Mais de mil atletas russos envolvidos em escândalo de doping entre 2011 e 2015

Lim CK / Flickr

As russas Evgeniya Polyakova, Aleksandra Fedoriva, Yulia Gushchina e Yuliya Chermoshanskaya nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008

O investigador canadiano Richard McLaren anunciou esta sexta-feira que encontrou “fortes provas de doping institucionalizado” na Rússia, que envolveram mais de mil atletas russos de 30 modalidades, no período compreendido entre 2011 e 2015.

Durante a apresentação do relatório final, em Londres, McLaren denunciou que o sistema generalizado de distribuição de doping na Rússia, com conhecimento e apoio estatal, abrangeu, entre outros eventos, os Jogos Olímpicos de Londres 2012 e Socchi 2014 (Inverno).

“Esta conspiração que visava a manipulação dos controlos antidoping contava com a participação do ministro dos Desportos e de serviços como a Agência Russa de Antidopagem [Rusada], o laboratório antidoping de Moscovo e dos serviços secretos”, indicou o professor de direito canadiano designado pela Agência Mundial Antidoping para investigar as suspeitas de uma rede de doping que controlava o desporto na Rússia.

“Os atletas não agiam individualmente, mas dentro de uma estrutura organizada, numa conspiração a uma escala sem precedentes desde 2011”, defende o Relatório McLaren.

A primeira versão do relatório, divulgada em julho, circunscrevia-se à análise da situação do doping na Rússia relativamente à participação em Socchi 2014, mas as conclusões finais indicam que a fraude desportiva se estendeu a outras grandes competições internacionais.

“A manipulação sistemática dos resultados dos testes antidoping foi evoluindo e tornando-se cada vez mais aperfeiçoada, abrangendo também os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, as Universíadas, os Mundiais de atletismo, em Moscovo, ambos em 2013”, indica o relatório.

As conclusões da investigação apontam para que mais de mil atletas russos de várias modalidades, referentes a desportos de verão, de inverno e paralímpicos, tenham beneficiado da manipulação dos controlos antidoping para evitar que estes se revelassem positivos.

“Durante anos, várias competições desportivas internacionais foram sequestradas pelos russos. Treinadores e atletas tiveram de competir de forma desigual e desleal. Adeptos e espetadores foram enganados”, acusou.

O próprio ex-ministro dos Desportos da Rússia, Vitaly Mutko, teve “participação ativa” neste sistema, que teve a assistência dos serviços secretos nos laboratórios antidopagem de Moscovo e Socchi.

De acordo com McLaren, em alguns casos, “foram adicionados sal e café às amostras de urina”, num processo dirigido pelo ex-diretor do laboratório de Moscovo, Grigory Rodchenkov, com o objetivo de falsificar os resultados.

Segundo o investigador canadiano, a estratégia estatal visava a obtenção de resultados de excelência, em especial em Socchi, pois a utilização de doping “proporcionaria aos melhores atletas da Rússia, país anfitrião dos Jogos, maiores possibilidades de conquistar medalhas”.

A primeira versão do relatório, que as autoridades da Rússia – que conquistou 24 medalhas de ouro, 26 de prata e 32 de bronze em Londres 2012 – sempre alegaram estar incompleto e conter imprecisões, levou à exclusão de mais de 100 atletas dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

ZAP / Lusa

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