Uma doença muito comum nos dias de hoje pode ter aniquilado os Neandertais

A causa da extinção dos Neandertais continua a ser um dos maiores mistérios da Antropologia. Mas, agora, uma equipa de investigadores dos Estados Unidos parece ter encontrado uma resposta.

Segundo os cientistas, em vez de um evento cataclísmico, os Neandertais podem ter sido aniquilados por algo tão simples como uma doença infantil que é hoje muito comum. O seu estudo, publicado no final de agosto na revista especializada The Anatomical Record, sugere que as infeções do ouvido podem ter sido responsáveis pela extinção dos Neandertais.

Hoje em dia, essas infeções são comuns e podem tratar-se com medicamentos como antibióticos. Porém, para os Neandertais, esta condição significava muitas complicações, incluindo infeções respiratórias, perda de audição e pneumonia.

Os antropólogos norte-americanos aperceberam-se que os ouvidos dos Neandertais se assemelhava aos ouvidos das crianças humanas, mas não alteravam conforme a sua idade. “Pode soar exagerado mas, quando pela primeira vez reconstruimos as trompas de Eustáquio dos Neandertais, descobrimos que eram notavelmente semelhantes às dos bebés humanos”, assinalou um dos autores do estudo, Samuel Márquez, da Universidade de Ciências da Saúde de Nova Iorque, em comunicado divulgado pelo EurekAlert.

As infeções do ouvido médio “são quase omnipresentes nos bebés”, uma vez que o ângulo plano da trompa de Eustáquio de uma criança é mais propenso a reter bactérias que causam otite. É esse mesmo ângulo plano que foi encontrado nos Nandertais, segundo explicou o investigador.

Aos cinco anos de idade, as trompas de Eustáquio nas crianças humanas alargam-se e o ângulo torna-se mais agudo, o que permite que o ouvido drene e elimine as infeções recorrentes.

Nos Neandertais, essa estrutura não mudava com a idade, o que significa que essas infeções do ouvido e as suas complicações tornavam-se crónicas e podiam durar toda a vida, ameaçando a saúde geral e a sobrevivência.

“Se estavam constantemente doente, não seriam tão apto e efetivo para competir com os primos do Homo sapiens por comida e outros recursos”, explicou Márquez. “Num mundo da sobrevivência do mais apto, não é de estranhar que tenha prevalecido o homem moderno, e não o Neandertal”.

Os autores observam que entender a forma como o ouvido médio funcionava nestas espécies primitivas de hominídeos pode ajudar a entender como a nossa própria espécie evoluiu.

“Os Neandertais são os nossos primos mais próximos e, portanto, qualquer coisa que os afete teria-nos afetado de alguma forma“, disse Anthony Pagano, autor do estudo, ao IFLScience. “Saber por que sobrevivemos e os Neandertais não pode aumentar a nossa compreensão sobre a nossa própria adaptabilidade como espécie. Como superamos um membro altamente inteligente e altamente resiliente da nossa família”.

ZAP //

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