Astrónomos perto de encontrar planeta rico em água como a Terra

NASA Ames / JPL-Caltech

Exoplaneta Kepler-62f com a estrela 62e

Exoplaneta Kepler-62f com a estrela 62e

Os astrónomos estão mais perto de encontrar um planeta rico em água, como a Terra, depois de testarem uma nova tecnologia que detecta breves mudanças na luz das estrelas, revelou o Science World Report.

Com recurso a um espetrógrafo ultrassensível, investigadores financiados pela União Europeia (UE) conseguiram pela primeira vez identificar um planeta rochoso, rico em ferro, a milhares de milhões de quilómetros de distância, um passo considerado crítico na busca de uma terra distante.

O novo aparelho, chamado HARPS-N, tem uma precisão de nano escala e funciona em vácuo, a temperaturas estáveis a um milésimo de grau.

Os investigadores do projeto ETAEARTH, coordenado por Alessandro Sozzetti, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF), treinaram-no com a Kepler-78, uma estrela a 400 anos-luz de distância, na constelação Cygnus, para capturarem as pequenas flutuações de luz causadas pelo planeta Kepler-78b.

O Kepler-78b foi detetado pela primeira vez em 2013 pela sonda Kepler, que examina o céu noturno em busca de movimentos planetários que periodicamente reduzem a luminosidade de estrelas distantes. As hipóteses de um planeta atravessar a sua linha de visão são de 200 para um, mas o Kepler conseguiu aumentar as probabilidades ao vigiar cerca de 150 mil estrelas.

O Kepler-78b, um planeta que é apenas 20% maior do que a Terra, orbita à enorme velocidade de três rotações por dia. Foi graças a esta órbita apertada que os investigadores da ETAEARTH conseguiram identificar a sua massa e a sua densidade, propriedades difíceis de medir em planetas extrassolares do tamanho da Terra, mas fundamentais para se perceber a sua composição.

Os astrónomos determinam a massa dos planetas distantes, investigando como a sua força gravitacional faz a sua estrela oscilar.

David A. Aguilar / cfa.harvard.

Kepler78b: exoplaneta semelhante à terra

Kepler78b: exoplaneta semelhante à terra

“Quando uma estrela oscila na direção oposta à da Terra, a sua cor torna-se ligeiramente mais vermelha. Quando oscila na nossa direção, muda para o azulado”, disse Lars Buchhave, astrónomo no Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian em Massachusetts, EUA, que ajudou a calcular a massa do Kepler-78b.

Este fenómeno, chamado efeito Doppler, é usado para medir coisas como a velocidade de um objeto com radar e é uma ferramenta na imagiologia médica.

O espetrógrafo HARPS-N foi montado no telescópio TNG e apontado à Kepler-78 durante 80 noites.

“Foi um grande desafio alcançar esta elevada exatidão, mas no final conseguimos. Sabemos hoje que o Kepler-78b tem apenas 60% mais massa do que a Terra”, acrescentou.

A oscilação Doppler da estrela do Kepler-78b revela que a densidade do planeta é semelhante à da Terra, o que sugere que também ele é composto de rocha e ferro.

Para os cientistas, o simples facto de o Kepler-78b existir significa que a Terra não é única. No entanto, isto não quer dizer que o Kepler-78b seja um planeta que os humanos queiram visitar.

A proximidade do Kepler-78b em relação à sua estrela significa temperaturas tão altas que derretem a rocha na superfície e removem qualquer atmosfera.

Para um planeta poder ter vida, os cientistas acreditam que ele deve situar-se na chamada zona habitável – uma distância precisa relativamente a uma estrela onde a temperatura é a necessária para que a água exista em estado líquido.

Isso significa que a oscilação Doppler da estrela terá de ser muito mais fraca do que a que é provocada pela órbita apertada do Kepler-78b.

O maior problema para os ‘caçadores de planetas’ na busca dessa oscilação é eliminar os efeitos da atividade na superfície da estrela.

“Se conseguirmos resolver esse problema, estaremos numa posição muito melhor para detetar planetas com a massa da Terra a orbitar zonas habitáveis de estrelas do tipo do Sol”, disse Andrew Cameron, que dirige a Escola de Física e Astronomia da Universidade de Saint Andrews no Reino Unido.

Os cientistas estimam que a melhor hipótese de encontrar um planeta parecido com a Terra é focarem-se em estrelas mais pequenas, chamadas estrelas-anãs, em que a zona habitável é mais próxima da estrela, aumentando o efeito Doppler.

“Poderá levar outros dez anos a encontrar um planeta com condições como a Terra e talvez séculos a alcançá-lo”, disse Molinari. “Mas mesmo que só vejamos os primeiros passos desta grande viagem, alguém tem de começá-la”.

/Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Afinal, Vénus pode não ser tão semelhante à Terra como pensávamos

Uma nova investigação questiona a habitabilidade de Vénus, planeta que os cientistas consideram há pouco tempo numa outra investigação poder ter um clima habitável semelhante ao da Terra. De acordo com a nova investigação, cujos …

Há gelo no polo sul da Lua e pode ter muitas fontes

Um novo estudo sugere que o gelo encontrado na superfície lunar pode ter milhares de milhões de anos, além de ter surgido de diferentes fontes. O estudo, publicado recentemente na Icarus, sugere que a maioria do …

A Evolução mostra que podemos ser a única forma de vida inteligente no Universo

As reduzidas probabilidades que acompanham a nossa evolução ao longo da história podem ser uma pista que talvez sejamos a única forma de vida inteligente no Universo. Será que estamos sozinhos no Universo? Tudo se resume …

A China está a usar a educação como arma para controlar o Tibete

A China quer obrigar crianças tibetanas a abandonarem as escolas da região e mudarem-se para escolas chinesas. O objetivo, segundo uma especialista, é "tirar o tibetano da criança". A batalha geopolítica entre a China e o …

Revelada explosão violenta no coração de um sistema que alberga um buraco negro

Uma equipa de astrónomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou câmaras de última geração para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um …

"É altura de dizer basta". Sporting corta com as claques

O Sporting rescindiu “com efeitos imediatos” os protocolos que celebrou em 31 de julho com a Associação Juventude Leonina e com o Diretivo Ultras XXI – Associação, anunciou hoje o clube, devido à “escalada de …

Poluição atmosférica associada a abortos espontâneos

Elevados níveis de poluição atmosférica foram associados a abortos espontâneos num estudo feito com mulheres grávidas a viver e trabalhar em Beijing, na China. A China é um dos países que mais sofre com a poluição …

Empresas espanholas dominam obras públicas na ferrovia

As empresas espanholas dominam as obras públicas na ferrovia em Portugal, ascendendo a sua quota a 70%, avança o Expresso na sua edição deste sábado. Para presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras …

Cada vez mais mulheres denunciam abusos médicos durante o parto

Um número crescente de mulheres tem vindo a denunciar casos de abuso durante o trabalho de parto. No entanto, pouco está a ser feito para mudar isto. Durante o parto, as mulheres ficam numa posição vulnerável …

Já podemos explorar "Melckmeyd", naufrágio holandês do século XVII

Nas profundezas do Oceano Atlântico, perto da costa da Islândia, encontram-se os destroços de um navio holandês que afundou há 360 anos, no qual agora podemos "mergulhar" graças a uma experiência de realidade virtual. Quando a …