Bernie Sanders revela Apocalipse IA que preocupa os especialistas

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Gage Skidmore / Flickr

O senador democrata Bernie Sanders

O senador norte-americano Bernie Sanders alerta para o potencial que a Inteligência Artificial tem de aumentar as desigualdades económicas, realçando que, sem as salvaguardas adequadas, a tecnologia beneficiará principalmente os que já são muito ricos — enquanto deixa os trabalhadores para trás.

Numa entrevista recente ao Gizmodo, o senador democrata Bernie Sanders expressou profundas preocupações de que os ganhos de produtividade da IA irão acabar por espelhar os últimos 50 anos de avanço tecnológico.

Neste último meio século, diz Sanders, as grandes corporações capturaram quase todos os benefícios enquanto os salários reais dos trabalhadores estagnaram ou mesmo diminuíram.

“A tecnologia e a IA não são nem boas nem más. Depende de como são usadas e depende de quem beneficia delas”, realça o senador da ala mais à esquerda do Partido Democrata.

Sanders defende uma mudança fundamental na forma como os ganhos de produtividade da IA são distribuídos. A sua proposta principal envolve implementar uma semana de trabalho de 32 horas sem perda de salário à medida que a IA aumenta a produtividade dos trabalhadores.

“Se a produtividade dos trabalhadores aumenta com a Inteligência Artificial, quero que os benefícios da IA sejam para os trabalhadores“, afirmou Sanders, que sustenta que os sindicatos deveriam negociar tais proteções.

Na entrevista, Sanders revela que falou recentemente com um especialista em IA que partilha as suas preocupações sobre a trajetória desta tecnologia emergente.

O especialista alerta para potenciais “perdas massivas de emprego” e acredita que esta revolução pode ser mais disruptiva do que a Revolução Industrial, ao contrário de analistas mais otimistas, que argumentam que novos empregos substituirão os perdidos.

Para além das preocupações económicas, Sanders destacou os potenciais impactos da IA na saúde mental, devido ao aumento do isolamento humano à medida que as pessoas interagem mais com chatbots e sistemas de IA em vez de outros humanos.

Se passas o teu dia inteiro a interagir com um chatbot em vez de falar com amigos ou família, o que te acontece?”, interroga-se Sanders.

Mas o que mais alarma Bernie Sanders é o que o senador do Vermont chama de “cenário do fim do mundo“, o famoso Apocalipse da IA – a possibilidade de os humanos poderem perder completamente o controlo da tecnologia.

Sanders revela que “pessoas muito, muito bem informadas” na indústria estão preocupadas com a possibilidade de que a Inteligência Artificial possa vir no futuro a dominar a sociedade em vez de a servir.

O senador vê atualmente a IA como mais ameaçadora do que benéfica para o trabalho, comparando-a às políticas comerciais prejudiciais dos anos 70, e prevê que os empregadores usem a IA como um trunfo contra os trabalhadores: “aceitem um corte no salário ou substituímos-vos por máquinas.”

Sanders apela à mobilização do movimento sindical, que considera que deve “ser militante na defesa contra os perigos da IA oara os direitos dos trabalhadores”, e acredita que são as pessoas comuns, não a ganância dos bilionários, que devem controlar a direção futura da tecnologia.

Apesar das suas preocupações sobre a IA no que considera serem ameaças mais amplas à democracia mundial, Sanders mantém a esperança de que a tecnologia possa ajudar a eliminar a pobreza e melhorar os padrões de vida – se adequadamente regulamentada e distribuída.

O desafio principal reside em garantir que a IA serve a humanidade — em vez de concentrar riqueza entre as elites tecnológicas, conclui Sanders.

ZAP //

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