que os navios demoram para chegar à Europa vindos da Ásia através do Canal de Suez.

Elizabeth Buchanan, professora de Estudos Estratégicos na Deakin University, na Austrália, sublinha que “a geografia básica dá à Rússia a NSR, que está cada vez com menos gelo, tornando-a comercialmente viável para o uso como artéria de transporte. Isso ainda pode transformar o transporte marítimo global, e com ele os movimentos de mais de 90% das mercadorias globais”.

Por outro lado, o funcionário do Departamento de Estado dos EUA acredita que os russos estão mais interessados ​​em exportar hidrocarbonetos – essenciais para a economia do país – ao longo da rota.

Rússia insiste em motivações pacíficas e económicas

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia recusou comentar a divulgação das imagens de satélite, mas há muito tempo que Moscovo tem vindo a frisar que as suas metas no Ártico são económicas e pacíficas.

Um documento de março de 2020 apresentou os principais objetivos da Rússia numa área responsável por 20% das suas exportações e 10% de seu PIB. Segundo o relatório, a estratégia concentra-se em garantir a integridade territorial da Rússia e a paz regional.

Também expressa a necessidade de garantir os altos padrões de vida e o crescimento económico na região, bem como desenvolver uma base de recursos.

Em novembro, durante a inauguração de um novo navio quebra-gelo em São Petersburgo, Vladimir Putin frisou que “é sabido que temos uma frota única que detém uma posição de liderança no desenvolvimento e estudo dos territórios árticos. Devemos reafirmar essa superioridade constantemente, todos os dias”.

Relativamente às armas, os planos para o Poseidon 2M39 foram revelados numa apresentação de um documento que discutia as suas capacidades em 2015.

Posteriormente, esta foi parcialmente rejeitada por analistas como uma arma de “tigre de papel”, destinada a aterrorizar com os seus poderes destrutivos apocalípticos que parecem escapar dos requisitos do tratado atual, mas não para serem implantados com sucesso.

No entanto, uma série de desenvolvimentos no Ártico leva agora analistas a considerar o projeto real e ativo.

Ana Isabel Moura Ana Isabel Moura, ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. As autoridades norte-americanas expressam preocupação, mas não se preocupam com o verdadeiro assédio às fronteiras russas, onde instalam nas suas imediações baterias de
    mísseis e efectivos militares.

    • Pois é, nem os russos enchem as ditas fronteiras com armas de topo e nem ocupam territórios dos vizinhos, como nem guardam uma frota de 55.000 blindados para caçar gambuzinos de certeza, melhoraram a frota de submarinos ou fizeram pesquisa sobre mísseis, nomeadamente os de hipervelocidade com um poder devastador, enquanto que no Ocidente, ninguém estava até à pouco tempo a pensar em tal coisa! São uns santinhos estes russos! Só vemos e lemos noticias de expansionismo de russos e chineses em pleno século XXI. Ainda bem que deste “lado” alguém tem capacidade para se impor a esses canalhas imperialistas fora de prazo como são os russos e chineses!

      • Crimeia, Ossétia do Sul, Abecásia… Não se impõem assim tanto!… Mas, enfim, sempre mantêm o equilíbrio no mundo, senão, não duvido muito que esses dois regimes totalitários já tivessem estendido as garras até ao Ocidente.

  2. Sempre a velha questão, corrida às armas e sempre a ver qual consegue ir mais além, o medo poderá ser um fator determinante para que nunca sejam usadas, no entanto, um louco poderá pôr tudo a perder e então aí será certamente o fim da macacada para toda a humanidade!

  3. É questionavel apontar o dedo para alguem nesta macabra corrida armamentista. Cada um esta fazendo o que tem vantafem comparativa. Um se acha que deve estar em frente de tudo sob pretexto de apoiar aliados. Outro diz que vai se defender de garras e unhas dentro dos seus limites com toda força que puder. Se ñ pode estar em todo lado estará onde puder mas devem saber que estou pronto para o que der e vier. Se o Ocidente não tomasse politicas expansionista das suas culturas, ideologias e modelos de desenvolvimento econômico talves ñ estariamos vivendo esta angústia belecista. Quando o diálogo é substituído pela imposição tem que esperar uma revolta.

  4. E a Europa confinada a preocupar-se com movimentos lgbt, Joacines e mamadus.
    Tão fofinhos que os europeuzinhos são.
    N’Ámérica o Biden vai fazer das forças armadas um arsenal de misseis transsexuais.
    Categoria ocidental progressista de luxo.
    Daqui a uns meses vamos todos andar á bulha por uma malga de arroz carolino…

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