A Terra tem um misterioso “Triângulo das Bermudas” no Espaço

A Anomalia do Atlântico Sul é uma falha no campo magnético da Terra que é evitada pelos satélites e astronautas. Terá nascido no núcleo da Terra na Namíbia, mas está em constante movimento.

Muito acima da Terra, a cerca de 480 km acima do Brasil, encontra-se uma região peculiar no espaço onde os satélites funcionam mal, o Telescópio Espacial Hubble deixa de funcionar e os astronautas evitam os passeios espaciais.

Denomidada a Anomalia do Atlântico Sul (SAA) — mas também conhecida como o Triângulo das Bermudas do Espaço — esta área é um ponto fraco no campo magnético da Terra, expondo as naves espaciais a radiações nocivas e partículas carregadas.

O campo magnético da Terra, gerado principalmente pelo movimento do ferro fundido e do níquel no seu núcleo exterior, protege o planeta da radiação espacial. No entanto, na SAA, o campo é significativamente mais fraco, permitindo que as partículas carregadas das cinturas de radiação de Van Allen se aproximem perigosamente. Isto pode levar à corrupção de dados, ao mau funcionamento do sistema ou mesmo a danos eletrónicos permanentes nos satélites.

Embora a SAA represente um desafio para as operações espaciais, também tem um papel protetor. “Se não houvesse SAA, haveria uma forte radiação mesmo acima da atmosfera”, explica o professor Yuri Shprits, do Centro Alemão de Investigação em Geociências, especialista em meteorologia espacial.

A causa da anomalia encontra-se nas profundezas do núcleo da Terra, onde o movimento do metal líquido cria campos magnéticos. No entanto, irregularidades neste processo levaram a inversões de fluxo magnético localizadas. Uma dessas manchas de inversão de fluxo existe por baixo da SAA, causando o seu fraco campo magnético.

O investigador Ricardo Trindade e a sua equipa traçaram a história do SAA através de estalagmites em grutas, revelando que teve origem na Namíbia, África, por volta do ano 1500. Ao longo dos séculos, cresceu e migrou para oeste, chegando perto da América do Sul no início do século XX. A anomalia também está em expansão e muda de posição.

Ela move-se rápido. A cada cinco anos, vê-se uma diferença. E ao longo dos séculos, ela realmente muda muito”, explica o geofísico ao Science Focus.

Há muito que os cientistas debatem se a AAS é um precursor de uma inversão geomagnética – em que os pólos magnéticos norte e sul da Terra se trocam. Historicamente, tais inversões ocorrem em intervalos irregulares, variando de milhares a milhões de anos.

Embora a SAA exiba uma força de campo magnético reduzida, os dados atuais não indicam uma inversão iminente. Qualquer inversão exigiria mudanças significativas no núcleo, provavelmente levando centenas, se não milhares, de anos para se materializar.

Apesar dos seus desafios, a SAA destaca o papel crítico que o campo magnético da Terra desempenha na proteção do planeta contra radiações nocivas. Sem ele, a atmosfera da Terra poderia sofrer erosão, levando a consequências catastróficas para a vida.

ZAP //

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