Cultura bancária torna as pessoas desonestas? A Ciência foi à procura de resposta

Será que são as pessoas desonestas que se tornam banqueiras ou será que é toda a cultura envolvente que torna as pessoas desonestas? Uma equipa de cientistas foi à procura de resposta.

A profissão de banqueiro nem sempre traz as melhores memórias a maior parte da pessoas. Escândalos financeiros, fuga ao fisco, manipulação de taxas de juros, entre outros, são vários assuntos que nos deixam de pé atrás quando pensamos num banqueiro. Mas será este um estereótipo que temos em relação à profissão ou será que a cultura bancária torna as pessoas desonestas?

Um estudo publicado esta semana na revista científica Natura procurou resposta para esta pergunta, mas acabou por chegar a uma conclusão ambígua.

Para o fazer, os cientistas analisaram dois bancos comerciais, um no Médio Oriente e outro na Ásia, e perceberam que os banqueiros não são mais propensos a serem desonestos do que as pessoas de outras profissões.

De acordo com a Inverse, a conclusão deste estudo contrasta com os resultados de outro estudo de 2014, publicado na mesma revista científica, que sugeriu que os banqueiros são mais propensos a fazer batota num jogo de moeda ao ar depois de lhes fazerem perguntas sobre o banco em que trabalham e sobre há quanto tempo estão lá.

Surpreendentemente, por outro lado, caso perguntassem aos banqueiros como é que passavam os seus tempos livres, estes eram menos propensos a fazer batota.

Michel Maréchal, coautor do estudo de 2014, realça que quando as pessoas não eram relembradas daquilo que faziam na vida, “não havia sinais de batota”. Por essa mesma razão, o especialista acredita que os resultados sugerem que “as pessoas que são bancárias não são particularmente desonestas“.

Neste novo estudo, liderado por Max Planck, 148 banqueiros do Médio Oriente e 620 banqueiros asiáticos jogaram o mesmo jogo de moeda ao ar. Apesar de algumas das pessoas que foram relembradas da sua ocupação profissional terem feito batota, os valores não foram significativos o suficiente.

Dos 27 bancos contactados para participar na experiência, apenas dois deles aceitaram. Como tal, a equipa de cientistas reconhece que a amostra em estudo pode ter sido enviesada. O estudo de 2014 pode ter sido responsável, já que, à partida, os bancos não quereriam participar num estudo que faz a sua profissão ficar mal vista.

Os cientistas destacam que é necessária mais investigação sobre as diferenças culturais dentro dos bancos para identificar fatores que possam influenciar a cultura da empresa — tanto negativa como positivamente. Contudo, os cientistas encontram dificuldades em estudar a desonestidade nos banqueiros, uma vez que estes não querem ser estudados.

“Consegue-se imaginar que as pessoas que decidem se os seus funcionários devem ou não participar num estudo sobre desonestidade optem por não o fazer”, realçou Maréchal. “Esse é o problema de replicar o nosso estudo — é difícil encontrar bancos que queiram participar”.

ZAP //

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