A Terra passou 500 milhões de anos a criar e a comer continentes mortos

Tim Bertelink / Wikimedia

Impressão de artista mostra como a superfície da Terra poderia ter sido durante o Hadean

Um novo estudo revela que, quando a Terra era ainda muito jovem, deu origem a muitos continentes. Depois, engoliu-os, deixando para trás alguns vestígios.

Uma equipa de cientistas da Universidade Monash, na Austrália, descobriu que os continentes eram fracos e sujeitos à destruição na sua infância, uma descoberta que permitiu aos cientistas lançarem novas luzes sobre o início da história do nosso planeta.

De acordo com o Live Science, a investigação mostra que os primeiros continentes “morriam” muito jovens, abrindo caminho a continentes mais sólidos que, eventualmente, levaram ao surgimento das placas tectónicas.



“Os nossos resultados explicam que os continentes permaneceram fracos e sujeitos à destruição durante a sua infância, de 4,5 a [aproximadamente] quatro mil milhões de anos atrás. Progressivamente, diferenciaram-se e tornaram-se rígidos ao longo do próximo milhar de milhão de anos para formar o núcleo dos continentes modernos”, explicou Fabio Capitanio, principal autor do estudo.

Os continentes têm sido mais ou menos estáveis durante centenas de milhões de anos. No entanto, a história inicial da Terra, que cobre o seu primeiro 1,5 milhar de milhão de anos, permanece quase desconhecida.

“Esta foi a época da formação dos primeiros continentes, o surgimento do terreno, o desenvolvimento da atmosfera primitiva e o surgimento da vida primordial, todos resultado da dinâmica do interior do nosso planeta. A libertação de calor primordial interno, três a quatro vezes maior do que a atual, causou grande derretimento no manto raso, que foi expulso como magma [rocha derretida] para a superfície da Terra”, explicou Capitanio.

Segundo a equipa, o manto raso deixado por esse processo ficou desidratado e rígido e formou as quilhas dos primeiros continentes, fracos e sujeitos à destruição durante a sua infância.

“O registo geológico sugere que os primeiros continentes não sobreviveram e foram reciclados no interior do planeta, mas essa tendência inverteu-se dramaticamente há aproximadamente quatro mil milhões de anos, quando o pedaço mais duradouro dos continentes, os cratões, apareceu”, acrescentou Capitanio ao Live Science.

O estudo, publicado no dia 2 de dezembro na Nature, explica ainda os enigmáticos graus de derretimento e as estruturas em camadas observadas na maioria dos cratões na Terra e lança luzes sobre a formação dos supercontinentes e sobre a sua fragmentação nos continentes atuais.

ZAP //

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