Os 33 magníficos da Liga 21/22

Contas fechadas na Liga Bwin, desempenho dos jogadores devidamente avaliados, retrato da época feito. A foto de grupo dos melhores desempenhos individuais é esta, com os 33 magníficos da Liga, três craques por cada posição.

Após darmos a conhecer o Jogador Revelação, o Melhor Rating e o Jogador do Ano, estes são os outros craques em destaque, numa temporada que coroou o FC Porto como campeão nacional, com o melhor ataque, melhor defesa, maior número de vitórias, recorde de pontos (91) e, pelo caminho, novo registo máximo de jogos sem perder (58, abarcando duas épocas).

Não espanta, por isso, que os “dragões” sejam a equipa mais representada entre os “titulares” de cada uma das posições, com quatro elementos, sendo que o Sporting é a que mais empresta ao total dos 33, com nove (ou 8,5, tendo em conta que um fez a primeira metade da temporada noutro clube da Liga). Neste “plantel” de estrelas do campeonato português cabem apenas jogadores que disputaram mais de 1530 minutos na prova (50% do total possível).

Sem surpresa, os “três grandes” dominam, com um total de 22 dos 33 jogadores aqui destacados, mas é interessante notar que duas das 11 posições da equipa são dominadas por jogadores fora deste autêntico monopólio de Porto, Sporting e Benfica. Um deles é mesmo um dos três repetentes a comandar as suas posições em relação aos 33 melhores da época passada. Vamos aos detalhes?

Estava-se mesmo a ver

  • André Ferreira (P. Ferreira) 6.34 – Que época do guardião do Paços de Ferreira. André Ferreira teve uma passagem sem grande sucesso pelo Santa Clara, mas perante a oportunidade de jogar na Capital do Móvel, o jogador de apenas 25 anos brilhou, e de que maneira, sendo o melhor guardião da Liga 21/22. Numa temporada muito consistente, somou o máximo de defesas (118, uma média de 3,7), o segundo registo de remates enquadrados defendidos (74,2%) e, mais importante, foi o guarda-redes que evitou mais golos. Na diferença entre o total de defesas e as Defesas Esperadas (xSaves), face aos xGOT (Golos Esperados em Remates Enquadrados), André impediu nada menos que 10,8 tentos esperados. Incrível.
  • O segundo melhor rating entre guardiões pertence a Paulo Victor, que segura as redes do Marítimo. Na última métrica que explicámos sobre André Ferreira, o brasileiro conseguiu evitar 6,3 golos adversários, terminando a época com uma média de 3,3 defesas a cada 90 minutos, 71,7% de remates enquadrados defendidos, excelentes 94,9% de saídas pelo ar eficazes, terceiro valor mais alto da Liga e nove “cleen sheets”. Bruno Varela mantém o terceiro lugar no pódio em relação à primeira volta, com o terceiro registo mais alto de golos evitados (8,5).

