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E se os barcos que limpam o lixo dos oceanos se alimentassem desse mesmo lixo?

Um projeto de investigadores ingleses, o Ocean Cleanup Project, sugere avança com a possibilidade de os barcos usados na recolha de lixo oceânico serem também usados para transformar esse mesmo lixo em combustível para os alimentar.

Se é verdade que o lixo que atualmente vive nos oceanos é o reflexo dos comportamentos humanos, a maneira como este será eliminado também poderá ser o reflexo desses mesmos comportamentos, mas sobretudo do avanço que o Homem tem vindo a fazer ao nível tecnológico. Um novo projeto científico, por exemplo, avançou com a possibilidade de os barcos que percorrem os oceanos na tentativa de apanhar o referido lixo podem, na verdade, alimentar-se dele, ou seja, utilizá-lo como fonte de energia, o que pouparia muitas das viagens à costa.

Estas embarcações, numa primeira fase, ficavam simplesmente à tona, tirando partido da força das correntes marinhas que traziam até elas o lixo, no entanto, as últimas versões já se alimentam de combustíveis para funcionarem como autênticas rebocadoras para empurrarem as barreiras de lixo. Essas operações podem decorrer ao longo de vários quilómetros até à costa mais próxima, dando origem a mais emissões de dióxido de carbono e invertendo o propósito para o qual aqueles barcos foram inicialmente criados.

A ideia de transformar o lixo em energia tem vindo a ser explorada há algum tempo, com alguns projetos interessantes a surgirem. No caso específico deste projeto, o objetivo era provar que o lixo poderia ser usado da mesma forma que os combustíveis fósseis no que respeita à alimentação de transportes, com a transformação a acontecer nesses mesmo transportes através de reatores móveis, em vez das tradicionais fábricas de grandes dimensões.

A última grande investigação sobre o tema integrou cientistas, por exemplo, da Universidade de Harvard, que se centraram na liquefação hidrotérmica, uma técnica que pressupõe o aquecimento do plástico a temperaturas entre os 300º e os 550ºC e sujeitá-los a pressões cerca de 250 a 300 vezes superiores às registadas ao nível da água do mar. Isto faz com que o material se reduza a óleos que podem atuar como “diesel azul“, isto é, um combustível que, segundo os especialistas, tem uma densidade energética similar ao diesel marítimo.

Para testar a fiabilidade do modelo de transformação criado pelos cientistas, foram usadas como referência as barreiras colocadas a 25km de distância da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, que os cientistas afirma ter uma ótima eficiência no que respeita ao recolher de lixo. À medida que as embarcações a atravessavam, o lixo recolhido estava a ser transportado para um processador através de um tapete rolante. Antes de chegar ao seu destino, ao lixo seriam removidas as suas impurezas e sais para que, posteriormente, não constituíssem um entrave à transformação. Desta forma, a inovação apresentada pelo novo projeto configura uma nova vantagem face aos métodos anteriores, os quais tinham trabalhadores a depositar manualmente o lixo em sacos.

De acordo com os investigadores, e no melhor dos cenários, este método conseguiria originar não só combustível suficiente para alimentar as embarcações e a liquefação hidrotérmica, mas também gerar um excedente de 480%, o qual poderá ser armazenado a bordo e usado nas viagens de regresso à costa.

Apesar do cenário azul traçado pelos investigadores, eles também notam que o consumo do “diesel azul” também resultará em emissões de gases com efeito de estufa, apesar de estimarem que num período de 10 anos isto representaria 0,02% do chamado orçamento global de carbono.

  ZAP //

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