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Antiga civilização foi controlada por algo inesperado: poeira

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(CC0/PD) LoggaWiggler / Pixabay

Um novo estudo mostra que a existência de uma antiga civilização humana numa região fértil a leste do Mediterrâneo dependia quase inteiramente de algo inesperado: poeira.

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Quando os primeiros humanos começaram a sair de África e a espalhar-se para a Eurásia há mais de 100 mil anos, uma região fértil ao redor do Mar Mediterrâneo oriental chamada Levante serviu como um ponto crítico entre o norte da África e a Eurásia.

No entanto, se a fonte de poeira na área não tivesse mudado há 200 mil, os primeiros humanos teriam tido mais dificuldade em deixar o continente africano.

Da mesma forma, os especialistas consideram que a presença de solos espessos no Levante, que tendem a formar-se em climas húmidos, facilitou a instalação dos primeiros humanos na região, ao contrário dos solos finos que se formam em ambientes áridos com taxas de intemperismo (decomposição de minerais e rochas) inferior.

No entanto, em torno do Mediterrâneo ocorre o oposto. As regiões mais húmidas do norte apresentam solos finos e improdutivos, enquanto as regiões mais áridas do sudeste apresentam solos espessos e produtivos.

Até agora, estes padrões foram atribuídos a diferenças nas taxas de erosão impulsionadas pela atividade humana. No entanto, Rivka Amit, do Serviço Geológico de Israel, e a sua equipa sentiram que esta não era razão suficiente.

Depois de analisar amostras de poeira dos solos da região, os especialistas concluíram que a entrada de poeira provavelmente desempenhou um papel determinante nas taxas de intemperismo, quando eram demasiado lentas para formar solos de rocha.

Geólogos identificaram que os solos finos tinham um tamanho de grão de poeira mais fino de desertos distantes como o Saara, em oposição aos solos produtivos, que tinham uma poeira grossa chamada loesse, proveniente do deserto de Negev e do seu enorme campos de dunas.

Amit considera que a erosão no local não é tão relevante. “O importante é se se obtém um influxo de frações grosseiras [de poeira]. [Sem isso], obtém-se solos finos e improdutivos”, disse, em comunicado, acrescentando que, naquela época, “todo o planeta era muito mais empoeirado”.

Por fim, os cientistas ficaram surpreendidos ao encontrar solos muito finos sob o loesse identificado no Levante, também conhecido como “terra do leite e do mel” devido à sua produtividade.

“Sem a mudança dos ventos e a formação do campo de dunas do Negev, a área fértil que serviu de passagem para os primeiros humanos poderia ter sido muito difícil de atravessar e sobreviver”, pois teria sido um ambiente hostil, concluiu Amit.

Este estudo foi publicado na revista científica Geology.

  ZAP //

1 Comment

  1. Loess é encontra numa faixa delimitada desde Europa até China e é vermelha, provavelmente deixada atrás pela planeta Theia ou roubada a Marte

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