Misterioso cemitério subaquático com crânios e esqueleto de bebé intriga arqueólogos

Fredrik Hallgren / Antiquity

Crânio com uma estaca de madeira espetada encontrado num cemitério subaquático na Suécia.

Arqueólogos suecos encontraram um surpreendente e macabro cemitério subaquático, constituído basicamente por crânios de adultos e pelo esqueleto de um bebé, datados de há 8 mil anos, e que deixa muitos mistérios no ar.

Este túmulo único foi encontrado no Sul da Suécia, perto de um local arqueológico conhecido como Kanaljorden, onde decorrem escavações desde 2009. Só em 2011, foram encontrados os primeiros restos humanos na zona e até agora, foram já detectados os vestígios de 10 adultos e de um bebé.

Os restos humanos encontrados são quase todos crânios, excepto um, que é o esqueleto completo de um bebé que teria entre 36 e 40 semanas, o que indicia que terá morrido à nascença ou pouco depois de nascer, referem os investigadores no artigo científico publicado este mês na revista Antiquity.

Quase todos os crânios evidenciavam a falta de ossos das mandíbulas, mas não foram encontrados sinais de remoção violenta dos mesmos. E dois tinham sinais de terem sido espetados com um pau ou uma vara, num método que era usualmente utilizado para assustar inimigos, com a exibição dos crânios como troféus.

A datação por radio-carbono coloca os vestígios no período Mesolítico, ou seja, algures entre 5500 e 6000 antes de Cristo. Todavia, os caçadores-recolectores dessa altura não eram conhecidos por levarem a cabo rituais fúnebres deste género, nota o Science Alert.

Pessoas “especiais” especificamente escolhidas

A conjuntura que envolve toda esta descoberta está a surpreender os arqueólogos envolvidos, a começar pelo local do enterro.

Este cemitério subaquático terá estado localizado no fundo de um lago pouco profundo, coberto com pedras, nas quais se terão colocado os restos humanos, possivelmente em rituais fúnebres.

As dúvidas são, neste momento, mais do que as explicações, uma vez que estamos perante um tipo de vestígios que nunca foram encontrados antes na zona da Escandinávia.

Porquê e como é que foram mortas estas pessoas do Mesolítico Europeu é um grande mistério, mas surge a ideia de que podem ter sido de algum modo “especiais”, o que justificará que tenham sido alvo de tais rituais.

Quase todos os crânios apresentavam sinais de violência, com vários golpes – os homens golpeados na parte superior da cabeça, e as mulheres na parte de trás. Mas não estamos a falar de golpes letais, já que apresentavam sinais de terem sido curados.

“O facto de a maioria dos indivíduos mostrar ferimentos curados parece ser mais do que uma coincidência e implica que eles foram especificamente escolhidos” para colocação no local ritual, salientam os investigadores no artigo científico.

Sara Gummesson / Fredrik Hallgren / Antiquity

Crânio com traumatismos curados que não foram a causa de morte dos indivíduos encontrados no cemitério subaquático na Suécia.

Neste momento, realizam-se análises de ADN para tentar perceber se havia relação entre os vestígios humanos encontrados, mas já é certo que há dois familiares entre eles.

“Não são, provavelmente, irmãos, mas podem ser primos ou familiares mais distantes”, explica em declarações a The National Geographic, o arqueólogo que lidera as escavações, Fredrik Hallgren,

“Não há sinais de decapitação”

Os investigadores encontraram indícios de que os corpos terão sido enterrados antes de os crânios terem sido desenterrados e colocados no lago.

“Não temos nenhuma evidência directa de decapitação”, explica a co-autora do estudo, Sara Gummesson, da Universidade de Estocolmo, em nota enviada à The National Geographic. “É mais provável que os crânios tenham sido separados dos corpos durante a decomposição”, acrescenta.

Sobre os sinais de violência encontrados nos crânios, os arqueólogos acreditam que podem ser consequência de “violência inter-grupal”, motivada por “guerras e invasão”. Esta teoria pode ajudar a explicar as “diferentes lesões nos homens e nas mulheres”, uma vez que “desempenhavam papéis diferentes no combate”.

A par dos vestígios humanos, e organizados em torno deles, foram também encontrados ossos de sete espécies diferentes de animais, incluindo ursos, javalis e texugos. Os corpos dos animais terão sido cortados após as mortes, mas não há sinais de que tenham sido comidos, uma vez que não há indícios de fogo nos ossos, explica o Science Alert.

Foram também descobertas mais de 400 estacas de madeira, intactas ou partidas, que podem ter sido usadas numa vedação ou muro, ou ainda como suporte para segurar crânios, humanos e de animais.

  SV, ZAP //

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