Frances Haugen quer treinar advogados para combater o Facebook

Heinrich-Böll-Stiftung / Flickr

Frances Haugen, ex-funcionária do Facebok.

Frances Haugen já tinha divulgado documentos confidenciais da empresa de Mark Zuckerberg e testemunhado sobre a rede social.

Frances Haugen trabalhava no Facebook e chegou a divulgar documentos e dados internos, bem como testemunhar sobre o comportamento da rede social.

Pretende agora iniciar uma ação sem fins lucrativos centrada na responsabilização de empresas como a Meta, de acordo com o Politico.

A organização, que Haugen quer chamar Beyond the Screen, planeia concentrar-se em três objetivos principais: educar advogados para ir contra empresas de comunicação social, incentivar os investidores a analisarem o quanto uma empresa de tecnologia é socialmente responsável antes de investirem, e dar aos reguladores e investigadores um olhar interno sobre a forma como as plataformas funcionam.

Segundo o Politico, Haugen está atualmente a trabalhar com duas outras pessoas no projeto, e procura angariar cerca de 5 milhões de dólares em financiamento para o pôr em prática. A ex-funcionária do Facebook já recebeu pelo menos algum financiamento de alguns investidores anónimos.

Haugen espera que Beyond the Screen possa dar aos advogados uma ajuda, quando estiverem envolvidos em processos de ação coletiva contra gigantes dos meios de comunicação social, certificando-se de que sabem o que procurar nesses casos.

Espera também criar uma métrica que os investidores possam utilizar para comparar o quão bem as empresas fazem para manter os seus utilizadores seguros.

Assim, terão uma forma de justificar por que razão estão a desinvestir de uma empresa que pode ser boa nos negócios, mas má para a sociedade.

Haugen pretende ainda criar uma rede social falsa, que pode ser utilizada para demonstrar e testar como funcionam as plataformas e os algoritmos.

O objetivo é que uma plataforma simulada ajude as pessoas a compreender melhor como as empresas funcionam, sem que essas empresas tenham de estar envolvidas.

Este pode ser um fator positivo para os investigadores, que já tiveram de lidar com empresas como o Facebook e outras a fornecer dados imprecisos.

Esta parece ser uma versão melhorada de um conceito sobre o qual Haugen contou à Vogue, no ano passado. Explicou que queria construir “uma rede social de código aberto para estudantes de todas as idades aprenderem e experimentarem”.

Haugen realça que o seu objetivo é chegar a um ponto em que este projeto já não seja necessário. “A minha maior esperança é que eu já não seja relevante”, disse.

Mas pode demorar algum tempo até isso acontecer. Como a própria salienta, há países onde o Facebook corresponde a toda a Internet.

Enquanto é pressionada por legislação nos EUA e na UE, afirma querer que o Beyond the Screen se concentre também no resto do mundo. Isso significará, provavelmente, tentar pressionar no sentido da mudança em locais onde muito do trabalho de base ainda não foi feito, o que deverá ser um esforço monumental.

  ZAP //

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