Mais de metade dos alunos reprovaram em exame “anómalo” de Anatomia

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COD Newsroom / Flickr

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Mais de metade dos alunos do 2º ano de Medicina da Universidade de Lisboa não conseguiram passar no exame de anatomia clínica. É uma situação inédita, pelo que a instituição teve de abrir um inquérito para perceber o que se passou.

Segundo o Expresso, dos 357 alunos sujeitos ao exame de anatomia clínica, do segundo ano da Faculdade de Medicina de Lisboa, mais de metade chumbou.

“Ficámos estupefactos. É uma cadeira básica para um médico“, confessa António Gonçalves Ferreira, coordenador da disciplina, ao semanário.

Tanto no exame teórico como no prático, as notas negativas ficaram acima dos 50%, algo que nunca tinha acontecido. Normalmente, conforme a disciplina, a taxa de reprovação varia apenas entre 5% e 15%.

“Na prova teórica chumbou mais de metade e estávamos à espera que o resultado melhorasse na avaliação prática mas foi outra desgraça“, diz o responsável.

“Nunca tinha acontecido, pelo que foi objeto de reflexão”, afirma ao semanário Ivo Furtado, regente da disciplina de anatomia clínica. Segundo o coordenador da disciplina, foi uma situação tão “anómala” que teve de ser “constituída uma comissão de análise, dirigida pelo presidente do Conselho Pedagógico da FML”.

A resposta para estes resultados foi encontrada já este mês. Uma prova difícil, conjugada com pouco estudo, terão sido os principais culpados, conta o Expresso.

“A matéria foi dada com pormenor talvez excessivo, os alunos não acompanharam a disciplina nas aulas teóricas, a dificuldade das perguntas foi definida para cima, muitas perguntas e questões complexas para responder em quatro a cinco minutos na avaliação prática e imagens de imagiologia dadas com pormenor apenas nas aulas teóricas”, explica António Gonçalves Ferreira.

As mudanças curriculares, para que a disciplina acompanhe a reestruturação de Bolonha, também fazem com que a exigência aumente. “A exigência é maior nos dois primeiros anos, há a biologia molecular, a genética… e as ‘velhinhas’ fisiologia e anatomia têm mesmo assim de manter um nível mínimo de exigência porque são indispensáveis para ser-se médico”, afirma ainda.

Entretanto, os desvios identificados pela comissão de análise foram corrigidos e a taxa final de reprovação foi de 4,4%, “um bom resultado”, na perspetiva do regente da cadeira.

Uma situação que pode ser um alerta no que toca à qualidade dos alunos, uma vez que “só se aumentou um pouco a dificuldade e o resultado não foi bom”. “Dá que pensar sobre a grande capacidade com que os alunos vêm rotulados”, declara António Gonçalves Ferreira.

ZAP //

17 COMENTÁRIOS

  1. Reprovaram demasiados por causa de “pouco estudo”, resolve-se mudando o exame para ter resultados dentro da media??

    Quase parece ridículo, mas houve uma comissão a analisar esta situação
    A casa está a arder? Aumenta-se a casa

  2. À partida os melhores alunos vão para medicina, algo correu mal, não se pode fazer um inquérito e chegar à conclusão que todos os alunos não estudaram para aquela disciplina, isso é um atestado de incompetência a quem fez o inquérito que certamente procurou defender o “outro erro” que fez com que as notas fossem más. Isto apenas prova que os inquéritos para nada servem e os resultados são encomendados.

  3. DE certeza que o mal não está nos Alunos, pois com alunos que passam a vida a estudar , isto não deveria acontecer. O MAL SIM ESTÁ no professor Regente e nos seus assistentes que se JULGAM DEUSES e ILUMINADOS e que pouco OU NADA TRABALHAM . O que fazem é obrigar os alunos a desenrascarem-se com o estudo em casa e depois para mostrarem a sua AUTORIDADE fazem testes dificeis que NEM ELES SABERIAM RESPONDER Se não tivessem as respostas nos livros e é fácil de provar. DEIXEM SER OS ALUNOS A FAZER OS TESTES e os professores a responder, mas sem verem os livros. O RESULTADO por certo seria um DESASTRE BEM MAIOR doq ue este . EXPERIMENTEM

  4. oh por favor. em Direito uma cadeira fácil tem 90% de reprovações, uma média tem 95% e uma difícil tem 98 a 99% e esta gente admira-se porque chumbaram 50% dos alunos de medicina? só não chumba mais porque não fazem os exames com o grau de exigência que deveriam.

