Um ratinho percebeu que envelhecer não é (só) culpa da idade

sibya / Pixabay

A transfusão de sangue de um rato velho aumentou o número de células senescentes num rato novo — o que sugere que o envelhecimento não acontece apenas devido ao desgaste dos anos a passar.

Cientistas da Universidade da Califórnia realizaram transfusões de sangue de ratos mais velhos para ratos mais jovens, e descobriram que a operação desencadeia o envelhecimento no corpo dos mais jovens.

O resultado da pesquisa, publicada em julho na Nature Metabolism, permite concluir que a degeneração celular não é apenas culpa da idade.

Os cientistas tinham já conhecimento de que ligar cirurgicamente roedores mais idosos aos mais jovens causa um rejuvenescimento dos mais velhos.

Embora se conhecesse o benefício que isso causava nos ratos mais velhos, o efeito da ligação no dador mais novo era incerto.

Para analisar esse efeito, uma equipa de investigadores liderada por Irina Conboy, professora de bioengenharia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, realizou  transfusões de sangue de ratos mais velhos para ratos mais jovens.

No decorrer do estudo, sangue de roedores com quase 2 anos foi retirado e inoculado em ratinhos com 3 meses.

Após duas semanas, verificou-se um aumento do número de células senescentes, ou seja, células danificadas que deixaram de se dividir — mas que não morrem.

Este tipo de células podem ser encontradas no fígado, rins e músculos, sendo normal que se acumulem à medida que envelhecemos — processo que, nos humanos, tem início após alguns anos de vida.

Além do aumento do número de células senescentes, os autores do estudo identificaram ainda maior fraqueza nos ratos jovens que receberam a transfusão.

O estudo permitiu concluir que a ocorrência destas células pode ser induzida em animais mais novos, independentemente do envelhecimento cronológico.

“A senescência das células é apenas parte do processo de envelhecimento”, explicou Conboy, citada pela New Scientist.

O estudo, dizem os cientistas, abre novos horizontes e ajuda a explicar por que motivo os senolíticos — medicamentos que purificam as células senescentes no corpo — não têm o sucesso que se esperava nos testes clínicos.

Há diversas pesquisas em curso para estudar também o uso destes medicamentos como potencial tratamento contra o cancro.

  ZAP //

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