Dois terços dos animais selvagens podem desaparecer até 2020

kohlmann.sascha / Flickr

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A vida selvagem global pode sofrer uma redução de até 67%, até ao final desta década, devido às atividades humanas, alerta um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) divulgado esta quinta-feira.

O relatório Planeta Vivo, indica que os humanos estão a subjugar o planeta de uma forma “sem precedentes” na história da Terra, e sublinha que as mudanças necessárias se devem centrar na forma como as sociedades se abastecem e alimentam.

A organização não-governamental refere que as populações globais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decresceram 58% entre 1970 e 2012 – o que pode implicar uma redução, em dois terços, das populações globais de animais até 2020.

O documento ressalva, no entanto, que 2020 é também “um ano de grandes promessas”, com o início dos compromissos assumidos no acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa e a obrigatoriedade das primeiras ações ambientais no âmbito do novo plano de desenvolvimento sustentável do planeta.

Estas medidas, a par do cumprimento dos objetivos internacionais de biodiversidade estabelecidos para 2020, poderão contribuir para garantir as reformas necessárias nos sistemas de produção de alimentos e de energia para proteger a vida selvagem em todo o mundo, sustenta a WWF.

“A vida selvagem está a desaparecer nas nossas vidas a um ritmo sem precedentes”, assinala Marco Lambertini, diretor geral da WWF Internacional.

Lambertini destaca ainda que a humanidade possui as “ferramentas” necessárias para corrigir este problema, que deverão ser utilizadas de imediato “se encaramos seriamente a preservação de um planeta vivo que garanta a nossa própria sobrevivência e prosperidade”.

O relatório da WWF utilizou o Índice do Planeta Vivo, criado pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), para acompanhar as tendências da vida selvagem, e que revela como as populações de animais selvagens se têm vindo a reduzir.

“O comportamento humano continua a impulsionar o declínio das populações de animais selvagens em todo o mundo, com especial impacto nos habitats de água doce” afirmou Ken Norris, Diretor de Ciência da ZSL.

“Mas é muito importante, no entanto, saber que estes são declínios, ou seja, ainda não são extinções — e isso deve ser uma chamada de atenção para mobilizar todos os esforços de forma a promover a recuperação destas populações”, sublinhou.

O “Antropoceno” – um efeito da atividade humana

A perda de ‘habitat’, a degradação e a sobre-exploração da vida selvagem constituem as principais ameaças às espécies identificadas, e estão diretamente relacionadas com as ações dos humanos.

O estudo refere que o planeta “está a entrar num território completamente inexplorado”, referindo-se a uma possível “sexta extinção em massa” – um período que os investigadores já designam por “Antropoceno”.

A organização não-governamental destaca que a produção de alimentos é a principal causa da destruição dos ‘habitats’ naturais e da sobre-exploração de animais selvagens.

“Atualmente, a agricultura ocupa cerca de um terço da área total da Terra e é responsável por quase 70 % do uso da água”, destaca o relatório divulgado.

Ao avaliar o impacto da atividade humana no planeta, o documento aconselha alterações na forma como se produzem e consomem os alimentos, mas garantindo que o mundo se mantenha alimentado de forma sustentável.

A proteção adequada do ambiente, uma “mudança urgente do sistema, do comportamento individual, das empresas e dos governos”, os exemplos sobre a gestão de recursos naturais ou os recentes acordos globais sobre as alterações climáticas, constituem um sinal de esperança na valorização do ambiente.

“Sabemos o que é preciso para construir um planeta resiliente para as gerações futuras, só precisamos é de agir de acordo com esse conhecimento”, acrescenta Marco Lambertini.

O Relatório Planeta Vivo 2016, principal publicação bianual da WWF, acompanhou entre 1970 e 2012 mais de 14.000 populações de vertebrados de mais de 3.700 espécies.

ZAP / Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. O título não quer dizer certamente que iremos perder 67% dos animaizinhos em 4anos, pois não? Isto como está escrito…francamente! Eu cliquei porque realmente parecia um número ridículo e depois lá se percebe porquê no texto.
    Fui pescado pelo isco do clique!!

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