Descoberta a bebida que pode proteger os músculos dos astronautas em Marte (e tem álcool)

epfl.ch / Flickr

Com a tecnologia atual, Marte fica a nove meses da Terra. Mas a verdadeira questão é: quando os astronautas chegarem ao Planeta Vermelho, terão força para continuar?

Após mais de 50 anos de voos espaciais tripulados, os investigadores conhecem alguns dos riscos que o corpo humano apresenta em gravidade zero. A doença de movimento espacial ocorre nas primeiras 48 horas, causando perda de apetite, tontura e vómito.

Com o tempo, os astronautas que permanecem por seis meses na Estação Espacial Internacional podem experimentar o enfraquecimento e a perda de músculos atróficos e ósseos. Também experimentam perda de volume sanguíneo, sistema imunológico enfraquecido e descondicionamento cardiovascular, porque flutuar requer pouco esforço e o coração não precisa de trabalhar tanto para bombear sangue.

Scott Kelly e outros astronautas, entre 40 e 50 anos, também se queixaram da alteração da visão. Alguns precisaram de óculos em voo.

Os músculos de sustentação de peso são atingidos primeiro e pior, como o músculo sóleo no gémeo da perna. “Depois de apenas três semanas no espaço, o músculo sóleo humano encolhe em um terço“, disse Marie Mortreux, principal autora do estudo financiado pela NASA, em comunicado. “Isto é acompanhado por uma perda de fibras musculares de contração lenta que são necessárias para a resistência.”

De acordo com um novo estudo publicado a 18 de julho na revista Frontiers in Physiology, o resveratrol preserva substancialmente a massa muscular e a força em ratos expostos aos efeitos devastadores da gravidade simulada de Marte.

Para permitir que os astronautas operem em segurança em longas missões a Marte – cuja atração gravitacional é apenas 40% da Terra – serão necessárias estratégias de mitigação para evitar o descondicionamento muscular.

“As estratégias dietéticas podem ser fundamentais”, explicou Mortreux, “especialmente porque os astronautas que viajam para Marte não terão acesso ao tipo de máquinas de exercícios implantadas na ISS”.

A solução será beber vinho tinto, uma vez que é constituído por resveratrol: um composto geralmente encontrado na casca da uva e mirtilos que tem sido amplamente investigado pelos seus efeitos anti-inflamatórios, anti-oxidantes e anti-diabéticos.

“Demonstrou-se que o resveratrol preserva a massa óssea e muscular em ratos durante o descarregamento completo, de forma análoga à microgravidade durante voos espaciais. Portanto, supomos que uma dose diária moderada ajudaria a mitigar o descondicionamento muscular num análogo da gravidade de Marte também”.

Para imitar a gravidade de Marte, os investigadores usaram uma abordagem desenvolvida em ratos por Mary Bouxsein em que ratos foram equipados com um cinto de segurança e suspensos por uma corrente do teto da gaiola. Assim, 24 ratos machos foram expostos a carga normal (Terra) ou 40% de carga (Marte) durante 14 dias. Em cada grupo, metade recebeu resveratrol em água e os outros beberam apenas água. Todos se alimentaram da mesma comida.

A circunferência do gémeo e a força de preensão da pata dianteira e traseira foram medidas semanalmente e, aos 14 dias, foram analisados os músculos. Os resultados foram impressionantes para os cientistas. Como esperado, a condição de Marte enfraqueceu os ratos e reduziu a circunferência do gémeo, o peso muscular e o conteúdo de fibra de contração lenta.

Porém, a suplementação de resveratrol quase que totalmente resgatou a garra dianteira e traseira nos ratos de Marte, chegando ao nível dos ratos da Terra que não foram suplementados. O resveratrol protegeu completamente a massa muscular nos ratos de Marte e, em particular, reduziu a perda de fibras musculares de contração lenta.

Por outro lado, a proteção não foi completa: o suplemento não resgatou inteiramente a área seccional média das fibras ou a circunferência do gémeo.

De acordo com Mortreux, estudos anteriores sobre resveratrol podem explicar estes resultados. “Um fator provável aqui é a sensibilidade à insulina. O tratamento com resveratrol promove o crescimento muscular em animais diabéticos, aumentando a sensibilidade à insulina e a captação de glicose nas fibras musculares. Isto é relevante para os astronautas, que desenvolvem sensibilidade reduzida à insulina durante voos espaciais”.

Os efeitos anti-inflamatórios do resveratrol também podem ajudar a conservar músculos e ossos. Porém, são necessários estudos mais aprofundados para explorar os mecanismos envolvidos, bem como os efeitos de diferentes doses de resveratrol.

ZAP //

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