/

Afinal, podemos estar a viver dentro de uma bolha gigante no Espaço

2

(CC0/PD) myersalex216 / Pixabay

Um físico da Universidade de Genebra, na Suíça, apresentou uma nova hipótese para dar resposta ao enigma que divide a comunidade científica há uma década: a que velocidade se expande o Universo?

Para Lucas Lombriser, físico da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, a Terra, o Sistema Solar, a Via Láctea e as galáxias mais próximas de nós movem-se numa “bolha” com cerca de 250 milhões de anos-luz de diâmetro, na qual a densidade média da matéria é metade da do resto do Universo.

Até agora, dois métodos de cálculo chegaram a dois valores distintos em cerca de 10%, com um desvio estatisticamente irreconciliável. Esta nova abordagem, cujos resultados foram recentemente publicados na Physics Letters B, elimina esta divergência sem propor uma “nova física” capaz de responder a esta incógnita.

O Universo está em expansão desde o Big Bang. Em 1929, o astrónomo Edwin Hubble  descobriu que todas as galáxias se estão a afastar e que as mais distantes se movem mais rapidamente. Isto sugere que houve uma altura em que todas as galáxias se encontravam localizadas no mesmo lugar – altura essa que só pode corresponder ao Big Bang.

Esta investigação deu origem à Lei de Hubble-Lemaître, incluindo a constante de Hubble, que denota a taxa de expansão do Universo. As melhores estimativas desta constante encontram-se atualmente em torno dos 70 (km/s)/Mpc, o que significa que o Universo se está a expandir 70 quilómetros por segundo mais rápido a cada 3,26 milhões de anos-luz.

Mas isto levanta uma outra questão: a existência de dois métodos de cálculo cujos resultados são diferentes.

Métodos discordantes

O primeiro método é baseado na radiação cósmica de fundo em microondas: esta radiação vem de todos os lugares e foi emitida no momento em que o Universo ficou suficientemente frio para que a luz pudesse circular livremente, cerca de 370 mil anos após o Big Bang.

Através dos dados fornecidos pela missão espacial Planck, e considerando o Universo homogéneo e isotópico, obteve-se um valor de 67,4 para a constante de Hubble, usando a teoria da relatividade geral de Einstein.

O segundo método de cálculo é baseado nas supernovas que aparecem esporadicamente em galáxias distantes. Estes eventos muito brilhantes fornecem ao observador distâncias altamente precisas, uma abordagem que tornou possível determinar um valor para a constante de Hubble de 74.

Nova abordagem

“Estes dois valores permaneceram diferentes. Não foi preciso muito para provocar uma controvérsia científica e até para despertar a empolgante esperança de que talvez estivéssemos lidando com uma ‘nova física'”, começa por dizer o físico Lucas Lombriser, citado pelo EurekAlert.

Para diminuir esta lacuna, Lombriser considerou a ideia de que o Universo não é tão homogéneo quanto se imagina. Não há dúvidas de que a matéria está distribuída de maneira diferente dentro de uma galáxia e fora dela. No entanto, é muito mais difícil imaginar flutuações na densidade média da matéria calculada em volumes milhares de vezes maiores do que o de uma galáxia.

Se estivéssemos numa espécie de bolha gigantesca, onde a densidade da matéria fosse significativamente menor do que a densidade conhecida para todo o Universo, isso teria consequências nas distâncias das supernovas e na determinação da constante de Hubble”, explica o físico da universidade suíça.

Ao estabelecer um diâmetro de 250 milhões de anos-luz para a bolha, Lombriser calculou que, se a densidade da matéria interior fosse 50% menor do que para o resto do Universo, um novo valor seria obtido para a constante de Hubble, que estaria em concordância com o que foi obtido usando o fundo cósmico de microoondas.

“A probabilidade de haver tal flutuação nessa escala é de uma em 20 a uma em cinco, o que significa que não é fantasia de um teórico. Existem muitas regiões como a nossa no Universo”, rematou.

  ZAP //

2 Comments

  1. A “bolha” descrita pelo Físico Lucas Lombriser, faz muito sentido: Basta vermos a abertura de fenda entre placas tectônicas no fundo do mar que surge repentinamente um vácuo por ausência de matéria levando a uma agrande sucção da água. E, também quando estamos passando por uma mudança climática, ocorre outro vácuo na pressão atmosférica que altera as temperaturas promovendo tempestades no dia segunte ou horas depois, tá certo que com mais lentidão pous o ar é elástico, diferentemente da água. Isso tudo ocorre em decorrência da transferência da matéria para espaçi diferentes para fazer a compensação do vazio. Como as características físicas da matéria são diferentes e se alteram, os fenômenos ficam imprevisíveis. Mas certamente as “bolhas” surgem, mudam seu tamanho. São incorporadas e também incorporam à outras e assim perduram certamente mudando de comportamento. Tem até um certo conflito com a singularidade.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.