Líderes da UE juntam-se na Roménia num esforço de unidade antes das eleições europeias

EPP / Flickr

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia

Em plena campanha para as eleições europeias de 23 a 26 de maio, chefes de Estado e Governo da UE querem fazer mostra de unidade, no Conselho Europeu desta quinta-feira, Dia da Europa, em Sibiu, na Roménia.

A reunião foi originalmente pensada como um marco da legislatura que está prestes a terminar: desde o discurso sobre o Estado da União de 2017, e da aprovação da Declaração de Roma, que a Comissão anda a promover a #EURoad2Sibiu no âmbito da Agenda de Líderes, a lista dos desafios que exigem uma resposta unida, noticiou o Público.

Segundo o plano, a cimeira informal, agendada simbolicamente para o Dia da Europa, seria uma ocasião especial para o balanço do caminho percorrido por Jean-Claude Juncker e a sua equipa nos últimos cinco anos, e uma oportunidade de ouro para relançar o projeto europeu e projetar o futuro da União após o “Brexit”.

Mas, afinal, a saída do Reino Unido não aconteceu a 29 de Março, e corre o risco de voltar a ser adiada se até outubro não se desfizer o impasse político em Londres. A Comissão pode igualmente acabar por se manter em funções para além do prazo previsto, se o resultado das eleições europeias for tão fragmentado como as sondagens sugerem.

“Vamos reunir em Sibiu no Dia da Europa para discutir planos que serão estratégicos para a União nos próximos anos. Nesse contexto, proponho que adotemos uma Declaração de Sibiu, enviando uma mensagem de unidade e confiança nas nossas ações conjuntas”, escreveu o presidente do Conselho, Donald Tusk, na carta de convite para o encontro.

Como traduzia uma fonte diplomática, na véspera da cimeira, já não se trata de “tomar decisões épicas” sobre o futuro da União, mas antes de reforçar a mensagem de unidade entre os membros da UE e de determinação em responder aos anseios das populações e encontrar soluções para os desafios.

“O mundo ao nosso redor parece mais instável a cada dia que passa. Tudo está a mudar: a economia, o clima, a geopolítica, criando novos desafios mas também novas oportunidades”, assinalou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, antes da partida de Bruxelas para Sibiu.

Recorrendo à sua experiência, deixou uma sugestão aos líderes: “Nenhuma estratégia resulta se não houver um foco. O que temos é de identificar as coisas que são realmente importantes e que podem ser resolvidas a nível europeu. Se quisermos fazer tudo, acabaremos por não fazer nada”, avisou.

Na declaração final da cimeira, que já não deverá sofrer grandes alterações face ao rascunho negociado entre a Comissão, o Conselho e as capitais, os líderes deverão enumerar as prioridades para a ação política nos próximos cinco anos (o documento de trabalho circulou por Bruxelas designava-as como “os dez mandamentos”).

A abordagem de Donald Tusk foi identificar quatro grandes pilares: a proteção dos cidadãos e das liberdades; o desenvolvimento de uma nova nova base económica, com um modelo económico; a construção de um futuro mais verde, mais justo e mais inclusivo, e a promoção dos valores e interesses europeus no mundo.

Para Jean-Claude Juncker, ultrapassado o tumulto da crise do euro, a tónica dos próximos anos deve ser posta no “aprofundamento da dimensão social da União”, e também no “fortalecimento do papel da Europa como líder global responsável” – sobretudo no atual cenário de instabilidade, competição e confronto entre Estados Unidos, a Rússia e a China.

O objetivo é assegurar a segurança,a  independência, a competitividade e a sustentabilidade da UE, tanto do ponto de vista diplomático e militar, como também económico e financeiro, industrial, digital, ambiental e científico.

De acordo com o Público, os líderes também deverão reassumir o compromisso em trabalhar para colmatar as desigualdades regionais e as disparidades sociais e económicas, proteger os direitos das minorias e combater as intolerâncias, e promover a economia circular e o consumo responsável.

Outro tema digno de nota é a demografia: o envelhecimento da população é apontado como um grande desafio, que leva a uma discussão mais difícil sobre políticas migratórias. Mas o detalhe deverá ficar para reuniões futuras. Sem o “Brexit” a atrapalhar a cimeira, os líderes não vão querer estragar a mensagem de unidade, por exemplo com a discussão de quotas de redistribuição de refugiados, concluiu o Público.

Cerimónia do Brexit

O lado caricato desta cimeira, indicou o Diário de Notícias, é que chegou a ser agendada para 30 de março, acompanhando a ideia lançada por Jean-Claude Juncker de discutir a União pós-“Brexit”.

Só não foi agendada para aquela data, por alguém na equipa de o presidente ter percebido que a uma reunião magna, no dia a seguir à saída do Reino Unido da UE, podia ser lida como uma forma de celebrar o “Brexit”. O encontro acabou por ser empurrado para o dia 09 de maio – Dia da Europa.

Segundo o artigo, era neste encontro que a UE queria despedir-se do Reino Unido. Mas a caminhada cambaleante do país vai continuar, pelo menos por mais cinco meses, que só a 31 de outubro pensa ter condições para terminar os laços com a União.

Olivier Hoslet / EPA

A primeira-ministra britânica, Theresa May, com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker

Entretanto, Theresa May, que não foi convidada para a cimeira, já convocou eleições europeias para 23 de maio. De acordo com sondagens, os partidos eurocéticos lideram. Com dados agregados apresentados pelo Parlamento Europeu, Nigel Farage volta a liderar.

Agora com o seu novo Partido do Brexit – que reúne 30% das preferências do eleitorado britânico -, o candidato pode até reforçar a votação alcançada em 2014, quando era líder do Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP), que agora alcança 4% das intenções de voto.

Juntos, os dois partidos poderão alcançar mais de um terço do número de eurodeputados britânicos (73 ao todo), notou o Diário de Notícias.

TP, ZAP //

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