Dez apostas que podem despontar o seu talento na Liga NOS

SL Benfica / Twitter

Everton Cebolinha no SL Benfica vs Bournemouth.

Nos últimos anos, dificilmente se encontra um mercado de Verão tão interessante como este. Contra todas as expectativas, dado que a pandemia trouxe alguma incerteza, os clubes portugueses têm investido mais e melhor, desde o topo até ao fim da tabela, e há vários jovens que despertam grande interesse à partida para a nova época.

Aqui, apresentamos dez caras novas, com pouco ou nenhum tempo de Liga NOS, que consideramos poderem vir a ser destaques no campeonato que se inicia esta semana.

GoalPoint

Fábio Vieira (FC Porto)

O “miúdo” de Santa Maria da Feira foi o último dos campeões da UEFA Youth League a ser lançado por Sérgio Conceição, tendo feito a sua estreia pela equipa principal já após a interrupção das competições, mas foi também aquele que teve maior impacto, acabando o campeonato com oito jogos, dois deles como titular.

Médio-ofensivo de formação, Fábio acabou por ser utilizado por Conceição a partir do flanco direito, mas nem o facto de estar fora de posição impediu que brilhasse nos 238 minutos que teve na Liga NOS 19/20. O facto de não ter chegado nenhum reforço para as posições que habitualmente ocupa, e também de não se falar do seu nome entre as possíveis saídas, pode indicar que a aposta no médio canhoto é para continuar e, se assim for, não temos dúvidas que irá brilhar.

Visão de jogo muito acima da média, meia distância fantástica e uma capacidade no um-para-um que lhe permite conquistar quase cinco faltas por jogo são algumas das suas muitas qualidades, às quais terá que juntar maior capacidade nos duelos sem bola, tendo em conta o que conhecemos de Sérgio Conceição. De qualquer forma, no Porto ou em qualquer outro sítio, Fábio Vieira está destinado a coisas grandes.

Everton (SL Benfica)

Entre todas as nossas apostas é aquela que mais apresentações dispensa, mas não poderia deixar de estar nesta lista. Ainda jovem, Everton chega a Portugal para ser uma das figuras do campeonato, e já mostrou ao que vinha no primeiro jogo dos “encarnados”, em Salónica.

Internacional brasileiro e uma das figuras da última Copa América, “Cebolinha” é um extremo goleador, que tanto ataca a profundidade como joga bem da esquerda para o meio na procura da meia distância, tirando partido de uma brutal capacidade de drible (quase quatro por jogo), que ainda poderá subir no contexto do campeonato português.

Nuno Mendes (Sporting CP)

De todos os jovens lançados na equipa titular do Sporting por Rúben Amorim, Nuno Mendes  foi, não só o mais jovem, mas também o que mais impressionou. Com apenas 18 anos, possui condições técnicas e físicas para ser um lateral-esquerdo de topo mundial num futuro próximo.

A capacidade que demonstra para fazer todo o flanco esquerdo encaixa que nem uma luva no 3-4-3 do jovem técnico leonino e, para além do “pulmão”, o jovem português revela já muita maturidade. A eficácia que apresenta no passe (81%) conta parte dessa história, e basta comparar com a do reforço Antunes (57%), que fica bem mais abaixo apesar de registada num modelo de jogo (Getafe) bem diferente.

Nuno Mendes destaca-se ainda na capacidade de progressão em drible, tirando adversários da frente a uma média de 2,5 por jogo, número que fica acima do que qualquer outro lateral-esquerdo da Liga NOS. A sua velocidade, para além de ajudar nessa característica, permite-lhe ainda antecipar um elevado número de lances a nível defensivo (2,9 intercepções), e até no apoio que dá aos centrais no jogo aéreo tem registo muito elevado (56% de duelos aéreos defensivos ganhos). Temos craque.

