Cientistas põem ratos a correr durante 54 semanas para avaliar benefícios cardíacos

Zebra Pares / Flickr

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Investigadores da Universidade de Aveiro submeteram ratos, durante 54 semanas, a exercício físico em tapete rolante para verificar se há benefícios na função cardíaca, no âmbito de um estudo hoje divulgado por aquela universidade.

Um grupo de investigadores da unidade de investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA) da Universidade de Aveiro (UA) tenta perceber como o estilo de vida ativo regula a função cardíaca, através de uma abordagem inovadora: a proteómica.

Recorrendo a modelos animais, o grupo concluiu que, com o exercício físico, os níveis de algumas enzimas aumentam nas mitocôndrias do coração, tendo um efeito cardioprotetor.

Utilizando um modelo animal de rato submetido a um programa de exercício físico moderado em tapete rolante, durante 54 semanas (o protocolo mais longo já estudado em modelos animais), Francisco Amado, Rita Ferreira, Rui Vitorino, António Barros e Ana Padrão, investigadores do grupo de espectrometria de massa do QOPNA, analisaram mitocôndrias isoladas do coração com recurso à proteómica.

“Os resultados obtidos demonstraram que o exercício físico moderado realizado ao longo da vida tem efeitos benéficos pelo aumento dos níveis de enzimas específicas, com resultados positivos na atividade mitocondrial cardíaca. A ativação destes processos biológicos parece estar associada ao efeito terapêutico do exercício físico na prevenção e tratamento de doença”, explicou Rita Ferreira.

UA.pt

Rita Ferreira, investigadora da Universidade de Aveiro

Rita Ferreira, investigadora da Universidade de Aveiro

Entre as enzimas identificadas e validadas, utilizando diferentes técnicas, como determinantes do efeito cardioprotetor, estão a RAF e a p38.

Na sequência desse estudo, ratinhos com cancro estão também a ser submetidos a um programa de exercício físico em tapete rolante, para verificar se os mecanismos moleculares recentemente identificados intervêm com benefícios para a função cardíaca.

“Pretendemos ver se, após o diagnóstico, a prática de exercício físico melhora a função cardíaca e se os mesmos mecanismos moleculares influenciam a função cardíaca no doente”, acrescentou a investigadora.

O trabalho de investigação pressupõe a análise de proteínas utilizando técnicas de espetrometria de massa (proteómica) e está a ser realizado com a colaboração técnica do Instituto CRG – Barcelona, na análise de proteínas, e da Universidade do Porto e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), na avaliação hemodinâmica e na implementação do modelo animal.

O estudo foi já capa da revista científica “Journal of Proteome Research” e destacado em páginas de difusão científica como “ScienceDaily”, “MedicalXPress” e “ScienceNews”.

/Lusa

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