  5. «As mudanças curriculares, para que a disciplina acompanhe a reestruturação de Bolonha, também fazem com que a exigência aumente.»
    Assim até parece que o curso de medicina português era de pior qualidade e que com Bolonha ficou melhor… Discordo completamente. Tendo estudado em dois países diferentes, garanto que, pelo menos no final dos anos 90, o pior aluno de anatomia português que passasse na cadeira, dava um bailinho ao melhor aluno de anatomia de qualquer outro país europeu. E em termos de Medicina prática, posso confirmar que os médicos portugueses são mesmo dos melhores que há. Temos hospitais a cair de podre, urgências sobre-lotadas tipo terceiro mundo, é verdade, mas pensamos, diagnosticamos e tratamos os doentes como muito pouca gente faz por esse mundo fora, e com muito menos recursos. Há ovelhas negras? Como em todas as profissões, há, e essas é que deviam ser mais facilmente eliminadas, pois são quem dão má fama à classe médica e aparecem na TVI. Agora com a «uniformização de Bolonha», aí sim, vejo o curso de medicina português actual perder qualidade e serem reduzidas as exigências para estarmos iguais à restante Europa.
    E quanto aos chumbos, olha, repitam o exame os que chumbaram, estudem mais se o Prof lhes exigiu mais. Culpar o professor por não saber responder a perguntas de anatomia? Anatomia é anatomia, não há interpretações diferentes disto ou daquilo. Ou é ou não é. E tem de se marrar, marrar, marrar até se saber aquilo tudo. E se chumbarem, marrem mais até dar. Nunca mais me esqueci do meu Prof de anatomia me dizer: Se não conseguires falar pelo menos uma hora sobre o esfenóide, ou falas muito rápido ou não sabes nada.

  6. Muito curioso o truque jornalístico de transferir o adjectivo de anomalia de “situação” para “exame”. Uma intenção bem clara.
    Ah, e alguém anda a arredondar percentagens mal.
    Se não fosse um assunto tão sério, até dava para rir.

    • Caro Alferes Batalha,
      Sem prejuízo de estar ou não, mais ou menos, correcto o uso do adjectivo com o sujeito em causa, pode por favor explicar-nos a todos, incluindo ao jornalista que fez o título, qual era exactamente essa “intenção bem clara”?

      • Caro ou Cara ZAP,
        Quando a palavra «anómala» é citada para uma «situação» (que, no contexto, diz respeito aos resultados e não exame em si) mas no título se usa «anómalo» (com aspas, portanto a indicar citação) para «exame», não é lapso, é uma distorção intencional.

        • Caro Alferes Batalha,
          Não respondeu à nossa questão, limitou-se a explicar de forma mais verbosa a sua insinuação. Mas para que tenha havido uma “distorção intencional”, tem que haver uma intenção que a distorção sirva.
          E os nossos leitores estão seguramente muito interessados em conhecer as nossas “intenções”.
          Faça-nos então o favor de clarificar: qual é a “intenção bem clara” que temos, que intenção é essa que temos com a “distorção intencional”? Consegue explicar?

            • Essa é, ao que parece, a diferença entre os “autores de notícias” e os “comentadores”: os “comentadores” podem, impunemente, fazer uma insinuação sem a fundamentar.

  7. Em França o acesso ao 1º ano de medicina é para quem quer, e é comum a farmácia. Ao final do ano há o exame de passagem para o 2º ano. Aí só 1/4 passam. Só se pode chumbar 1 vez.(Dados do meu afilhado da faculdade de medicina de Angers).
    Essa situação permite de filtrar os que tem capacidade intelectual mas sobretudo os que tem capacidade de trabalho. E não é necessário ter frequentado 1 escola privada para ter médias elevadas para concorrer e entrar. Qualquer 1 pode ir no anfiteatro para seguir as aulas do 1º ano, mas só quem realmente é competente e muito trabalhador é que segue para o 2º ano. A selecção é feita na massa e não na secretária.

  8. Vergonha! Continuam a fazer na Faculdade de Medicina o que fazem até lá chegarem. Nivelam por baixo para haver “sucesso”. A verdade é que as notas inflacionadas ficam como balões vazios quando chegam à Faculdade. Os 19 não correspondem nem ao 14 antigo e depois “espalham-se” nas cadeiras. E os doentes? Ninguém se importa. O que é preciso é fazer de conta que há um falso “sucesso” escolar. Cambada!

  9. Mais de 80% dos alunos da cadeira de morfofisiologoa do aparelho locomotor (inclui anatomia) reprovaram no primeiro ano do curso de medicina da FMUP!!!! MediAs de entrada superiores a 18.4!!!! Será dos alunos ?

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