O “contabilista de Auschwitz” foi condenado a quatro anos de prisão aos 94 anos

Tobias Schwarz / Pool / EPA

Oskar Groening, o “guarda-livros de Auschwitz”

Um tribunal alemão condenou esta quarta-feira um antigo oficial do regime Nazi, conhecido como “guarda-livros de Auschwitz”, a quatro anos de cadeia, naquele que é esperado ser um dos últimos julgamentos do Holocausto.

Oskar Groening, de 94 anos, mostrou-se impassível enquanto o juiz, Franz Kompisch, lia o veredito: “o arguido é considerado culpado de ser cúmplice de homicídio em 300 mil casos legalmente ligados de judeus deportados que foram enviados para as câmaras de gás em 1944.

Groening serviu de “guarda-livros” no campo de extermínio da Polónia ocupada pelos nazis, onde categorizava e contava dinheiro de diferentes moedas europeias, tirado aos que foram mortos ou usados como escravos de trabalho. O dinheiro era, posteriormente, enviado para os chefes nazis, em Berlim.

A sentença foi maior do que os três anos e meio que os promotores exigiram no tribunal no norte da cidade de Luneburgo, Alemanha, que julgava o caso desde abril passado.

Groening teve, na terça-feira, a última oportunidade para declarar em tribunal que estava “arrependido” e que “lamentava muito” o sucedido no campo de concentração, dizendo aos juízes que “ninguém devia ter participado em Auschwitz”.

“Eu sei disso. Sinceramente arrependo-me de não ter tido essa perceção mais cedo e mais consistentemente. Estou muito arrependido”, disse, com “voz vacilante”.

Um grupo de sobreviventes do Holocausto declarou, em comunicado após o veredicto, que se congratulava “com a condenação de Oskar Groening”, classificando-a como “um passo tardio em direção à justiça”.

Groening testemunhou em abril passado, e de novo este mês, que estava tão horrorizado com os crimes que presenciou no campo após a sua chegada em 1942, que apelou três vezes aos seus superiores hierárquicos para ser transferido para a frente de combate, o que não aconteceu até ao outono de 1944.

Groening reconheceu a “culpa moral”, mas disse que só o tribunal poderia pronunciar-se sobre a sua culpa legal, sete décadas após o fim do Holocausto.

Cerca de 1,1 milhões de pessoas, a maior parte judeus europeus, morreram entre 1940 e 1945 no campo de Auschwitz-Birkenau, antes de este ser libertado pelas forças soviéticas.

/Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Exactamente. Nao é justiça. Isso é vingança… Se formos agora julgar os judeus que assassinaram palestinianos ou que assistiram e não fizeram nada, não vai sobrar um….

  2. A pensar deste modo, Goering, Joseph Mengele, Joseph Goebbels, Rudolph Hess e demais pandilha eram meninos de coro que coitados, não sabiam o que faziam… Uma das maiores atrocidades do seculo XX! Em todas as eras houve perseguição, morte e expulsão de judeus… que eram basicamente comerciantes, alguns dos quais com fortunas e bens consideráveis… tão velho como o mundo o amor ao dinheiro e inveja! A religião e a politica vêm por arrasto. Com Hitler não foram só judeus, foram também os deficientes, ciganos e homossexuais. Houve experiências médicas horripilantes com mulheres grávidas, esventradas, com gémeos, crianças violentadas e Muito mais. Sim, devem ser todos castigados. Todos sabiam o que se passava, mesmo este contabilista, mas a fome de poder e o medo. Sim, não foram só as altas patentes, mesmo quem denunciava familias judias deviam ser entregues á justiça. A fome de dinheiro e poder fazem o resto! Debaixo do sol continua a não haver nada de novo…

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