As sombras da Lua podem ter micróbios nossos. Pode ser perigoso

NASA

A área montanhosa a oeste da Cratera Nobile e as crateras mais pequenas que cobrem a sua borda no Polo Sul lunar.

As crateras escuras da Lua podem albergar micróbios, e isso pode ser um problema à medida que a exploração humana se intensifica.

Um novo estudo apresentado na 56ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária concentra-se nas regiões permanentemente sombreadas da Lua (PSRs), áreas que se encontram em crateras perto dos pólos lunares e que permaneceram em completa escuridão durante potencialmente milhares de milhões de anos devido à ligeira inclinação axial da Lua de apenas 1,5 graus.

Cientistas da Universidade de York, no Canadá, sugerem que estes ambientes gelados e escuros podem preservar a vida microbiana durante longos períodos.

A investigação focou-se nas crateras Shackleton e Faustini — ambas alvos chave para as próximas missões Artemis da NASA. O objetivo era avaliar se o frio extremo e a falta de radiação ultravioleta nestas crateras poderiam permitir a sobrevivência de micróbios, especialmente os que são trazidos acidentalmente da Terra através de naves espaciais.

“No espaço, os micróbios são normalmente destruídos pelo calor e pela luz UV”, explicou o autor do estudo, “mas as PSRs são muito frias e escuras, o que oferece uma proteção que pode manter os esporos microbianos viáveis durante décadas — mesmo que não possam crescer ou replicar-se ativamente.” Embora estes organismos não estejam ativos, as suas estruturas celulares e moléculas orgânicas podem permanecer intactas durante muito mais tempo.

Isto tem duas implicações, explica o Universe Today. Em primeiro lugar, a investigação ajuda os cientistas a compreender onde poderá existir ou sobreviver vida para além da Terra. Em segundo, levanta preocupações sobre a contaminação de ambientes lunares imaculados, especialmente à medida que a exploração humana se intensifica. Ao contrário das missões robóticas, que podem ser cuidadosamente esterilizadas, os exploradores humanos são muito mais difíceis de descontaminar — e transportam, inevitavelmente, vida microbiana consigo.

O risco não é só teórico. Missões como a LCROSS de 2009 da NASA, que embateu na cratera PSR Cabeus, perto do pólo sul da Lua, podem já ter levado micróbios terrestres para estas regiões abrigadas. Embora as hipóteses de sobrevivência microbiana após estes impactos a alta velocidade sejam baixas, estudos sugerem que um pequeno número de esporos pode sobreviver em condições específicas.

O Dr. Moores sublinha que o objetivo não é apenas a proteção planetária, mas também a preservação destas regiões para futuras investigações científicas. A contaminação poderia comprometer a investigação, como a análise do gelo de água para obter pistas sobre a história da Lua e a origem das moléculas orgânicas no Sistema Solar.

ZAP //

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