Procura-se: Rei / Gerente de Bar para uma ilha isolada em Inglaterra

A ilha de Piel, de 20 hectares, abriu concurso público para um novo “rei” — que terá que gerir o espaço e o pub da vila local, sem se deixar incomodar pela solidão.

Um conselho deu início a um dos processos de recrutamento mais caricatos do Reino Unido, ao procurar alguém para administrar o Ship Inn, na ilha de Piel, na costa de Barrow-in-Furness.

De acordo com o The Guardian, quem conseguir o lugar torna-se rei ou rainha do local, com um estatuto “mais ao menos” oficial, e terá de se sentar no trono, enquanto leva com cerveja em cima, de acordo com a cerimónia de coroação.

Os aspetos negativos do trabalho são o clima incerto, ou a solidão de viver num local tão remoto. Por outro lado, podem observar-se focas e pássaros, desfrutar de um pôr do sol deslumbrante e, para alguém com problemas de auto estime, pode sempre lembra-se que é um rei ou uma rainha.

John Murphy tem liderado passeios à ilha há quase 40 anos e refere que eum conseguir o trabalho tem de ser “extremamente dedicado”.

“Não se pode simplesmente ir a Tesco comer pão, quando se está na ilha de Piel”, explica. “É preciso ter dedicação e uma paixão pela solidão, pela paz e pelo sossego. É preciso ter uma personalidade específica”.

O Ship Inn está na ilha há mais de 200 anos e é possível lá chegar através de um ferry, que funciona entre abril e setembro, ou numa caminhada guiada pela areia. Para alguns, a magia está na história do local. Para outros está no pub.

Importância histórica da ilha

Foi construído um castelo na ilha, no início de 1300, pelos monges da Abadia de Furness, com o objetivo de afastar os invasores escoceses. O edifício encontra-se agora ao cuidado da English Heritage.

Frank Cassidy, conselheiro do Barrow Labour, notou que a ilha e o castelo foram testemunhas silenciosas de um evento significativo da história inglesa.

Em junho de 1487, Lambert Simnel, pretendente ao trono inglês de 10 anos, desembarcou na ilha, com um exército de 8.000 soldados, vindos da Irlanda, a caminho da batalha.

Dizia-se que Simnel era o verdadeiro Conde de Warwick, e o legítimo herdeiro do trono de Inglaterra.

Os soldados ainda marcharam em Londres, mas foram derrotados na Batalha de Stoke Field, em Nottinghamshire, a última da Guerra das Rosas.

Segundo Frank Cassidy, “foram esmagados”. “Mas se tivessem derrotado Henry VII, o resto da história inglesa teria sido bastante diferente“.

As pessoas vão agora à ilha para celebrar festas de aniversário ou para beber uns copos, antes de acamparem durante a noite.

“Mesmo que estejam de mau humor, as vistas de Piel são deslumbrantes“, explica John Murphy. “Já devo ter dormido em cima de cada folha daquela ilha, bêbedo ou sóbrio, e adoro-a”.

O que é pedido aos candidatos?

A Câmara Municipal de Barrow está a tentar recrutar um senhorio, com um contrato de arrendamento de 10 anos, a tempo da época alta, que começa em abril.

Um relatório dos membros do conselho de Barrow descreve Piel como um local único, sendo que “é preciso apreciar as limitações oferecidas pelo poder, tempo, acesso e localização, dentro de uma área de interesse científico”.

Para além de gerir o pub, o candidato selecionado terá de administrar a própria ilha. Quem estiver encarregue destas funções, é coroado “Rei de Piel”, numa cerimónia que envolve uma espada enferrujada, e termina com baldes de cerveja a serem despejados sobre a cabeça.

Ainda de acordo com a tradição, qualquer pessoa que se sente no trono voluntaria ou involuntariamente terá de pagar bebidas a todos os presentes.

A cidade de Barrow está rodeada de estaleiros navais, que constroem submarinos nucleares, e não é frequentemente considerada um destino turístico. Mas, de acordo com Murphy, isso tem vindo a mudar.

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“Barrow está a registar um aumento do turismo, com visitantes que se apercebem  que estão apenas a 20 minutos da Região dos Lagos, e que o alojamento é metade do preço que pagam lá”, realça o atual Rei de Piel.

Murphy afirma que adora o seu trabalho mas que, com 73 anos, está demasiado velho para o manter. Inclusive já entregou a sua liderança nos passeios à ilha a “pernas mais jovens”, mas ainda pretende estar em Piel, a contar as suas histórias.

“Eu adoro a ilha de Piel incondicionalmente, bem como a paz da solidão. Também adoro o facto de Barrow ser uma cidade industrial e, no entanto, ter este pedaço de terra aqui ao lado, isolado, a uma distância que se faz num piscar de olhos”, conclui.

  ZAP //

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