Mais de 35% dos casais discutem devido a questões financeiras

 

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Um questionário realizado por um projeto de investigação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra mostra que mais de 35% dos casais com filhos criam conflitos em torno de questões financeiras.

Cerca de 80% referem que a crise afetou “significativamente” o orçamento familiar, tendo quase dois terços dos inquiridos referido que “deixaram de sair ou de se divertir” e mais de 25% “procura mais vezes o médico por problemas emocionais, de ansiedade ou insónias”, disse à agência Lusa Lina Coelho, coordenadora do projeto “FINFAM – Finanças, Género e Poder: como estão as famílias portuguesas a gerir as suas finanças no contexto da crise?”.

O projeto, que apenas se centra em casais com filhos, conclui também que 50% das famílias “tiveram que recorrer às poupanças para despesa corrente“, tendo 27,5% dos inquiridos referido que “a crise os levou a endividarem-se”. Dos que se endividaram, cerca de metade recorreu ao banco e metade à família, tendo havido também o recurso de famílias aos dois meios, explica Lina Coelho.

Nesta “radiografia dos impactos da crise nas famílias”, mostra-se que mais de 50% das famílias reduziram a despesa no vestuário, viagens, restaurantes e aparelhos eletrónicos e eletrodomésticos e cerca de 10% cortaram na saúde e na educação. Um dado “preocupante” é também a redução de gastos nos serviços de apoio a dependentes, idosos e pessoas com deficiência.

Segundo o questionário do projeto, dos mais de 200 inquiridos (de 1.001) que tinham a seu cargo pessoas com deficiência ou idosos, 40% “afirmam que reduziram nos serviços de apoio, o que significa que estes cidadãos terão sido muito penalizados pela crise”, frisa a investigadora. Também na alimentação, 20% dos casais referiram que reduziram a despesa, tendo também um terço das famílias registado uma diminuição nos transportes e em comunicações.

No plano laboral, cerca de 24% dos casais passaram a trabalhar mais horas e um terço viu o seu salário ser reduzido, aponta ainda o projeto de investigação. Das 1.001 famílias questionadas, 73% pagam prestação de empréstimos, sendo 87% dos mesmos para crédito à habitação, avança Lina Coelho, sublinhando que mais de metade dos inquiridos declara que a prestação é “um fardo pesado ou muito pesado“. Os 20% que referem que a crise não afetou o seu orçamento “são de baixa escolaridade” e a grande maioria está empregada, sendo “pessoas que já viviam num limiar de sobrevivência e que no contexto da crise não são muito afetadas”.

Contudo, “há um impacto enorme de crise”, observa a economista, sublinhando que as famílias com filhos – o objeto de estudo do projeto – “têm sofrido bastante” nos últimos três anos. Numa altura em que se fala de políticas de promoção de natalidade, “tudo leva a crer que ter filhos tem um custo muito elevado” no atual contexto, sendo “arriscadíssimo ter filhos” por “pôr a qualidade de vida dos casais e dos filhos em risco”, afirmou. O projeto FINFAM, que começou em 2013 e termina em 2015, reúne uma equipa transdisciplinar de sociólogos, economistas, psicólogos e uma jurista.

/Lusa

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