Uma estranha criatura parecida com um peixe pode ser um dos nossos antepassados

Smokeybjb / Wikimedia

 

Os cientistas acreditam que o animal Palaeospondylus gunni foi um dos primeiros antepassados dos tetrápodes, ou seja, dos animais com quatro membros.

Pode um animal semelhante a um peixe ser um dos antepassados dos humanos? Os cientistas estão convencidos de que sim e explicaram porquê num novo estudo publicado na Nature.

Chama-se Palaeospondylus gunni e já está extinta, mas isso não impede esta misteriosa espécie de intrigar os cientistas estejam há já mais de um século, desde a sua descoberta em 1890. O animal viveu há aproximadamente 390 milhões de anos, durante o período Devoniano Médio.

Uma nova análise a fósseis bem-preservados recorreu a novas técnicas que fazem segmentações 3D de alta resolução e concluiu indicou que a espécie é um dos antepassados mais antigos dos tetrápodes — animais com quatro membros, grupo onde se inclui os humanos.

Os danos aos fósseis e o tamanho pequeno do animal dificultavam imenso a reconstrução da anatomia do crânio da espécie, o que ajuda a explicar as dificuldades centenárias na classificação do animal.

Essas dificuldades foram agora resolvidas com a análise a exemplares fósseis únicos, que ainda tinham as cabeças perfeitamente embutidas nas rochas. Os investigadores debruçaram-se sobre os fósseis com tomografia micro-computarizada com raios-X síncrotron e encontraram três canais curvados, consistentes com o interior das orelhas de vertebrados com maxilares.

Outras características do crânio do Palaeospondylus assemelhavam-se aos crânios de dois peixes quase contemporâneos do animal — Eusthenopteron e Panderichthys. Ambos estes animais pertencem ao táxon de peixes com barbatanas lobadas — e todos os tetrápodes evoluíram a partir destes peixes

No entanto, há um problema nesta hipótese. A falta de dentes e ossos dérmicos na Palaeospondylus não é consistente com os tetrapodomorfos, que geralmente têm estas características. Não se sabe se os dentes e os maxilares simplesmente demoraram mais tempo para se desenvolverem ou se se perderam inteiramente.

No futuro, a equipa espera continuar a investigar esta misteriosa criatura para responder a esta e outras questões que ainda não têm resposta.

  ZAP //

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