O casal arrisca ser despejado por ser fiador da filha, que escondia uma dívida de 250 mil euros, e está agora a angariar fundos para não perder a casa.
Rosa e Aristides Santos, um casal de idosos de 71 e 74 anos, estão a enfrentar uma ordem de despejo após a trágica morte da filha Rute e da neta Maria. Ambas foram assassinadas pelo companheiro de Rute, José Januário, que cometeu suicídio logo após o crime.
Rute, de 45 anos, tinha contraído um empréstimo para a compra de um imóvel, com os pais como fiadores. No entanto, sem que a família soubesse, acumulou uma dívida de 250 mil euros. Após a sua morte, o banco ficou com o imóvel e decidiu colocar a casa dos pais à venda para cobrir o montante em falta.
Diante do risco de os pais perderem a casa, o outro filho do casal, Nélson Santos, iniciou uma campanha de angariação de fundos para readquirir a habitação. A angariação de fundos, realizada online e através de eventos locais, já arrecadou 28 mil euros. Esta segunda-feira, Nélson assinou o contrato-promessa de compra e venda da casa dos pais, garantindo um prazo de quatro meses para liquidar os restantes 148 500 euros, avança o JN.
A luta de Nélson tem dado frutos graças ao apoio da comunidade. “O meu pai foi porteiro e a minha mãe foi contínua numa escola, conhecendo várias gerações de crianças, que hoje são adultos e nos têm ajudado”, explica.
O duplo homicídio ocorreu a 30 de janeiro, em Almoinha, Sesimbra. José Januário, de 43 anos, que namorava com Rute há 14 anos, assassinou a companheira e a enteada Maria, de 17 anos, antes de se suicidar. Segundo relatos, José passou por uma mudança de comportamento nos últimos anos, recusando tratamento médico e apresentando sinais de instabilidade emocional. O crime foi motivado por uma discussão sobre jogos online entre ele e Maria.
A tragédia também afetou a pequena Constança, de 16 meses, filha de Rute, que foi resgatada com vida e ficou sob os cuidados dos avós paternos.