Médicos transplantam pela primeira vez um pulmão de porco num humano

He et al.

Os médicos da Universidade de Medicina de Guangzhou concluíram o primeiro transplante pulmonar de porco para um humano.

Foi feito na China o primeiro transplante de pulmão de porco para humano, numa pessoa em morte cerebral, para testar como o sistema imunitário do hospedeiro lidava com o procedimento.

Experiências semelhantes envolvendo pacientes em morte cerebral já tinham sido feitas, mas com um pulmão foi a primeira vez.

A experiência, descrita num estudo publicado esta segunda-feira na Nature Medicine, envolveu um homem de 39 anos em morte cerebral, num procedimento conhecido como xenotransplante pulmonar.

“O xenotransplante pulmonar apresenta desafios biológicos e técnicos únicos em comparação com outros órgãos.”, disse um dos autores do estudo Jiang Shi, da Universidade de Mecidina de Guangzhou, em declarações ao STAT.

O objetivo do estudo foi investigar como o sistema imunitário humano reagiria a tal transplante; e os investigadores assumiram: a técnica ainda não está apta para aplicar em pacientes vivos.

O pulmão de porco “manteve viabilidade e funcionalidade” durante nove dias. No entanto, demostrou sinais de rejeição logo 24 horas após o procedimento.

A experiência terminou no nono dia a pedido da família do paciente. Pelo relatório, não é claro quanto mais tempo o pulmão poderia ter durado se tivesse sido deixado mais tempo, mas o órgão já tinha acumulado danos.

Como detalha a Live Science, a experiência envolveu um pulmão de um porco que tinha sido geneticamente modificado usando a tecnologia de edição genética CRISPR.

Três dos genes do porco foram desativados para que as proteínas para as quais eles codificam não ativassem o sistema imunitário humano; três genes humanos foram também adicionados numa tentativa de tornar o órgão mais tolerável para um corpo humano.

Em maio de 2024, a equipa removeu o pulmão esquerdo do porco e transplantou-o para o paciente em morte cerebral, que reteve o seu pulmão direito.

O sistema imunitário gerou anticorpos contra o órgão até ao terceiro dia após a operação, resultando em alguns danos no pulmão.

Os investigadores referem que os pulmões apresentam desafios enormes porque, dado que estão constantemente expostos ao ar do exterior do corpo, transportam muitas proteínas destinadas à defesa imunitária — o que paradoxalmente os torna um alvo fácil para o sistema imunitário do hospedeiro os reconhecer como “estranhos”. Além disso, o seu tecido que troca oxigénio e dióxido de carbono é muito delicado, significando que quaisquer ataques imunitários lançados contra eles têm grande impacto.

Apesar de terem reconhecido que a técnica ainda não está a 100%, os autores do estudo referem que estão a “refinar a abordagem do xenotransplante pulmonar”, para de aproximarem da tradução clínica.

“Esta experiência fornece perceções cruciais sobre as barreiras imunitárias, fisiológicas e genéticas que devem ser superadas, e abre caminho para mais inovações na área.”, enaltecem, citados pela Live Science.

ZAP //

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