“Não cedemos a jogos de poder cínicos”. UE e EUA batem o pé à Bielorrússia e anunciam mais sanções

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Oliver Contreras / EPA

Ursula von der Leyen fala aos jornalistas depois de se reunir com Joe Biden na Casa Branca

Ursula von der Leyen fala aos jornalistas depois de se reunir com Joe Biden na Casa Branca

Depois de se reunir com Joe Biden, Ursula von der Leyen anunciou mais sanções contra as companhias aéreas que estão a levar os migrantes para a Bielorrússia. A UE quer também estabelecer acordos com os países de origem dos migrantes para facilitar o seu regresso a casa.

Já se estava à espera de mais sanções contra a Bielorrússia, e elas serão mesmo impostas. Depois de se reunir com Joe Biden na Casa Branca para abordar a crise na fronteira da Polónia, a situação na Ucrânia e os problemas com o protocolo da Irlanda do Norte, Ursula von der Leyen confirmou que a União Europeia vai aplicar mais sanções ao governo de Alexander Lukashenko já na próxima semana.

Em causa estará uma orquestração de Minsk, que aceita dar asilo a migrantes e refugiados oriundos do Médio Oriente e depois os obriga a ir para a fronteira com a Polónia e tentar entrar ilegalmente na UE.

A situação já está a desenrolar-se há meses, mas agravou-se esta semana depois das autoridades da Bielorrússia terem escoltado mais de 1000 migrantes para a zona fronteiriça na segunda-feira, o que originou confrontos com as forças de segurança polacas. A Letónia e a Lituânia também estão a enfrentar crises semelhantes.

“Ambos concordamos que estamos perante um ataque híbrido de um regime autoritário, numa tentativa de desestabilização dos seus vizinhos democráticos que não vai ser bem sucedida. Mas já conhecemos o padrão. Sofremos tentativas de interferência nos nossos processos democráticos, com desinformação e ciberataques. Mas não deixaremos de proteger as nossas democracias destes jogos de poder cínicos”, afirmou a Presidente da Comissão Europeia à saída da reunião com Biden, que também se terá mostrado preocupado com a situação.

Von der Leyen voltou também a condenar a instrumentalização dos migrantes para fins políticos. “Estas são pessoas inocentes e que se encontram numa situação muito difícil”, lembrou a presidente da Comissão Europeia, apelando também a que “as agências das Nações Unidas tenham acesso aos migrantes”, que estão em campos improvisados e com poucas condições, passando frio e fome.

Sobre as sanções, a líder do executivo europeu adiantou que houve consenso com o Presidente dos Estados Unidos. “Vamos aumentar as nossas sanções contra a Bielorrússia muito rapidamente, no início da semana que vem”, declarou, realçando a “possibilidade de sancionar as companhias aéreas que facilitem o tráfico de seres humanos para Minsk e para as fronteiras europeias”.

Recorde-se que as autoridades da União Europeia já tinham entrado em contacto esta semana com a organização das companhias aéreas árabes oriundas da Jordânia, Líbano ou Dubai, de onde os migrantes partem originalmente, para alertar para a possibilidade de serem impostas sanções por estarem a contribuir para o problema.

Este será o quinto pacote de sanções europeias contra a Bielorrússia desde 2020, tendo sido precisamente as sanções iniciais depois das eleições que Lukashenko venceu e que a UE não reconheceu como legítimas que terão motivado esta retaliação por parte de Minsk.

A UE e os EUA vão também “coordenar os seus contactos com os países de origem”  dos migrantes para garantir que as pessoas “não se deixem cair na armadilha de Lukashenko“, defendeu Von der Leyen, que realça que a situação “não é uma crise migratória”, mas antes uma tentativa de “instrumentalizar os migrantes”.

A Casa Branca está também a preparar um conjunto de medidas que vão entrar em vigor no início de Dezembro que terão como alvo responsáveis e entidades com ligações a Lukashenko. Von der Leyen considera que o isolamento na comunidade internacional “é muito importante para o regime compreender que as suas acções têm consequências”.

Horas antes da intervenção de Ursula von der Leyen, Josep Borrell também já tinha defendido a criação de “um corredor humanitário” para que os migrantes presos na fronteira possam regressar aos seus países de origem. “Não podem entrar na União Europeia forçando as fronteiras mas também não podem ficar ali”, afirmou o Alto Representante europeu para a Política Externa, que defende acordos com os países de origem.

“A primeira coisa que teremos de fazer é (pressionar) para que o governo bielorrusso permita que as organizações de ajuda humanitária cheguem a estas pessoas para evitar imagens como as que nos têm inquietado”, reforçou Borrell. “Esta é uma crise severa. Não é uma guerra, mas é um ataque e uma utilização de seres humanos como armas“, acrescentou durante o debate no Parlamento Europeu.

Os eurodeputados também se mostraram preocupados com a situação humanitárias e as condições desumanas a que os migrantes que estão na terra de ninguém estão sujeitos, principalmente devido ao frio. Apesar da maioria das críticas serem à Bielorrússia, também foi condenada a actuação das autoridades polacas que já tinha sido denunciada por ONGs.

  Adriana Peixoto, ZAP //

1 Comment

  1. A hipocrisia da UE e dos EUA é monstruosa…com a Hungria é a festa que é…mas com a Polónia é outra cena…lololol.
    Será que agora as pessoas percebem que esta história da entrada dos imigrantes na UE, por onde quer que eles venham, tem outros propósitos que nada têm a ver com razões humanitárias????

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