“Leão” com grande presença defensiva

  • Pedro Porro (Sporting) 6.58 – O espanhol do Sporting é um dos três que repetem o domínio da posição, em relação aos 33 da temporada passada. Porro é o lateral-direito “titular”, ultrapassando na segunda volta o portista João Mário, que era o dono do lugar à 17ª jornada. O “leão” terminou a Liga com quatro golos e outras tantas assistências, sendo o quarto lateral com mais participações directas em golo (8), e foi o que mais rematou, numa média de dois disparos por 90 minutos, 1,7 de bola corrida. Entre laterais ninguém fez mais passes para finalização (2,5), tendo sido o segundo em ocasiões flagrantes criadas (0,6), o líder em cruzamentos de bola corrida (6,5), o quarto em tentativas de drible (3,8) e o melhor em acções defensivas no meio-campo contrário (1,7) e no último terço (1,0). A confirmação de tudo o que fez na época passada.
  • Em segundo ficou João Mário. O portista teve menos influência nos golos (somente duas assistências), mas foi o terceiro lateral em acções defensivas no meio-campo contrário (1,5), o segundo no terço intermédio (2,1), o terceiro em tentativas de drible (3,9, com eficácia de 50%), e o segundo em conduções (3,2) e conduções aproximativas (2,7). O líder destas duas últimas variáveis foi Yan Couto, lateral do Braga emprestado pelo Manchester City (terceiro melhor lateral-direito) com 4,2 e 3,4, respectivamente.
  • Nicolás Otamendi (Benfica) 6.20 – O central argentino esteve fora dos 33 em 2020/21, mas na primeira volta assumiu a titularidade de uma das vagas e manteve-a até ao final do campeonato. Otamendi foi, acima de tudo, consistente, o que lhe valeu o melhor rating final da competição na posição. O benfiquista foi o segundo central com mais acções com bola (87,3), apresentou a melhor eficácia de passe (90,8%, a par de Gonçalo Inácio), registou uma média de dois desarmes por 90 minutos (sucesso em 60% das tentativas), o quarto registo da posição em intercepções (2,2), o terceiro de recuperações de posse (6,5) e ganhou 69% dos duelos aéreos defensivos em que participou (numa média de 2,6).
  • A acompanhá-lo está João Basso, central brasileiro do Arouca que, quem nos acompanha, reconhece como um dos pilares defensivos em maior destaque, em especial na segunda metade da temporada. Basso foi o segundo mais rematador da posição (1,0), não espantando os três golos marcados, o segundo com melhor média de passes aproximativos (6,9) e o segundo com menor percentagem de desarmes falhados (31,5%), tendo fixado o máximo absoluto de alívios realizados (142). O pódio de centrais do lado direito fecha com Gonçalo Inácio, “leão” que fez quatro golos e duas assistências e foi o central com mais participações directas para golo (6). Além disso foi o jogador da Liga com mais passes certos (1876) e também melhor eficácia de passe (os tais 90,8%).
  • Willyan Rocha (Portimonense) 6.19 – Um de dois jogadores fora dos grandes, juntamente com André Ferreira, a assumir a titularidade de uma das posições. O brasileiro, que pode actuar também como “trinco”, já havia dominado uma das vagas de central na época passada e volta a fazê-lo, com o segundo melhor rating da posição. Dono de um golo e três assistências, Willyan voltou a brilhar no passe, liderando na média de super aproximativos (1,2). Entre centrais foi o quinto com mais desarmes (2,6), o sexto em intercepções (2,0), o quarto em alívios (4,4) e ganhou 68% dos 3,5 duelos aéreos defensivos em que participou por 90 minutos.
  • Desta feita, Sebastián Coates não se superiorizou à concorrência na posição, como o fez na época passada. O “leão” foi o terceiro melhor central da Liga 21/22, tendo sido o mais rematador da posição (1,1), como tem sido habitual, embora só tenha marcado dois golos. O uruguaio terminou com média de 6,5 passes aproximativos, quarto registo da posição, o mesmo que nos super aproximativos (0,9) e ganhou 77,6% de duelos aéreos defensivos, segunda percentagem mais alta. A fechar a defesa temos o portista Pepe que, aos 39 anos, mantém um nível elevadíssimo: foi só o central com melhor média de recuperações de posse (7,0) e o quinto em passes longos certos (59,1%).
  • Nuno Santos (Sporting) 6.65 – O melhor lateral do campeonato. Ao longo da temporada, o benfiquista Álex Grimaldo foi liderando, mas uma recta final espantosa do jogador do Sporting acabou por lhe dar a titularidade a lateral esquerdo, uma posição à qual foi adaptado esta temporada, aos poucos, por Rúben Amorim, e com grande sucesso. Nuno Santos terminou a época da Liga com seis golos e sete assistências, tendo sido o lateral com mais acções directas para golo, nada menos que 13. A sua propensão ofensiva é óbvia, como mostra a média de dois remates por partida (segunda mais alta), mas também os 2,1 passes para finalização, as 0,7 ocasiões flagrantes criadas (máximo) e os 5,5 cruzamentos de bola corrida (segundo valor), com excelentes 27,6% de eficácia. A melhor época da carreira.
  • O benfiquista Grimaldo, “titular” em 2020/21, caiu para segundo, mas os seus números foram de grande qualidade. Ao todo foram dez acções para golo, reflexo de cinco tentos e outras tantas assistências, foi o lateral com mais acções com bola (88,1), o segundo em passes para finalização (2,3), o terceiro em ocasiões flagrantes criadas (0,5) e o líder em passes de ruptura (0,4). A fechar o pódio de laterais-esquerdos o também espanhol Adrián Marín, do Famalicão, dono de quatro golos e duas assistências, mas foi também o segundo lateral com menor percentagem de desarmes falhados, apenas 29,1%.