Fernando Valenzuela (Famalicão)

Após a temporada de sonho que viveu, o Famalicão viu sair quase todas as principais figuras e foi obrigado a reconstruir o plantel, e sobretudo o “onze” inicial, quase da estaca zero. Como seria de esperar, voltaram a chegar vários jovens, e são muitos os que podíamos referenciar aqui. Calvin Verdonk (lateral-esquerdo), Henrique Trevisan (defesa-central), Joaquín Pereyra e Bruno Jordão (médios-centro) são todos nomes com qualidade para brilhar, mas a nossa escolha recai sobre Fernando Valenzuela.

Apesar de jogar na segunda divisão do seu país (Barracas Central), o extremo canhoto, que actua habitualmente pela direita, é titular da selecção sub-23 “celeste” e traz na bagagem 24 golos em 55 jogos pelo seu anterior clube, que o emprestou ao Famalicão.

De Valenzuela podemos esperar fantasia, técnica, drible, velocidade, agilidade, basicamente tudo o que um extremo deve ter para encantar as bancadas, misturado com uma aplicação defensiva típica dos jogadores argentinos, e que vai permitir ao Famalicão pressionar bastante alto no terreno. Preparem-se.

Easah Suliman (Vitória SC)

Tal como o Famalicão, o Vitória de Guimarães manteve a política de aposta em jovens jogadores de elevado potencial, com a diferença de não ter deixado sair a grande maioria daqueles que já tinha. Marcus Edwards é o maior exemplo disso, mas Easah Suliman, que conquistou a titularidade nas últimas cinco jornadas da época passada, é outro inglês que fica e de quem se espera muito.

Suliman foi o melhor em campo logo na estreia a titular, em Portimão, onde evidenciou algumas das características que fizeram dele titular da selecção inglesa que venceu o campeonato da Europa de sub-19 em 2017, e onde marcou um dos golos na final, contra Portugal.

À boa leitura em antecipação, Suliman junta uma boa capacidade no jogo aéreo (cerca de 70% de eficácia) e um conforto em posse que pode ajudar muito o Vitória na primeira fase de construção. Apesar de tudo, uma escolha que não foi nada fácil, pois o Vitória trouxe vários jogadores sobre os quais temos grande curiosidade para ver em campo.

Leandrinho (Gil Vicente)

Depois de na época anterior ter trazido Lourency, Ygor Nogueira e Denis, entre outros, o Gil Vicente mantém a sua aposta forte e certeira no mercado brasileiro. Para a época 20/21 já chegaram cinco jogadores oriundos do Brasil, de entre os quais destacamos Guilherme Mantuan (lateral-direito), Lucas Mineiro (médio-defensivo) e, sobretudo, Leandrinho.

Formado entre Flamengo e Botafogo, o médio-centro de 23 anos conta no currículo com 25 jogos na Série A brasileira e vem de uma época fantástica ao serviço do Sport Recife, na Série B, onde foi dos melhores jogadores da prova.

Como principais características de Leandrinho, destacamos o forte remate de fora da área, mas sobretudo a sua excelente visão de jogo, que lhe permite registar cerca de 1,7 passes para finalização de bola corrida a cada jogo, muitos deles a isolar os avançados em situações de um-para-um. É ainda um médio com grande capacidade técnica, que completa 70% dos 3,5 dribles que tenta a cada jogo e torna-se mortífero quando acelera com a bola nos pés. O seu contributo defensivo não é elevado, mas está longe de ser um jogador displicente sem bola.

Ali Alipour (Marítimo)

Após o grande sucesso que foram Mehdi Taremi e, a outra escala, Mehrad Mohammadi, seria de esperar que continuassem as investidas de clubes portugueses no mercado iraniano, e assim foi. Apesar de ainda não ter sido apresentado devido a questões burocráticas, o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, já anunciou a chegada de Ali Alipour para muito em breve, e nós mal podemos esperar.

