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Fissura na nave Soyuz: Rússia suspeita de sabotagem

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NASA

Cápsula russa Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional

Na noite de 30 de agosto, a Estação Espacial Internacional registou uma diminuição na pressão interior causada por uma fissura no casco da nave espacial Soyuz MS-09. Depois de descartada a hipótese de impacto de um micro-meteorito, a Roscosmos, Agência Espacial Russa, suspeita de sabotagem.

“Consideramos todas as teorias, mas a hipótese do impacto de um meteorito foi rejeitada porque o casco da nave foi atingido a partir de dentro. Apesar de ser ainda cedo para tirar conclusões, tudo indica que a fissura foi criada por uma mão hesitante…é um erro tecnológico de um especialista”, afirmou o diretor geral da Roscosmos, Dmitry Rogozin., citado pela Gizmodo.

“Foi feito por uma mão humana – há vestígios do deslize de uma broca na superfície”, acrescentou o responsável, em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira.

Devido às reduzidas dimensões da fissura, cerca de 2 milímetros, nenhum dos 6 astronautas esteve em perigo de vida e a Estação Espacial está agora estável após a reparação da fissura com uma fita isoladora e a aplicação de um selante especial.

Rogozin disse ainda ser uma “questão de honra” para a construtora do módulo Soyuz, a Energia Rocket and Space Corporation (RSC Energia), “encontrar o responsável” e averiguar se houve ou não uma “ação deliberada” em terra ou no espaço.

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O orifício na nave Soyuz MS-09 antes de ter sido reparado com o selante especial

Fonte da indústria espacial contou à RIA Novosti, agência de noticias internacional Russa,  que provavelmente terá sido um trabalhador da RSC Energia a criar a fissura no módulo da nave e a selar o estrago com uma cola especial, razão pela qual a nave terá passado nos testes de pressurização. Depois de lançada para órbita a 6 de junho com 3 astronautas a bordo a cola usada terá secado, abrindo novamente a fissura.

Para além de uma investigação interna, a RSC Energia vai também inspecionar todos os módulos Soyuz e Progress.

Os russos são, historicamente, muito rápidos a gritar sabotagem, mas parece-me muito pouco provável”, afirmou o astrofísico Jonathan McDowell, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica.

Em caso de intencionalidade na fissura, o buraco teria de ser consideravelmente maior visto que, mesmo com a maior taxa de despressurização possível, a tripulação a bordo teria ainda semanas de ar em reserva.

AG, ZAP // Gizmodo / Space.com

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