“Dragão” tomou conta do meio-campo

  • Matheus Uribe (Porto) 6.34 – O colombiano do Porto foi o melhor médio-defensivo do campeonato. Uribe foi sempre uma fonte de energia, entrega, garra e mentalidade competitiva, combinando na perfeição com os colegas de equipa do “miolo”. Segundo da posição em acções com bola (74,1), foi o quarto em eficácia de passe (86,9%), terminou com excelentes 2,9 desarmes por 90 minutos, 1,6 intercepções e registou a melhor média de recuperações de posse (8,8).
  • João Palhinha pode ter perdido protagonismo esta época, em especial na segunda metade da Liga, mas o que fez nos 1851 em que jogou foi o suficiente para ser o segundo melhor “trinco”, tendo aliás fechado a primeira volta como o melhor. O internacional luso fez três golos, registou a melhor média de desarmes (3,9) por 90 minutos em toda a Liga, o máximo de acções defensivas no meio-campo contrário (3,1) entre médios-defensivos, segundo em todas as posições, e o melhor registo no terço intermédio (4,1) na Liga. Nos duelos aéreos defensivos foi o segundo melhor “trinco” (67,7% ganhos). Julian Weigl terminou em terceiro, sendo da posição aquele que mais acções com bola (80,9) acumulou, brilhando essencialmente no passe, mais do que nos momentos defensivos, terminando como o jogador com melhor eficácia nas entregas entre todas as posições (91%).
  • O médio do Benfica, João Mário, começou a época em grande estilo, sendo uma das pedras fundamentais da ideia de jogo de Jorge Jesus. A mudança de treinador coincidiu com a queda do internacional luso, que passou a ser uma das últimas opções para Nélson Veríssimo. Ainda assim, o que tinha feito anteriormente foi o suficiente para manter o segundo melhor rating entre médios-centro. O jogador “encarnado” fez três golos e três assistências esta temporada, beneficiando de uma posição no terreno um pouco mais adiantada do que na temporada transacta, registando a segunda melhor média de acções com bola (81,6, ainda assim muito longe de Vitinha), de passes para finalização da posição (1,9) e de eficácia de passe (89,1%) e o máximo em passes de ruptura (0,5). A fechar o pódio o sportinguista Matheus Nunes, autor de três golos e duas assistências, líder da posição em conduções (3,6), conduções aproximativas (2,0), tentativas de drible (4,4) e dribles completos (2,9, uma eficácia de 65,9%).
  • Mehdi Taremi (Porto) 6.83 – O iraniano do Porto foi uma espécie de “homem dos sete instrumentos” no ataque portista, fazendo posições de ponta-de-lança, extremo-esquerdo e de segundo ponta-de-lança, recuando bastante no terreno, e é nessa posição que “joga” nestes 33. Taremi foi o jogador com mais acções para golo na Liga, 32, referentes a 20 golos e 12 assistências, foi o jogador com mais Extected Assists (xA), ou assistências esperadas (10,2), o que teve mais Expected Goals (xG) ou golos esperados (21,8, destes 11,9 de bola corrida), o segundo em acções com bola na área contrária (8,0) e fixou o máximo absoluto de remates (101, uma média de 3,8 por 90 minutos, terceiro na Liga). Uff!
  • O extraordinário Pablo Sarabia assinalou a sua passagem por Alvalade com o segundo melhor rating nesta posição de apoio ao ataque. O espanhol fez 15 golos e seis assistências, foi o melhor marcador leonino da época e teve um peso de 40,4% nos golos marcados pelo Sporting na Liga consigo em campo. Terminou com excelente média de remates (3,1) e disparos de bola corrida (2,4) e foi o segundo da prova em passes para finalização (2,6). Entre médios-ofensivos, Pedrinho Moreira, do Gil Vicente, surge em terceiro, com extraordinárias 14 assistências, apenas atrás de Rafa Silva e com as mesmas de Fábio Vieira. Foi ainda o quarto jogador da Liga em recuperações de posse (7,5).

