Fezes de morcego ajudam a decifrar o passado da humanidade

Uma equipa de investigadores australianos usou fezes de morcego para ajudar a entender uma parte do passado dos nossos ancestrais.

Para perceber melhor como é que artefactos antigos são alterados pelo sedimento em que estão enterrados durante milhares de anos, uma equipa de investigadores levou a cabo uma experiência bizarra. Os arqueólogos australianos enterraram ossos, pedras, carvão e outros objetos em guano de morcego, cozinharam-no e verificaram as mudanças.

Guano é um adubo de substâncias orgânicas, particularmente excremento de aves ou morcegos.

Os autores estão a procurar expandir o nosso conhecimento sobre os primeiros humanos modernos a chegar ao sudeste da Ásia.

“A nossa experiência com cocó de morcego pode parecer ciência louca, mas está a ajudar a preencher lacunas na história do povoamento do sudeste asiático nas últimas dezenas de milhares de anos”, disse o autor principal do estudo, Conor McAdams, citado pela Phys.

Como as cavernas ocupadas no passado pelos nossos ancestrais humanos também eram, muitas vezes, ocupadas por morcegos, não é incomum encontrar artefactos arqueológicos enterrados em guano.

A ideia para a experiência surgiu numa escavação arqueológica na caverna Con Moong, no Vietname. Lá, a camada de guano de morcego tinha quase quatro metros de espessura.

“Queríamos entender como era o meio ambiente, há milhares de anos, na caverna Con Moong”, disse McAdams.

Os investigadores queriam entender como é que o ambiente pode ter mudado e se vestígios arqueológicos podem ter sido destruídos como resultado dessas mudanças ou da presença de guano de morcego.

O guano, realça McAdams, é conhecido por se tornar ácido e destruir materiais arqueológicos. Em contrapartida também forma minerais de fosfato, que podem ser úteis como indicadores ambientais.

Na sua experiência, os investigadores notaram que “todos os materiais foram sujeitos a mudanças surpreendentemente rápidas, especialmente osso e calcário”. Além disso, verificaram que esses materiais mudavam quimicamente de mês para mês e que qualquer material arqueológico enterrado nestas condições dificilmente sobreviveria.

Assim, os resultados do estudo publicado na revista Journal of Archaeological Science sugerem que as bactérias desempenham um papel importante na destruição de materiais arqueológicos sob estas condições.

Daniel Costa, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Agora imaginem daqui a milhares de anos, descobrirem as fezes do Sócrates… o que encontrariam? Mais do mesmo. Certamente…

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