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PJ confirma pagamentos do Correio da Manhã a falso denunciante do Cashball

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O relatório da Polícia Judiciária sobre o caso Cashball revela que o empresário Paulo Silva recebeu 30 mil euros do Correio da Manhã para dar uma entrevista sobre o caso.

Seis dos sete arguidos do caso ‘Cashball’, entre os quais André Geraldes, diretor desportivo do Sporting à data dos factos, foram ilibados de responsabilidades, por falta de provas, na investigação da Polícia Judiciária (PJ).

De acordo com o relatório final da PJ, a que a Lusa teve hoje acesso, o único arguido que não foi ilibado é Paulo Silva, empresário que em março de 2018 denunciou o caso, quando assumiu ter sido mandatado, através de intermediários, para corromper árbitros de andebol e jogadores de futebol adversários, de modo a favorecerem o Sporting.

O documento, ao qual o Expresso teve acesso, indica que nas interceções telefónicas “é possível verificar que Paulo Silva estabeleceu contactos com jornalistas no sentido de dar uma entrevista sobre os factos em investigação no qual terá sido estipulado uma contrapartida no valor de 30 mil euros (20 mil para falar de futebol e 10 mil por falar do andebol)”.

Apesar de o processo estar em segredo de justiça, Paulo Silva aceitou dar uma entrevista ao Correio da Manhã, “em que revelou todo o conteúdo do objeto de investigação dos presentes autos, o que corrobora o teor das interceções telefónicas acima descritas”.

Por sua vez, o diretor do jornal, Otávio Ribeiro, argumenta que “o Correio da Manhã não paga, nem pagou por entrevistas ou declarações” e que a alegação é “uma loucura, é surreal”.

O relatório concluiu, entre outros factos, que Paulo Silva abordou dois árbitros de andebol, em 2017, oferecendo-lhes 2.500 euros, com a intenção de os levar a beneficiar o Sporting em jogos com o ABC de Braga e o FC Porto.

No que se refere ao futebol, o documento, divulgado na segunda-feira pela TVI, concluiu que Paulo Silva terá oferecido a Leandro Freire, jogador do Desportivo de Chaves, 25.000 euros para que este prejudicasse o seu clube nos dois jogos com o Sporting, “proposta que não foi aceite”.

A investigação considerou válida a possível relação entre uma verba em numerário de 60.405 euros, apreendida no gabinete de André Geraldes, à data diretor desportivo para o futebol profissional do Sporting, e a venda de bilhetes a grupos organizados de adeptos.

No documento, datado de 15 de julho, é considerado ainda que “não é possível estabelecer conexão entre as abordagens” feitas por Paulo Silva a árbitros e jogadores e os arguidos no processo André Geraldes, Gonçalo Rodrigues, funcionário do Sporting, e João Gonçalves, empresário.

No processo, que aguarda o despacho final do Ministério Público, são ainda arguidos Roberto Martins, Ivan Caçador e Fernando Costa.

  ZAP // Lusa

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