Otávio, dragão entre águias

  • No lado direito do ataque temos, com o segundo melhor rating, Marcus Edwards. O inglês começou a época no Vitória SC, terminou no Sporting e esteve sempre em crescendo. O extremo terminou com dez golos e quatro assistências, assinou 2,1 passes para finalização, criou 0,7 ocasiões flagrantes (segundo valor entre extremos), foi o quinto da posição em tentativas de drible (4,9) e o quarto em eficazes (2,7), e foi o terceiro jogador em saldo positivo na diferença entre golos marcados e esperados (+ 3,5). O pódio fecha com Pedro Gonçalves. A época esteve longe dos feitos de 2020/21 e esse é o motivo para a desilusão reinante, mas olhando para os números finais, estes não deixaram de ser muito bons, pois “Pote” fez oito golos e nove assistências, tendo terminado como jogador da Liga com melhor média de remates (4,1) e de disparos de bola corrida (3,6).
  • Rafa Silva (Benfica) 6.77 – O veloz extremo benfiquista foi o jogador com mais assistências na prova, mesmo com a notória quebra de rendimento na segunda metade da temporada. Foram 15 passes para golo em dez xA (bem pode agradecer aos colegas pelo excelente saldo positivo). Rafa foi o jogador que mais criou ocasiões flagrantes em média (0,8), sendo o quarto da Liga em conduções aproximativas (3,0) e super aproximativas (0,7), o segundo em tentativas de drible (6,2) e também em completas (3,4). Foi o único jogador a atingir nota máxima esta temporada em Portugal.
  • Em segundo, a partir do lado esquerdo, surge Ricardo Horta, novo melhor marcador da história do Braga, com 93 golos, e justamente chamado por Fernando Santos à Selecção Nacional. Horta fez incríveis 19 golos e cinco assistências (mas 8,6 esperadas), sendo o terceiro melhor marcador do campeonato e o segundo com melhor saldo entre tentos marcados e esperados (+ 4,9 do que os 14,1 xG). O extraordinário Samuel Lino, que trocou neste final de época o Gil Vicente pelo Atlético de Madrid, fecha o pódio de extremos-esquerdos, graças a incríveis 12 golos e cinco assistências e 4,4 tentativas de drible, com média de duas completas. Os “grandes” do futebol português andaram a dormir….
  • Darwin Núñez (Benfica) 7.16 – O avançado uruguaio do Benfica não foi o Jogador do Ano GoalPoint devido ao critério dos minutos, mas registou o melhor rating entre jogadores com pelo menos metade dos possíveis na Liga. Todos os detalhes sobre excelente temporada de Darwin.
  • No início da época parecia que seria Toni Martínez a referência atacante do Porto na época, mas aos poucos, Evanilson foi assumindo o lugar, para nunca mais o largar, sendo o segundo melhor ponta-de-lança da Liga. O brasileiro fez 14 golos e quatro assistências, números que, por si só, valiam a presença nestes 33, mas o atacante fez mais, nomeadamente excelentes 5,9 acções com bola nas áreas contrárias a cada 90 minutos, 2,1 remates de bola corrida e 1,1 acções defensivas no último terço. Fechamos estes 33 Magníficos com Simon Banza, ponta-de-lança francês do Famalicão que terminou a temporada com 14 golos e duas assistências, e excelentes 3,1 remates a cada 90 minutos, 2,4 de bola corrida.

Também jogaram muito… mas só cabem 33

Jogadores que brilharam nesta primeira volta mas que, por rating ou minutos insuficientes, ficaram de fora dos 33.

  • Luis Díaz (Porto) 7.59 – O colombiano seria o óbvio Jogador do Ano, tendo em conta o que vinha fazendo na Liga até ao final de Janeiro, com 14 golos marcados e quatro assistências (e outros números incríveis). Com a saída para o Liverpool, acabou por somar apenas 1458 minutos.
  • Fábio Vieira (Porto) 7.17 – Outro jogador que é uma pena ver fora dos 33, mas, apesar das 14 assistências realizadas e dos seis golos marcados, acumulou apenas 1322 minutos.
  • Wenderson Galeno (Braga/Porto) 6.69 – Mais pelo que fez no Braga do que no Dragão. Galeno somou quatro golos e três assistências, quase dois passes para finalização por jogo e 4,9 tentativas de drible, mas apenas 1267 minutos.
  • Iuri Medeiros (Braga) 6.68 – Magnífica temporada de Iuri, uma das figuras do Braga, com sete golos e seis assistências, mas curto nos minutos jogados para entrar (1397).
  • Manuel Ugarte (Sporting) 6.47 – A quebra de forma de João palhinha foi aproveitada por Ugarte para mostrar toda a sua qualidade. O seu rating final dava para ser o dono do lugar de médio-defensivo, mas 1110 minutos é pouco.
  • Pepê Aquino (Porto) 6.33 – O brasileiro levou o seu tempo a enquadrar-se no estilo e realidade portista, ao ritmo do futebol europeu, mas a saída de Luis Díaz abriu-lhe uma janela de oportunidade e Pepê aproveitou para brilhar e marcar quatro golos e fazer três assistências. Todavia só somou 1379 minutos e a concorrência também esteve melhor.
  • Gilberto Júnior (Benfica) 6.13 – De “patinho feio” a admirado pelos adeptos benfiquistas, Gilberto é a imagem da entrega e da garra. Só a grande rotatividade da posição no Benfica impede Gilberto de estar nos 33, uma vez que só jogou 1341 minutos.
  • Cryzan Barcelos (Santa Clara) 6.11 – Os açorianos fizeram uma excelente segunda volta e muito podem agradecer a Cryzan, que fez sete golos e duas assistências, mas não teve minutos (1388) para entrar na discussão.
  • André Franco (Estoril Praia) 6.11 – A principal figura do excelente primeiro terço de época do Estoril Praia foi André Franco, que conseguiu amealhar 11 golos e quatro assistências, mas por centésimas não conseguiu desalojar Matheus Nunes.
  • Vitinha Oliveira (Braga) 6.09 – O jovem atacante do Braga “explodiu” esta temporada com excelentes exibições. Acabou sem minutos (1450) e rating para entrar nos 33, mas é de realçar a época conseguida, que lhe valeu sete golos e duas assistências.

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