MP suspeita que verbas desviadas do FC Porto foram usadas para “comprar a sorte dos resultados”

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Estela Silva / Lusa

O presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa

O Ministério Público suspeita que o dinheiro das comissões de transferências de jogadores do FC Porto era usado para influenciar resultados desportivos.

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Segundo consta dos despachos relativos aos mandados de buscas recentemente realizadas nas instalações do clube e em casa do presidente Pinto da Costa, o Ministério Público está a investigar o FC Porto por entregas de dinheiro a pessoas com alegada “capacidade de influenciar a sorte dos resultados desportivos”.

Segundo a CMTV, o Ministério Público acredita que o FC Porto usava o dinheiro gerado pelo esquema de comissões alegadamente concebido por Pinto da Costa e Pedro Pinho para desviar dinheiro da SAD do FC Porto não só em benefício próprio mas também para pagar a pessoas “que podiam alterar resultados a favor do clube”.

Nos mandados de busca não é especificado quem são estas pessoas, e o procurador Rosário Teixeira não revela as provas que já recolheu.

No entanto, diz o CM, este “saco azul” terá servido para fazer pagamentos de diferentes tipos, nomeadamente em duas situações diferentes: serviços de bruxaria, e pagamentos a elementos da arbitragem para obter resultados favoráveis.

Segundo aponta a investigação que levou à realização de buscas a Pinto da Costa e ao filho mais velho, Alexandre Pinto da Costa, nos últimos quatro anos o FC Porto pagou 64 milhões em comissões a empresários. O MP suspeita que, deste valor, pelos menos 20 milhões de euros tenham sido pagos de forma ilegal.

Investigadores do Fisco e do Ministério Público estão agora a investigar os negócios feitos pelo FC Porto no período entre Março de 2017 e os primeiros três meses de 2021.

Há cinco transferências suspeitas que estão a ser especialmente analisadas pelos investigadores, envolvendo Ricardo Pereira, Quintero, Felipe, Tiquinho Soares e Éder Militão, entre 2018 e 2020. Estas cinco transferências envolveram, de forma directa ou indirecta, os empresários Pedro Pinho e Bruno Macedo.

Os procuradores entendem que Pinto da Costa é a principal figura no alegado esquema financeiro montado no clube. Na transferência de Éder Militão, realça o jornal Público, o presidente do FC Porto terá lucrado três milhões.

O central brasileiro, comprado pelo clube ao São Paulo em 2018, custou ao clube portista 7 milhões de euros. “Três milhões foram cedidos a um intermediário, suscitando-se a suspeita de que os beneficiários finais, além do agente, seriam os administradores do FC Porto, designadamente Pinto da Costa”, escreve o MP.

Em algumas destas negócios eram usadas empresas que recebiam directamente as comissões do FC Porto e, posteriormente, as transferiam para as empresas do círculo de Alexandre Pinto da Costa e Pedro Pinho, diz o MP, citado pelo Público.

O presidente do FC Porto, no discurso com que encerrou esta segunda-feira a Gala dos Dragões de Ouro, no Estádio do Dragão, considerou as operações judiciais que o envolvem uma campanha de “calúnias e mentiras”.

Entre suspeitas de que os alegados desvios de verbas podem ter sido usadas quer para benefícios pessoais quer para influenciar resultados desportivos, o FC Porto surge na Operação Cartão Azul com um duplo papel: o de vítima do desvio de fundos e o de acusado pelos benefícios desportivos alegadamente recebidos.

  ZAP //

1 Comment

  1. Os títulos têm andado divididos entre dois clubes os mesmos que têm sido acusados de várias fraudes, mas às quais a justiça tem feito vista larga, será simples coincidência? Será mais uma encenação e tudo ficará em águas de bacalhau como de costume, caso se tratasse de um pequeno clube e esse sim, teria contas a prestar!

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