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“Quebrar o silêncio”. Um site e um telefone para denunciar 70 anos de abusos sexuais na Igreja Católica

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Lawrence OP / Flickr

A Comissão que vai investigar os abusos sexuais na Igreja Católica em Portugal começa, nesta terça-feira, a receber denúncias de vítimas, de casos ocorridos desde 1950, através de um site e de um número de telemóvel. Os casos poderão ser remetidos às autoridades.

O objetivo do trabalho da comissão é o da recolha de testemunhos, para um estudo que não procederá a reparações financeiras nem judiciais, mas que pode dar como reparação às vítimas o quebrar de um silêncio e de um sofrimento pessoal, como explicou aos jornalistas o coordenador da Comissão, o pedopsiquiatra Pedro Strecht.

Pedro Strecht referiu que “apenas o ter alguém com quem falar” pode ser “absolutamente marcante” na “viragem emocional” na vida de uma pessoa.

“A Comissão dará a palavra às vítimas”, frisou ainda a socióloga Ana Nunes de Almeida que também integra a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa.

Para o efeito, foi lançado o site Dar voz ao silêncio, onde se pode deixar o testemunho enquanto vítima de abusos ou denunciar casos que envolvam outras pessoas.

Além disso, há um número de telefone, o 917110000, para receber denúncias entre as 10 e as 20 horas dos dias úteis.

Mas também é possível enviar um email para [email protected] ou uma carta por correio para um Apartado que será divulgado posteriormente.

Além disso, a Comissão prevê também o agendamento de entrevistas de vítimas com profissionais especializados, tanto de forma presencial como através de plataformas digitais.

Denúncias de crimes enviadas para PGR e PJ

A Comissão Independente tem mecanismos instalados para triar falsos testemunhos que possam surgir, explicou ainda Pedro Strecht aos jornalistas.

Todos os testemunhos recebidos que possam ser enquadrados como denúncias de crimes ainda não prescritos serão “imediatamente encaminhados” para as autoridades competentes, explicou o juiz conselheiro Álvaro Laborinho Lúcio, outro elemento da Comissão e ex-ministro da Justiça.

“Nós vamos distinguir claramente denúncias de testemunhos. As denúncias não as vamos trabalhar, mas vamos imediatamente enviá-las para as instâncias competentes”, sublinhou Laborinho Lúcio, referindo que estão já estabelecidos canais de comunicação com as hierarquias superiores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Judiciária (PJ).

Além das denúncias, a entidade vai ainda analisar jornais, revistas e dados da Procuradoria-Geral da República e de órgãos de protecção de menores, como o Instituto de Apoio à Criança e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

A ideia é também quantificar o número de crianças vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja Católica e caracterizar as situações e as pessoas envolvidas.

As investigações vão debruçar-se sobre os últimos 70 anos, ou seja, a partir de 1950.

  ZAP // Lusa

6 Comments

  1. A Comissão do Abafo.
    Não devia ser a polícia a fazer isto?
    E se esta comissão vier a saber da ocorrência de um crime não é obrigada a comunicar à polícia?

    • “Todos os testemunhos recebidos que possam ser enquadrados como denúncias de crimes ainda não prescritos serão “imediatamente encaminhados” para as autoridades competentes, explicou o juiz conselheiro Álvaro Laborinho Lúcio, outro elemento da Comissão e ex-ministro da Justiça.”
      Ora aqui está!

      • Não, não está… nada garante que a tal comissão não faça como a Igreja tem feito até agora: esconder os pedófilos da Igreja!!
        Mas é uma “comissão independente” por isso vamos esperar para ver o que vai sair dali…
        E, todos os crimes deviam ser denunciados; não apenas os prescritos…

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