Marítimo vs Sporting | Uma parede chamada Charles

Gregório Cunha / Lusa

O Sporting recuperou apenas um ponto em relação ao Sporting de Braga, que perdeu em casa com o Belenenses este fim-de-semana.

A formação leonina não conseguiu desfazer o nulo na visita ao Marítimo, num jogo em que dominou amplamente os acontecimentos, rematou bastante, em especial no segundo tempo, mas não mostrou a eficácia desejada no momento do remate. E quando a teve, esbarrou no guarda-redes Charles.

O Jogo explicado em Números

  • O Sporting iniciou a partida a mandar claramente. À passagem do primeiro quarto-de-hora, a formação leonina registava 72% de posse de bola e os dois únicos remates do encontro, um deles enquadrado – logo aos cinco minutos, uma “bomba” de Bruno Fernandes.
  • O primeiro remate dos insulares surgiu somente aos 21 minutos, muito por cima da barra, por Getterson, no coração da grande área. E aos 23, Bas Dost esteve perto do golo, com Charles a negar o tento ao holandês.
  • A maior qualidade do Sporting neste jogo tinha reflexo claro na eficácia de passe. Os “leões” haviam completado 86% dos seus passes à passagem da meia-hora, enquanto o Marítimo não passava de parcos 52%. Destaque ofensivo para Wendel nesta fase. O brasileiro registava dois passes para finalização e um cruzamento eficaz no único que realizara, e falhara somente três passes em 28.
  • Apesar do intenso domínio visitante, expresso em 76% de posse de bola perto do intervalo, a verdade é que o Marítimo não dava muitos espaços perto da sua baliza, pelo que o Sporting somava nesta altura somente quatro remates, dois deles enquadrados, contra o disparo solitário dos madeirenses. Assim, o jogo entrou numa espécie de impasse.
  • Nulo ao descanso era o reflexo de um jogo com muito Sporting em termos de domínio da posse de bola, mas poucos espaços concedidos pelo Marítimo no último terço ofensivo.
  • Este último facto impedia os “leões” de registarem mais do que quatro remates, dois enquadrados, sendo que a formação lisboeta era claramente a mais perigosa, com a única ocasião flagrante da partida desperdiçada por Bas Dost.
  • O melhor em campo nesta fase era Rúben Ferreira. O lateral-esquerdo insular apresentava um GoalPoint Rating de 6.3, fundamentalmente pelo acerto defensivo, em especial nas intercepções, registando quatro ao intervalo.
  • Boa reentrada do Sporting no segundo tempo, bem mais agressivo e intenso nos momentos ofensivos e a criar vários lances de perigo no primeiro quarto-de-hora. Por volta dos 60 minutos, os “leões” já tinham tantos remates desde o intervalo como em todo o primeiro tempo, embora menos um enquadrado – porém, três bloqueados pelos defesas insulares, já na sua grande área.
  • Mas foi Getterson a perder a melhor ocasião do Marítimo em todo o jogo, aos 63 minutos, incapaz de concluir com sucesso ao segundo poste após uma boa defesa de Renan Ribeiro. Esta foi, aliás, a primeira vez que jogadores da casa registavam acções com bola dentro da área leonina na segunda parte.
  • Aos poucos, os comandados de Petit começaram a ter mais bola e a lançar mais transições ofensivas rápidas, chegando aos 70 minutos com quatro remates no segundo tempo, dois enquadrados, mais um que o “leão” em seis tentativas. Também no passe os insulares melhoravam, com 65% de eficácia, em contraste com os 52% na etapa inicial. O jogo começava a partir-se e Marcos Acuña destacava-se dos demais, com um rating de 6.4, com uma ocasião flagrante criada em dois passes para finalização.
  • Charles negou o golo aos 79 minutos a Bruno Fernandes, após o médio surgir sozinho à sua frente. Havia cada vez mais espaços a explorar no jogo e o Sporting parecia começar a aproveitá-los melhor, pelo que aos 80 minutos somava já dez remates no segundo tempo, três enquadrados.
  • O Sporting pressionou bastante até final, rematou muito, embora sem grande eficácia, e até final, realce apenas para o segundo amarelo e respectivo vermelho mostrado a Sebastián Coates.

O Homem do Jogo

O Marítimo segurou o nulo ante um Sporting pressionante e ofensivo. A fraca eficácia do “leão” no momento do remate não ajudou a formação lisboeta, mas o grande responsável pelo 0-0 final acabou por ser o guarda-redes do Marítimo. Charles terminou com um GoalPoint Rating de 6.4, em especial pela segunda parte que fez, na qual realizou alguma defesas de grande qualidade. Ao todo, o brasileiro parou cinco disparos leoninos, quatro deles desferidos na sua grande área. Um autêntico muro.

Jogadores em foco

  • Raphinha 6.3 – O brasileiro entrou apenas ao intervalo, mas mexeu profundamente com o futebol leonino, ao ponto de ser o melhor dos lisboetas. O extremo realizou quatro remates, embora só tenha enquadrado um, fez dois passes para finalização e completou as duas tentativas de drible.
  • Rúben Ferreira 6.2 – O melhor da primeira parte manteve um bom nível na etapa complementar, apesar da fraca eficácia de passe (só 34%). Contudo, defensivamente esteve muito certo, registando 16 acções defensivas, metade delas intercepções.
  • René Santos 6.1 – O “trinco” dos insulares foi um dos principais obstáculos para o “leão”. O brasileiro esteve particularmente atento às sobras, terminando a partida com dez recuperações de posse, máximo do jogo.
  • Marcos Acuña 6.0 – Na primeira parte actuou a médio-esquerdo, na segunda recuou para lateral. O argentino criou uma ocasião flagrante em dois passes para finalização, concluiu duas de quatro tentativas de drible e recuperou nove vezes a posse de bola.
  • Bruno Fernandes 5.9 – Desta feita o médio não decidiu, mas não deixou de ser um perigo à solta. Ao todo realizou quatro remates, enquadrou dois, somou quatro passes para finalização, teve eficácia em dois de três cruzamentos e foi o mais interventivo, com 95 acções com bola. Pecou nas perdas de posse (35), desarmes sofridos (4) e maus controlos de posse (3).

Resumo

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