A horta do fim do mundo. Alfaces, rúcula e salsa produzidas na Antártida

Na ilha de Marambio, na Península da Antártida, onde as temperaturas máximas oscilam entre os 11 e os 40 graus negativos, um grupo de cientistas argentinos está desde maio a produzir alfaces, rúcula e salsa.

É no Módulo Antártico de Produção Hidropónica – idealizado em 2017 e criado em 2018 – que a equipa do Instituto Nacional de Tecnologia Agro-pecuária e da Universidade Nacional da Patagónia Austral têm produzidos as hortícolas, através de um sistema hidropónico – sem terra, só com água e soluções nutritivas que compensam a ausência dos nutrientes naturalmente presentes no solo.

“A Antártida é um pouco como Marte”, disse ao En Estos Días Jorge Birgi, o investigador que lidera o projeto, indicando a comunidade científica internacional está de olhos postos em Marambio precisamente pelas possibilidades que abre.

O módulo é um contentor marítimo, anteriormente usado como armazém, forrado com uma capa isoladora e que incorpora estantes, luzes, bombas de água, sensores, câmaras de alta resolução, instrumentos telemétricos que permitem controlar as condições de segurança, a humidade e a água.

A primeira colheita da produção hidropónica decorreu em maio. Num jantar foi servida pizza de presunto e mozarela com rúcula, uma novidade na Antártida. No dia seguinte, houve folhas de alface disponíveis para pôr no meio de sandes.

“Comemos muitos hidratos de carbono, coisas congeladas que têm muito sódio”, comentou ao Meteored o diretor de assuntos antárticos da Força Aérea argentina, Enrique Videla. Entre abril e novembro a Antártida torna-se praticamente intransitável, impedindo os reabastecimentos. A grande maioria dos legumes que se consome naquela e noutras bases é congelada ou enlatada.

“O que queremos na base Marambio é ser mais sustentáveis em tudo: energias renováveis, menos consumo de combustíveis fósseis e com o cultivo hidropónico conseguimos melhorar a qualidade de vida”, disse ainda Videla.

A ilha de Marambio foi descoberta em 1843, no Mar de Weddell. Cerca de um século depois, a Argentina começou a procurar um local no continente em que pudessem aterrar aviões e encontrou um planalto, cerca de 200 metros acima do nível do mar. A construção da pista de aterragem começou em 1969.

A ilha deve o seu nome a Gustavo Marambio, oficial da Força Aérea argentina que realizou alguns dos primeiros voos sobre a Antártida. É uma das seis bases permanentes da Argentina na Antártida e é usada para lançar operações de busca e salvamento e para transporte de pessoas e cargas. No inverno conta com 70 a 80 pessoas, sobretudo militares e meteorologistas, e no verão cerca de 200.

  ZAP //

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