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Flores precisaram de cerca de 50 milhões de anos para se tornarem o que são hoje

As plantas com flor evoluíram há cerca de 100 milhões de anos, mas precisaram de outros 50 milhões de anos para diversificar e tornarem-se aquilo que são hoje, sugere uma equipa de investigadores.

Os cientistas documentaram a evolução das famílias de plantas com flor e descobriram um padrão em que a diversificação aconteceu muito tempo após a sua criação. Em média, esse atraso levou entre 37 e 56 milhões de anos. Além disso, descobriram que as famílias de plantas que vivem em regiões temperadas e áridas tinham atrasos mais curtos. Isto sugere uma eventual interação entre inovação evolutiva e ecologia.

Hervé Sauquet, do Instituto Australiano de Ciência Botânica, coordenou um conjunto de dados de 238 fósseis de angiospermas, plantas com flor. “Os fósseis são as evidências mais cruciais necessárias para entender essas importantes questões evolutivas em torno dos tempos de divergência dos angiospermas”, disse Sauquet, citado pelo Scimex.

Em estudos anteriores, a amostra de fósseis de angiospermas era muito menor, levando a uma menor precisão no intervalo de tempo.

Os investigadores também analisaram a distribuição geográfica das plantas existentes e analisaram como é que as idades das famílias de angiospermas foram distribuídas em todo o mundo.

O autor do estudo, Santiago Ramírez-Barahona, disse que agora temos a confirmação mais abrangente até ao momento de que as angiospermas originaram de ambientes tropicais.

“Mas há uma reviravolta: embora os ecossistemas tropicais sejam o lar de famílias antigas, os nossos resultados sugerem que as florestas tropicais dominadas por angiospermas de hoje são um desenvolvimento relativamente recente na história da Terra”, disse Ramírez-Barahona.

O estudo, publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Ecology & Evolution, sustenta a ideia de que o domínio ecológico das espécies floridas modernas foi adiado para depois da extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos, salienta o coautora Susana Magallón.

Por sua vez, Sauquet disse que o novo estudo revela novos aspetos temporais e geográficos cruciais das fases mais críticas da evolução dos angiospermas após a sua origem.

“Durante este período, as plantas com flor passaram a ser o grupo dominante e mais importante de plantas terrestres – a principal fonte de alimento para a maioria dos organismos na Terra e praticamente todas as culturas agrícolas humanas”, disse Sauquet.

  ZAP //

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