Correntes oceânicas estão a neutralizar os efeitos do aquecimento global na Antárctica

Correntes oceânicas frias e profundas do Atlântico Norte estão a neutralizar o efeito do aquecimento global na Antártica e a retardar o aumento do nível dos mares, revela um novo estudo, publicado esta segunda-feira. 

Segundo o estudo, publicado esta segunda-feira na revista britânica Nature Geoscience, este isolamento gelado do continente, que está coberto com uma camada de gelo de até quatro quilómetros de espessura, pode durar séculos.

As conclusões do estudo são uma boa notícia para centenas de milhões de pessoas: as que vivem em regiões baixas e estão ameaçadas pela subida iminente de até um metro no nível dos mares, que deve acontecer até o final do século, de acordo com o último relatório do Painel de Ciência do Clima da ONU.

Estudos mais recentes sugerem que o nível da água dos mares pode aumentar ainda mais, impulsionado pela água da superfície, que se expande à medida que aquece, e pelo escoamento das geleiras e de duas grandes camadas de gelo.

Uma dessas camadas de gelo cobre a Gronelândia, e a outra fica na Antárctica Ocidental – a zona do continente que está a aquecer mais rapidamente.

Se a Antárctica Oriental estivesse a fundir ao mesmo ritmo, o impacto sobre as povoações humanas ao longo das costas em todo o mundo seria catastrófico.

Os cientistas já sabem há muito tempo que as mudanças climáticas têm afectado o Oceano Antártico mais lentamente do que os outros oceanos nos últimos 50 anos.

A resistência do Antárctico ao aquecimento global é devido à vastidão da camada de gelo do continente, e aos ventos e às correntes oceânicas, que funcionam como uma zona de protecção.

Mas o estudo agora publicado atribui o motivo fundamental dessa resistência a um cinturão de correntes oceânicas profundas, que transporta água gelada a uma temperatura de cerca de 1ºC.

“O principal motivo do atraso no aquecimento do Oceano Antártico é a circulação oceânica de fundo”, afirma a equipa de cientistas, liderada pelo biólogo Kyle Armour, investigador da Universidade de Washington em Seattle.

Para os investigadores, os gases causadores de efeito estufa, que estão a provocar secas, tempestades e instabilidade climática no resto do planeta, vão demorar “muitos séculos” a ter um impacto significativo no Oceano Antártico.

Essa conclusão não anula, porém, o facto de que, mesmo em menor escala, o aquecimento global pode causar danos.

De acordo com um outro estudo, publicado na semana passada, uma calote polar do tamanho da França na Antárctica Oriental está a perder água rapidamente.

E essa perda, por si só, pode elevar o nível dos oceanos em cerca de dois metros em poucos séculos.

EcoD

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