Cientistas desenvolvem método capaz de identificar doenças através de lágrimas

Técnica segue parâmetros já testados com a saliva e a urina, daí que os investigadores antecipem ser possível que qualquer cidadão, no futuro, se teste na sua residência.

As lágrimas humanas são, por natureza, associadas a situações tristes ou emotivas. no entanto, a sua composição interessa cada vez mais aos cientistas, que veem nelas uma importante fonte de informação útil. Num novo artigo científico publicado a 20 de julho no ACS, uma equipa de cientistas diz ser capaz, com apenas algumas gotas, detetar doenças oculares e até vislumbrar sinais de diabetes.

“Queríamos demonstrar o potencial da utilização das lágrimas para detetar doenças”, explica Fei Liu, engenheiro biomédico da Universidade Médica de Wenzhou, na China, ao site Science News. É possível que as gotículas possam dar pistas aos cientistas sobre o corpo inteiro, entende o investigador, havendo ainda a possibilidade de um dia as pessoas testarem rapidamente as suas lágrimas em casa.

À semelhança da saliva e da urina, as lágrimas contêm pequenos sacos recheados com mensagens celulares (SN: 9/3/13). Se os cientistas forem capazes de intercetar estes sacos de correio microscópicos, poderiam dar-nos novas informações sobre o que está a acontecer no interior do corpo. No entanto, recolher uma quantidade significativa destes sacos, chamados exosomas, é uma tarefa complicada. Ao contrário do fluido de outras partes do corpo, apenas gotas de líquido saem dos olhos.

Como tal, a equipa de Liu concebeu uma nova forma de capturar os sacos a partir de pequenos volumes de lágrimas. Primeiro, os investigadores recolheram as lágrimas dos participantes no estudo. Depois, a equipa adicionou uma solução contendo as lágrimas num dispositivo com duas membranas nanoporosas, vibrando-as e aspirando a solução através delas. Em minutos, a técnica deixa escapar pequenas moléculas, deixando os sacos para trás.

Através desta técnica, diferentes tipos de doenças dos olhos secos marcam as suas próprias impressões digitais moleculares nas lágrimas das pessoas, descobriu a equipa. Além disso, as lágrimas podem potencialmente ajudar os médicos a monitorizar o progresso da diabetes num paciente.

Agora, os cientistas querem explorar as lágrimas para detetar evidências de outras doenças, bem como depressão ou stress emocional, explica o co-autor do estudo Luke Lee, um bioengenheiro da Escola Médica de Harvard. “Isto é apenas o começo”, diz ele. “As lágrimas exprimem algo que ainda não explorámos realmente”.

  ZAP //

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