A beleza física pode influenciar o sistema imunitário. Quanto mais atraente, mais saudável

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Um novo estudo encontrou provas que ligam a atratividade física, principalmente facial, ao funcionamento do sistema imunitário.

Segundo a Science Alert, embora ainda haja várias perguntas por responder, os investigadores sugerem que as suas descobertas mostram “que é provável que exista uma relação entre a atratividade facial e a função imunitária”.

A verdade por detrás da beleza é algo que os cientistas têm vindo a debater desde a descoberta da evolução.

Serão os padrões sociais de atratividade de alguma forma afetados pela seleção sexual, ou estará a beleza verdadeiramente nos olhos de quem a vê?

A resposta não é tão simples como escolher um lado ou o outro. Nem mesmo o próprio Charles Darwin, autor da famosa teoria da evolução das espécies por seleção natural, achava que a beleza era um sinal de melhor saúde ou de bons genes.

Constantes universais do que todos nós podemos considerar atraente têm sido uma fonte constante de debate, com pouco consenso sobre o que poderiam ser, quanto mais se existem na verdade.

No entanto, ao longo da história, todos os tipos de culturas têm considerado certas características físicas como atraentes, ignorando outras ao mesmo tempo.

Embora a noção da existência de um padrão objetivo de beleza continue a ser controversa, alguns investigadores propõem que as características faciais consideradas atraentes possam ser, na realidade, marcadores de uma boa saúde, e que a nossa atração por elas potencie a sobrevivência da nossa descendência.

É uma ideia intrigante em teoria, mas faltam-lhe provas. Neste contexto, os autores do novo estudo afirmam que a sua investigação é a mais rigorosa sobre o tema até à data.

O estudo incluiu 159 jovens adultos, cujas fotografias foram classificadas como atraentes por 492 pessoas, através de inquéritos.

Após as fotografias dos participantes terem sido tiradas, cada indivíduo fez também uma série de testes para avaliar o estado do seu sistema imunitário, o nível de inflamação no seu corpo e a sua saúde.

Ao analisar os resultados, os autores constataram que as pessoas cujos rostos eram vistos como atraentes tinham uma função imunitária relativamente mais saudável, especialmente no que diz respeito à imunidade bacteriana.

No entanto, não houve qualquer ligação entre inflamação mais elevada e atratividade dos participantes. Isto poderia sugerir que a atratividade facial está mais interligada com um bom sistema imunitário do que com sinais de doença grave.

A atratividade facial pode ter menos a ver com evitar um companheiro doente do que com evitar um companheiro que pode ter impacto na saúde dos futuros descendentes — pelo menos hipoteticamente falando.

O estudo também revelou algumas diferenças entre os sexos. Os homens, por exemplo, eram mais suscetíveis de serem considerados atraentes se as suas células natural killer (NK) tivessem um bom funcionamento. Estas células são cruciais para limpar o corpo de infeções virais.

As mulheres, por outro lado, foram consideradas mais atraentes quando mostraram um crescimento mais lento de uma bactéria específica no seu plasma, que está ligada aos níveis sanguíneos de minerais, glucose e anticorpos.

Os resultados sugerem que a atratividade facial pode estar ligada a fatores imunitários que podem ser transmitidos em genes, mas isso não significa que não existam fatores culturais que também afetem as perceções individuais da beleza. A forma como cada um pesa no cálculo não é clara.

“Também é possível que as ligações entre atratividade e saúde possam ser obscurecidas nos humanos modernos, dado que as preferências dos companheiros humanos foram forjadas antes do advento da medicina moderna“, sugerem os autores do estudo.

“Ou seja, embora a atratividade possa influenciado tanto a saúde como a função imunológica nas populações ancestrais, as ligações com a saúde podem já não ocorrer, uma vez que a medicina moderna permite que aqueles com baixa imunocompetência permaneçam com uma saúde relativamente boa“, acrescentam.

Em última análise, um estudo não é suficiente para determinar porque existe a estética humana, e que objetivo evolutivo, se é que algum, poderia estar relacionado com a beleza facial.

Será necessária mais investigação e, se for possível, explorar o que está a impulsionar a associação entre atratividade física e função imunológica. Até lá, a beleza continuará a ser um enigma.

  Alice Carqueja, ZAP //

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