A apontar para o céu e com Emanuel na banda sonora, Rio está cada vez mais confiante na vitória

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Mário Cruz / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, acompanhado pelo cabeça de lista do partido pela círculo eleitoral de Faro, Luis Gomes (D), e o presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau (E).

Rio voltou a apontar as baterias a Costa, criticando-o por “deturpar” as propostas do PSD. O líder social-democrata está cada vez mais confiante na vitória.

A quatro dias das eleições, a caravana de Rui Rio andou por Beja e terras algarvias. Estava montado o palco para a festa: Emanuel e quatro bailarinas deram o show para as centenas de apoiantes que marcaram presença.

Enquanto Emanuel cantava o refrão do hit “Vamos ao Céu”, Rui Rio mostrava-se bem animado, apontando para o céu juntamente com o resto do público. A música lançou o mote para a confiança do líder ‘laranja’: o céu é o limite.

Cada vez mais confiante, o presidente do PSD acredita que “o dr. António Costa está na iminência de perder as eleições” e que “podia perdê-las com dignidade”.

“E assim não é com dignidade, a mentir sobre o que os outros dizem não é com dignidade”, atirou Rui Rio.

Rio criticou ainda o primeiro-ministro por estar sempre a “deturpar” as propostas do seu partido. Focado nas mentiras de Costa, o social-democrata lamenta que “a campanha esteja a baixar de nível”.

“Um dia destes vai dizer que, se nós ganharmos as eleições, vamos comer criancinhas ao pequeno-almoço, como se dizia dos comunistas”, ironizou Rio, citado pelo Público.

Durante uma sessão temática sobre saúde, em Faro, Rui Rio questionou: “Mas há alguém, e agora vou englobar mesmo todos, da extrema-direita à extrema-esquerda, há alguém que ache que o salário mínimo é muito e que não deve subir, que chega para viver? Há alguém?”.

Logo de seguida, o presidente do PSD deu a resposta: “Eu acho que é mesmo da extrema-direita à extrema-esquerda, não há nenhum português que ache isso”.

Em tom indignado, Rui Rio acrescentou: “O doutor António Costa tem o desplante de dizer que o PSD é contra o aumento do salário mínimo nacional. Então o PSD é a favor do quê? Da redução do salário mínimo nacional? Acha que é dinheiro a mais?”.

Na sua intervenção, Rui Rio alegou que “com a governação do PS os salários em Portugal se degradaram relativamente àquilo que é a média comunitária, ou seja, os outros países da Europa avançaram no poder de compra através dos salários mais e melhor”.

O presidente do PSD referiu que “a mediana dos salários em Portugal é de 900 euros”, explicando que isso significa que “metade dos portugueses ganham menos de 900 euros, e metade ganham mais de 900 euros”.

“Só há um país com uma mediana pior do que nós: a Bulgária. Todos os outros têm uma mediana superior. Pode até a mediana não ser 900, ser 850, só que nesses países com 850 compra-se mais do que aqui com 900”, prosseguiu, concluindo: “Portanto, nós fomo-nos degradando através da governação do PS nestes seis anos”.

PS “à boleia” de tabus ou reivindicações da esquerda

O presidente do PSD acusou o PS de ir “à boleia” das circunstâncias, de “tabus ideológicos” ou “reivindicações” da esquerda, nomeadamente no caso TAP, afirmando que a convicção de Costa “não é muita”.

“Dizem umas coisas, fazem umas coisas, mas parece — parece, não —, a convicção não é muita, vão é à boleia de uma qualquer circunstância, ou de um qualquer tabu ideológico, ou de uma qualquer reivindicação de um Bloco de Esquerda, de um PCP ou de um PAN”, referiu Rui Rio, em Faro.

Segundo Rui Rio, também aqui, no caso da TAP, o PS “anda aos ziguezagues”, depois de António Costa ter nacionalizado metade da companhia quando chegou ao poder e, mais recentemente, ter adquirido a outra metade, para depois, há poucos dias, ter dito “estar na disposição de vender mais metade da TAP”.

“Eu estou de acordo. Mas a pergunta que eu faço é: então para que é que foi tudo isto?”, rematou o líder do PSD, depois de ter ouvido a intervenção do presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, para quem a TAP, no Algarve, “não serve para nada”, servindo, sim, para “todos os anos se meter lá dinheiro”.

Rui Rio aproveitou para contar um episódio em que quis ir do Porto para Faro na TAP, mas que, devido a atrasos nos voos, teve de ficar sete horas à espera no aeroporto de Lisboa, uma vez que não há voos diretos da TAP entre o Porto e a capital algarvia, pelo que quase “mais valia ir de bicicleta”.

E prosseguiu: “Que raio de empresa é esta, para a qual nós pagamos milhões e milhões e milhões de euros para ela ser pública e depois não presta serviço público nenhum, quem ainda faz as ligações são os privados”, questionou.

A saúde era o tema da edição de Faro das Conversas Centrais, mas durante a sessão falou-se também sobre a falta de água e de transportes púbicos na região.

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Francisco Amaral, médico e presidente da Câmara de Castro Marim, no Algarve, falou dos problemas com que se confronta “diariamente” que levam a uma consequente “desumanidade” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), situação que, por ser crónica, faz com que os doentes já pensem “que é o destino e que não há nada a fazer”.

Segundo o autarca, pesar dos esforços “desumanos” dos técnicos de saúde, que são em número “manifestamente insuficiente” para fazer face às necessidades -, ao contrário dos “propagandeados números de reforço” anunciados por António Costa -, não se conseguem resolver as longas listas de espera para consultas e cirurgias nos hospitais da região.

A construção do Hospital Central do Algarve, um projeto com 20 anos, foi outro dos temas em debate, com Rui Rio a dizer que, apesar das promessas do PS nesse sentido, até agora nada se fez.

  ZAP // Lusa

5 Comments

  1. Costa e as suas geringonças tiveram tempo de mostrar o que valiam. No primeiro mandato fizeram muita coisa boa. No segundo for pra esquecer. Rui Rio tem o meu voto e mereceria ter o da maioria dos Portugueses.

    • “A média dos salários em Portugal é de 900 euros”, ou seja, “metade dos portugueses ganham menos de 900 euros, e metade ganha mais de 900 euros”. “Só há um país com uma mediana pior do que nós: a Bulgária. Todos os outros têm uma mediana superior. “Portanto, nós fomo-nos degradando através da governação do PS nestes seis anos”.

    • Nessas coisas boas que refere está a pensar em quê?! Só espero que não seja nas muitas dezenas de mortes provocadas pelos incêndios em que ficou bem evidente quem chega aos cargos de topo mesmo quando não se tem qualquer formação digna para isso nem qualquer experiência relevante, mas apenas por amizade!
      Tenha vergonha antes de fazer comentários desses e ao menos tenha respeito pelos familiares e amigos das muitas vítimas dos incêndios!

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