Investigadores sequenciam genoma de uma vítima de Pompeia pela primeira vez

Sally V / Wikimedia

Sítio arqueológico de Pompeia

Cientistas dos Estados Unidos, Itália, Dinamarca e Brasil sequenciaram, com sucesso, o genoma de um homem que morreu na antiga cidade de Pompeia após a erupção do Monte Vesúvio.

Uma equipa de cientistas sequenciou, pela primeira vez, o genoma de um indivíduo que morreu em Pompeia, na Itália, após a erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C..

Os remanescentes do homem, que tinha entre 35 e 40 anos, foram encontrados num local conhecido como Casa do Artesão, no sítio arqueológico da cidade romana.

Além de extraírem e sequenciarem o ADN do homem, os investigadores fizeram o mesmo com os restos de uma mulher, com mais de 50 anos, encontrada no mesmo local. No entanto, o seu genoma completo não pôde ser obtido devido a lacunas nas sequências genéticas.

De acordo com o Sci-News, o ADN do homem foi comparado aos de mil indivíduos antigos e com o material de 471 pessoas modernas da Eurásia ocidental. A análise sugeriu que o material apresenta mais semelhanças com os italianos modernos do que com os da era imperial romana.

Já o estudo do ADN mitocondrial e do cromossoma Y revelou grupos de genes da ilha da Sardenha e não da época do Império Romano, o que pode ser um indício de altos níveis de diversidade genética em toda a península itálica naquele período.

Fotografia e radiografia digital da quarta vértebra lombar (L4)

Análises do esqueleto do indivíduo masculino e do ADN permitiram identificar lesões numa das vértebras e sequências de ADN que são normalmente encontradas em Mycobacterium, o grupo de bactérias a que pertence a bactéria causadora da tuberculose Mycobacterium tuberculosis.

Isto sugere que o indivíduo pode ter contraído a doença antes de morrer.

“O nosso estudo – embora limitado a um indivíduo – confirma e demonstra a possibilidade de aplicar métodos paleogenómicos para estudar restos humanos a partir deste local único”, escreveram os autores no artigo científico, publicado recentemente na Scientific Reports.

Segundo a equipa, a realização de estudos bioarqueológicos e genéticos de restos humanos de Pompeia tem sido um desafio, uma vez que “a exposição à alta temperatura destrói efetivamente a matriz óssea” dos fósseis, alterando a sua estrutura e diminuindo a qualidade e quantidade de ADN recuperável.

Desta vez, “resgatar” o material genético antigo foi viável por causa dos fragmentos vulcânicos libertados durante a erupção do Vesúvio. Os resíduos piroclásticos terão protegido o seu ADN contra processos de degradação ambiental.

  ZAP //

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