Internacional iraniano, tal como Taremi, Alipour marcou 50 golos nas últimas três épocas ao serviço do Persepolis e tem características bastante semelhante ao agora reforço do Porto. Avançado móvel, mas igualmente forte dentro da área, mostra capacidade no jogo aéreo na resposta a cruzamentos, mas também oferece soluções em profundidade, o que se pode revelar ideal para o modelo de jogo de Lito Vidigal.

Está igualmente confortável a rematar com os dois pés, é rápido e até pode jogar a partir das faixas, caso Lito Vidigal assim pretenda. No Marítimo, atenção ainda a Rafik Guitane (médio-ofensivo), tão ou mais talentoso que Alipour, mas que pode não encaixar tão bem na forma de jogar do treinador.

Angel Gomes (Boavista)

Angel Gomes foi o jogador escolhido para ilustrar a capa do artigo, e definitivamente não é por acaso. O jovem internacional inglês, filho de uma ex-promessa do futebol português (Gil), terminou contrato com o Manchester United, onde tinha feito dez jogos pela equipa principal, e chega ao Bessa emprestado pelo Lille.

Angel é um médio-ofensivo de invulgar capacidade técnica, quer seja no drible, no passe, na recepção, e até mesmo no remate, e espantaria como um jogador desta qualidade chega a Portugal para jogar no 12º classificado da época passada, se não soubéssemos a fonte do investimento. De Angel Gomes podemos esperar tudo, menos que falhe. Da mesma forma que assumiu a camisola “10”, é muito provável que assuma todas as bolas paradas, e isso dever-lhe-á valer um bom números de golos e assistências no final da época.

Jordi Martins (Paços de Ferreira)

Com 27 anos, Jordi Martins é o mais velho jogador da nossa lista, mas abrimos a excepção por ser uma idade ainda jovem para a posição de guarda-redes.

Titularíssimo no último Brasileirão ao serviço do CSA, onde estava emprestado pelo Vasco da Gama, Jordi acabou por descer de divisão, mas, ainda assim teve o melhor GoalPoint Rating do campeonato, fruto dos fantásticos números que registou, entre e fora dos postes. As 4,8 defesas por jogo são um número impressionante, mas que acaba por dizer mais sobre o CSA do que sobre ele, mas são consubstanciadas pela eficácia de 76% na defesa de remates enquadrados à sua baliza.

Para lá da qualidade entre os postes, Jordi é ainda um autêntico “monstro” nas saídas a cruzamentos, com quase três por jogo, quase sempre seguras e com manutenção da bola, ao invés da opção por a socar. A grande dúvida está no jogo de pés, caso isso lhe seja exigido, mas em tudo o resto Jordi tem condições para ser mais um “goleiro” brasileiro a impressionar os portugueses.

Vincent Thill (Nacional)

Vincent Thill é mais um jogador que até há bem pouco tempo acharíamos surreal ver num recém-promovido do campeonato português. Apesar de ter apenas 20 anos, já leva 31 internacionalizações pela selecção principal do Luxemburgo, pelo qual se estreou com 16 anos e um mês, apenas seis meses antes de fazer o seu primeiro jogo na Ligue 1 francesa, ao serviço do Metz.

É justo dizer que a sua carreira não disparou para os níveis que se esperavam, mas não terá sido por falta de talento. Ainda na última fase de qualificação europeia, Thill terminou com um GoalPoint Rating bastante positivo, tendo em conta a selecção em que está integrado.

Médio-ofensivo canhoto, gosta de jogar a partir da direita para tirar partido do seu excelente remate, mas é também um jogador que se destaca no último passe, tanto de bola parada como de bola corrida. A sua baixa estatura foi-lhe prejudicial em França, num campeonato muito físico, mas a técnica e inteligência, integradas num Nacional de Luís Freire que dará prioridade à posse de bola, podem ter na Liga NOS um belo palco para aparecer e voltar a colocá-lo no lote de boas promessas europeias. Seria bom sinal.

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